Arquivo de 04/2003

Na Jamaica…

30/04/03

Nossa, um cybercafe por US$ 2 15 minutos parece ate uma barganha depois do que eu paguei por 18 minutos no navio anteontem (US$ 9 8-O ).

Sem perder muito tempo porque a praia me espera, passeei ontem pela ilha de Labadee, no Haiti. Acordei e disse que o “Haiti era ali”, quando vi a ilha da varanda da minha cabine. Mas quando eu fui pra la, paraiso, diga-se de passagem, via que nao era ali coisa nenhuma. A ilha e perfeita, digo, a area reservada aos turistas eh perfeita. A agua em limpissima, temperatura deliciosa, as vezes quente demais. O resto eh o misere que se esconde sempre e que ninguem quer mesmo ver em uma viagem de diversao. Ai vc vai achar que eu estou tendo culpas burguesas por estar me divertindo tanto no meio de tanta miseria, ne?

Nao. EU nao estou. Eu mereco o descanso. So acho que eles deveriam merecer tambem.

No fim, assim como Caetano e Gil disseram, o Haiti, tambem nao eh aqui.

Hoje, descemos em Ocho Rios uma pequena cidade jamaicana. Tudo fake, amigos e amigas.

Embarcamos em um tour ruim, chato, nao, chaterrimo.

Ate aqui, o barco tem sido a estrela. As praias sao lindas, mas esses programas de turistinha americano viram mico rapidinho. Fomos meio que obrigados a fazer esse de hoje por uma serie de contingencias, mas eu nao vou entrar em outros. E uma dica obvia, eu sei. Mas, quando fizer uma viagem dessas, fuja dos tours. Saia na cara e na coragem. E muito melhor, acredite.

Amanha vou para Cayman. Dureza. Voce nem imagina minha cara de estressado. :-)

See ya!!

Ferias sem acento, de novo

28/04/03

As paredes com cores descombinadas, a arquitetura feia e fria, o ar fake inconfundeivel nao deixam duvida de que estou em Miami.

Depois de chegar na cidade com um calorzinho indecente queimando a mufa, embarco no cruzeiro bacana que vou fazer esta semana. Estou indo conhecer o caribe no Voyager of the Sear. Como o cybercafe aqui custa US$ 0,50 por minuto, provavelmente, voce soh vai ouvir muito mais de mim quando eu chegar. Mas vou ter muitas historias (e fotos) aqui.

So para adiantar, o navio eh enorme, gigante, infindavel. Tem quadra de basquete, nao sei quantos restaurantes, campo de minugolfe, piscinas, muitas piscinas, e esta rolando um concurso de beleza da Elite Models da America Latina.

Nao dormi no voo e estou ha muitas, muitas horas mesmo sem dormir. Entao estou vendo elefantinhos rosados flutuando ao meu redor. Acho que so vou raciocinar direito amanha.

Entao. Quando eu tiver tempo, atualizo isso aqui. Te mais. ;-)

Hua hua hua!!

26/04/03

Quando dois FDPs se encontram tinha que dar nisso!!!

Muito boa essa história!!

A vingança dos… você sabe quem

25/04/03

Pois é. Na escola, havia aquele grupo dos gostosões e das gostosonas. Lindos, sarados e bem relacionados, eles eram os reis e rainhas da cocada preta. Enquanto isso, os nerds, se não eram maltratados como nos filmes adolescentes americanos, eram tratados com desprezo. Eram os impopulares, os bobos, os otários, pra dizer o mínimo.

Pois o que os nêeeeeerds falavam e ninguém dava muita atenção foi, peça por peça, acontecendo. Os computadores tomaram o mundo de assalto, os moleques que jogavam atari passaram a jogar videogames, que se tornaram um negócio maior que o cinema, a clonagem, o teleporte, tudo foi se provando possível. Como se fosse pouco, enquanto os nerds foram se tornando profissionais bem-sucedidos, os astros da escola, que eram uns estúpidos mesmo, engordaram, ficaram feios e estão todos desempregados ou vendendo aspiradores de porta em porta. As meninas, antes lindas, estão indo para a terceira filha, do segundo marido, e não perdem um livro de auto-ajuda e nem a novela venezuelana da Rede TV! Nada de pena, pessoal. Eles tiveram o que mereceram.

Então, você entra na Internet e vê que o mundo de hoje é uma verdadeira vingança dos nerds do início ao fim. E temos no mundo virtual uma versão do digital universo estudantil. Em vez dos astros do time de futebol americano, temos os blogueiros mais populares, agrupados em panelinhas que ficam se linkando umas com as outras, se auto-elogiando, sendo indulgentes, dizendo: olha como eu cresci (ou nem tanto, já que os pirralhos se espalham aos montes pelas pradarias virtuais).

O que é isso, caro colega? Se você é nêeeeerd como eu, deveria ter aprendido alguma coisa com isso tudo. Devemos usar nossos poderes para que não existam os nêerds do mundo dos nêeeerds, devemos ser menos herméticos e pegar pelas mãos quem está chegando agora. Nada de estrelismos, ou vamos provar que não aprendemos nada. Dê atenção aos jovens blogueiros que lhe mandam e-mails pedindo dicas e trate com dignidade as pessoas que não sabem o que é Linux, nunca ouviram um MP3 e nem entendem que banda larga não se resolve com um regime de proteínas.

E já que é assim, seja um freak batuta e faça as pazes com o seu passado. Arrume uma indicação de emprego para aquele cara que esfregou sua cara em uma latrina naqueles dias distantes da adolescência (se você for UMA neeeerd, pode dar uns pegas nele, se ainda valer a pena), ajude aquela ex-gostosa a fazer um regime e arrumar um cirurgião que lhe turbine os seios e faça uma lipoescultura (se o resultado ficar bom, pequeno gafahoto neeeeeeeerd, você até pode dar uns pegas nela). Não seja mau!! Mostre que nós, os nerds, os reis do mundo, somos caras legais que souberam ganhar.

Ah, o Garotinho

24/04/03

Todo mundo que tem bom senso está preocupado com os rumos do Estado do Rio nas mãos da governadora Rosinha. Pois ela tirou da manga a idéia de colocar o marido no comando da secretaria de segurança.

Você quer saber o que eu acho disso?

Ao contrário do que todo mundo deve dizer, eu acho que ele vai entregar resultados, sim. Mas vão ser aquelas balelas nas quais ele parece ser um verdadeiro especialista. Atos populistas de imediatistas e sem efeito prático. A velha mania de agir nas consequências e não nas causas. É o mesmo sistema corrupto e estúpido de sempre.

Não adianta a gritaria dos conservadores de plantão, que acham que tudo se resolve com mais repressão. Foi o sistema deles que vigorou até aqui e nos levou a uma confusão social impossível de desarmar.

Sem um governo que seja capaz de agir em várias frentes, vamos seguir nessa rotina de incêndios de ônibus, autoridades que só soltam bravatas, tiros e mortes.

Então, Cesar Maia, Garotinho, Rosinha, Lula e quem mais aparecer. Resolvam o diabo do problema. Assumam as suas responsabilidades em suas devidas esferas de influência. Eu não quero saber quem vai resolver o problema, desde que trabalhe direito e demonstre que nos trouxe uma política coerente e honesta.

Me inclua nessa!!

24/04/03

Eu não verifiquei se isso é mesmo sério, então olhe isso com reservas, mas um grupo de americanos lunáticos descerebrados criou um site com uma lista (que cresce a cada dia) de atores e atrizes que discordam da política assassina de Bush Junior. Eu tinha lido que o New York Post tinha feito isso, mas vi esse site no TriGlic e achei que valia a indicação.

Cara, isso é uma honra. Quisera eu ser famoso e rico só pra entrar em uma lista dessas. Eu ia salvar a página e guardar para mostrar pros netos :-)

Claro que só ser rico já ia ser legal. ;-)

Mas voltando a falar sério, qualquer pessoa que se arrisque a perder dinheiro por defender suas idéias merece o seu, o meu, o nosso respeito.

Mais reencontros

23/04/03

A última vez que tínhamos nos visto foi no meu aniversário, em agosto do ano passado, quando o Cris veio ao Rio de Janeiro direto do Canadá.

É engraçado. Quando eu, o Cris e o Bruno éramos moleques metidos a espertos, parecia que sempre teríamos tempo para estarmos juntos jogando conversa fora. A realidade jogou um pra cada canto, fazendo coisas absolutamente diferentes. E a gente que se via todo dia, agora tem que marcar hora e local para se encontrar. Que dureza.

Então, aí está mais um encontro blogueiro, com o Bruno Accioly, a Bebel (a dupla do TriGlic), o Cris a Anna e Eu.

Na Páscoa, éramos eu, Anna, Cris e a Helenice.

Ainda não foi desta vez…

23/04/03

Hoje fui tentar ver “Carandiru” e não consegui. Mas pelo menos comi as esfirras maravilhosas da galeria do Largo do Machado.

Eu vou lá desde pequenininho, quando meu pai ainda era vivo, e o sabor sensacional continua o mesmo.

Minha outra paixão gastronômica de moleque era a pizza vagabunda de mussarela de uma lanchonete chamada Pax, que ficava na rua dos Romeiros, na Penha, um subúrbio do Rio no qual meu pai tinha um consultório. Eu nem sei se o lugar ainda existe porque não vou lá há muitos e muitos anos…

Porque eu gostei de “As Confissões de Schmidt”

23/04/03


Schmidt é um cara estranho. Ele não derramou nenhuma lágrima pela morte de sua mulher, com quem viveu por 42 anos, tampouco chorou ao ver sua filha se casando com um paspalho. Mas bastou receber a carta de um garotinho de seis anos que ele resolveu patrocinar em um programa de ajuda às crianças miseráveis do terceiro mundo e o velho turrão virou um pudim de lágrimas.

“As Confissões de Schmidt” é sublime porque é cínico e conquista o espectador ao explicar para ele que, abraçando os valores vazios impostos todos os dias, o que o espera na velhice é uma existência sem sentido em que ele inevitavelmente vai olhar para trás e pensar nos erros e fracassos do passado. Pior ainda: mesmo olhando para o passado e pensando em recomeçar, você não vai aprender nada e vai ser igual a todo mundo. Porque todo mundo, como você, é igual em seu desejo de ser diferente, especial, de fazer algo que deixe sua marca neste mundo.

Para fazer o proverbial homem médio, o diretor Alexander Payne escolheu o proverbial homem especial, personificado pelo grande Jack Nicholson. Eu não vou perder meu tempo ou o seu falando muito da atuação do Jack. Ele que sempre foi grande exibindo as várias versões dele mesmo, aqui ficou genial por se afastar de sua persona original, por aceitar uma pequenez que ninguém imaginava existir nele. Por algumas horas eu e você teremos algo em comum com Jack. Mais uma benesse magnânima do gênio para a sua audiência.

Depois de chegar do cinema, finalmente me deixei ler algo sobre o filme. Fui ler a “Bravo” e me surpreendi com uma resenha com a qual discordo em gênero, número e grau. Ali, o resenhista chama Payne de “falso” e de chutar cachorro morto. Como assim?

Para muitas pessoas, Schmidt é um drama lacrimogêneo comum, mas Payne nunca cai nessa armadilha. Vejamos alguns exemplos…

Na descrição que Schmidt faz de sua mulher, ele fala dos defeitos dela e de como ela fica jogando fora comidas com data de vencimento estouradas (Céus!!! Eu faço isso!). Algumas dezenas de minutos mais tarde, a personagem de Kathy Bates entrega para ele um remédio com a data de validade vencida. Em uma comedinha romântica ou mesmo em um draminha qualquer, esta cena seria a senha para a audiência entender que eles dois foram feitos um para o outro. Para Payne, é uma chance para tentar dizer algo. Você entende ou não. Schmidt, parece não entender.

A mesma coisa acontece quando nosso “herói” faz a sua jornada de reencontro que nada mais é do que uma jornada de desespero, já que Schmidt sai sem rumo justamente porque não sabe mais o que fazer com sua vida. A idéia vai soando cada vez mais patética quando ele começa visitando seu passado e acaba em museus e outras atrações turísticas baratas feitas para arrancar dinheiro de aposentados e desocupados como ele.

Da mesma forma, uma das principais sacadas do roteiro é o menininho para quem Schmidt manda suas cartas confessando sobre sua vida. Ele entra na vida do protagonista por meio de um comercial exibido na programação diurna da TV, feito para os aposentados que vêem TV neste horário e estão procurando um sentido em suas vidas. Mais ou menos como nós vamos estar em algumas décadas ou menos…

Ndugu, o menino, é apenas uma foto. Schmidt o conhece por meio de uma daquelas cartas padrão em que o nome do garoto vem escrito em letras diferentes, com uma impressora preenchendo uma lacuna. As informações chegam em um kit asséptico no qual o americano-aposentado-rico, direto de sua sala decorada com móveis caros e um papel de parede cafona, manda seus US$ 22 dólares para um garoto miserável e acha que com isso deu sentido à sua existência e remediou seu sentimento de culpa por ter tanto enquanto as pobres criancinhas esfomeadas do terceiro mundo têm tão pouco.

Até aqui o diretor, usando diversos recursos extremamente sutis, mostra que tem um controle absoluto da linguagem. Muita gente lê o filme de uma forma literal e enxerga a jornada de Schmidt, a cartinha do menino e tudo mais como uma prova de que o velho homem aprendeu uma lição sobre a vida. A mania escrota dos filmecos americanos.

Mas o que Payne mostra é que Schmidt volta tão estúpido quanto estava quando saiu de casa em busca de si mesmo. Para ele, sua mulher, sua filha, sua vida, todas as coisas que ele, eu e você construímos ao longo de nossas existências não fazem sentido. Mas uma carta asséptica escrita pela freira que diz cuidar de um garotinho pobre na África o faz debulhar-se nas lágrimas que ele jamais se permitira derramar.

Você pode ir com ele nesse choro catártico ou não. Mas faça diferente de Schmidt e tente entender e refletir sobre o que a ignorância, a rabugice e a cegueira de uma pessoa podem fazer com a percepção que ela tem a respeito de sua vida.

Amei Schmidt

22/04/03

Eu amei o filme do Jack Nicholson. Mas preciso escrever algo mais elaborado do que isso e agora não tenho tempo. O filme é lindo, tocante, recheado de boas atuações e conta com roteiro e direção de primeiríssima qualidade. Não é fácil fazer filme bom, que não cai nas armadilhas fáceis da escola americana de roteiros. “As Confissões de Schmidt” é assim. É perfeito.