Houve um tempo em que, ao ouvir o nome de Michael Caine, mesmo sabendo das qualidades dramáticas do homem, eu pulava o filme, porque sabia que era alguma bomba. Ele pagou seu aluguel e fez seu pé de meia tranquilamente com esses filmecos de meia-tigela e foi ganhar seu Oscar de coadjuvante pela sua sublime atuação no irregular “Regras da Vida”, ao lado de Tobey “Spiderman” Maguire.
Pois Caine nos brinda com uma atuação estupenda ao esncarnar o Thomas Fowler do ótimo “O Americano Tranquilo”, de Phillip Noyce. Foi indicado ao Oscar de coadjuvante e merece ganhar o careca douradinho mais uma vez.
Ao seu lado está Brendan Fraser, que vai intercalando papéis sérios com outros que o tornam um astro conhecido por todos os tipos de audiência. Fraser sabe atuar, o que, entre os astros de hoje em dia, é uma raridade.
Há filmes que usam um momento histórico como pano de fundo. Aqui, esse momento histórico, o cenário e os personagens se misturam de uma forma perfeita, de um jeito que essa história, essas situações pertencem aquele espaço e tempo.
A história se passa no fim da década de 50, quando os franceses perdiam a guerra na Indochina e os americanos, preocupados com o avanço do comunismo resolvem se envolver no conflito. Caine é um repórter inglês que se apaixona por uma nativa e Fraser é um americano que, em missão no Vietnã, se apaixona pela mesma mulher. Com a suavidade de quem acredita que o que está fazendo é uma coisa boa, Fraser vai tomando a mulher de Caine e se enfiando na intrincada política local.
O filme teve uma versão em 1958, dirigida por Joseph L. Mankiewicz que ficou famosa por ter deixado o autor do livro que deu origem ao filme, Graham Greene, irritadíssimo. O principal motivo disso foi o fato de Mankiewicz ter tomado partido e colocado Fowler (o personagem que agora é de Michael Caine) como um vilão invejoso.
O filme de Noyce não cai nesse maniqueísmo típico daquele tempo. Maniqueísmo que os EUA tentam trazer de volta, já que a Miramax quase arquivou o filme, na onda das campanhas militares americanas. Em uma palavra: filmaço.