Arquivo de 03/2003

Tudo em família

10/03/03

Minha mana é citada na coluna do Gravatá, do Info Etc. e eu levo uns acessos por tabela.

É o caso clássico do irmão mais velho pegando carona na fama da caçulinha.

Hoje em dia, a Anna e o CrisDias são as pessoas que mais mandam leitores pra este site. O que seria de mim sem esses blogs muito mais legais, bonitos e completos que o meu?

Uma dentro do imortal

9/03/03

O milionário e imortal Paulo Coelho escreveu um texto para a Folha que eu achei bacana, chama-se “Obrigado, presidente Bush”.

Eu não gosto deste tom de parábola, de redação de escola, de texto edificante que vai ficar circulando em e-mails de um monte de gente com o subject “Paulo Coelho contra a guerra”, ou coisa parecida. Mas, oras, não podemos ignorar a autoria. É assim que esse respeitado homem das letras escreve.

O que importa é que é um texto legal, que levanta idéias interessantes e vai fazer muita gente olhar a questão da guerra com outros olhos. Leia (atualização: link perdido)

Bilhões e bilhões

6/03/03

Uma das coisas mais legais que eu comprei nos últimos tempos foi a caixinha de DVDs da série “Cosmos”, aquela que era apresentada pelo Carl Sagan, o cientista e não o meu cachorro… :-)

Eu comprei uma caixa usada, já que a novinha em folha custava exorbitantes US$ 130 (!!!!), mas como eu sempre digo, eu não compro caixinhas, nem DVDs, eu quero o conteúdo.

Além disso, trouxe as caixinhas das séries “24 Horas” e “The Shield”. São duas das melhores coisas que apareceram na TV nos últimos tempos, sem sombra de dúvida. Esta última, da qual não falei por aqui, mostra as desventuras de um policial corrupto até a medula. O diabo é que o ator é tão bom e a direção e os roteiros tão bem cuidados que você se vê torcendo para aquele tira odioso. O protagonista da série, Michael Chiklis, ganhou o Emmy e o Globo de Ouro de melhor ator, e a série ganhou o GdO.

O fim de Buffy - Esclarecimentos

6/03/03

Eu falei aqui alguns dias atrás sobre o fim do seriado “Buffy - The Vampire Slayer” e algumas pessoas mandaram e-mails ou deixaram comentários perguntando o que isso significa. Então deixa eu explicar melhor.

“Buffy” está em seu sétimo ano nos EUA, sendo exibido pela rede UPN. A Fox do Brasil estréia no dia 18 deste mês exatamente esta sétima temporada, que já está na metade lá nos Estados Unidos.

Acontece o que o contrato da protagonista da série, a atriz Sarah Michelle Gellar, acaba este ano. Acontece também que a série, que nunca foi um enorme sucesso de audiência, mas se tornou objeto de culto, gerando capas de revista e artigos em todo o mundo, perdeu ainda mais audiência este ano. SMG somou dois mais dois e resolveu dar o passo definitivo de sair da série antes que fosse anunciado o cancelamento oficial do programa.

Isso não significa que a sétima (e última) temporada não terá fim. Significa que, depois desses 22 episódios, acabou.

Os criadores da série tentaram convencer Eliza Dushku a assumir a série como a caçadora Faith, mas Eliza assinou contrato para fazer um piloto para a Fox e deixou todo mundo na mão. Mas ela estará nos últimos cinco episódios de Buffy que vão concluir a temporada. Além disso, David Boreanaz fará uma participação especial no último episódio da série. O ator nega que isso já esteja definido, mas diz que, se Joss quiser, ele faz sem pestanejar. Todo mundo afirma que ele fará.

SMG falou bastante sobre sua desistência e o fim da série ma entrevista que deu à revista Entertainment Weekly, de uma lida (e veja também o que a colunista Rachel Lovinger, da EW, tem a dizer sobre o assunto…)

Sem Eliza nem SMG, os criadores de “Buffy” prometem voltar com um novo conceito, uma série que deverá continuar explorando as aventuras de um dos personagens coadjuvantes do seriado. Se isso vai mesmo acontecer ou se é só papo deles, vamos saber nas próximas semanas.

Quem você acha que deveria (se é que deveria) continuar o legado de Buffy?

Lula Lá Também

5/03/03

Duda Mendonça tem mesmo poder. Seu marketing eleitoral é tão forte que seu candidato nas últimas eleições, o atual presidente Lula, ganharia eleições contra todos os candidatos argentinos.

O que será que isso quer dizer?

Na Folha Online:

Enquanto a Argentina se prepara para vivenciar uma das mais disputadas corridas presidenciais da sua história, o nome do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva ganha em popularidade de qualquer um dos candidatos às próximas eleições, em 27 de abril.

Pesquisa realizada pela Consultoria Graciela Romer e Associados sobre a imagem do presidente brasileiro no país vizinho aponta que metade da população, em especial as classes média e alta (56%), elegeria Lula para comandar o país.

Tranquilo

5/03/03

Houve um tempo em que, ao ouvir o nome de Michael Caine, mesmo sabendo das qualidades dramáticas do homem, eu pulava o filme, porque sabia que era alguma bomba. Ele pagou seu aluguel e fez seu pé de meia tranquilamente com esses filmecos de meia-tigela e foi ganhar seu Oscar de coadjuvante pela sua sublime atuação no irregular “Regras da Vida”, ao lado de Tobey “Spiderman” Maguire.

Pois Caine nos brinda com uma atuação estupenda ao esncarnar o Thomas Fowler do ótimo “O Americano Tranquilo”, de Phillip Noyce. Foi indicado ao Oscar de coadjuvante e merece ganhar o careca douradinho mais uma vez.

Ao seu lado está Brendan Fraser, que vai intercalando papéis sérios com outros que o tornam um astro conhecido por todos os tipos de audiência. Fraser sabe atuar, o que, entre os astros de hoje em dia, é uma raridade.

Há filmes que usam um momento histórico como pano de fundo. Aqui, esse momento histórico, o cenário e os personagens se misturam de uma forma perfeita, de um jeito que essa história, essas situações pertencem aquele espaço e tempo.

A história se passa no fim da década de 50, quando os franceses perdiam a guerra na Indochina e os americanos, preocupados com o avanço do comunismo resolvem se envolver no conflito. Caine é um repórter inglês que se apaixona por uma nativa e Fraser é um americano que, em missão no Vietnã, se apaixona pela mesma mulher. Com a suavidade de quem acredita que o que está fazendo é uma coisa boa, Fraser vai tomando a mulher de Caine e se enfiando na intrincada política local.

O filme teve uma versão em 1958, dirigida por Joseph L. Mankiewicz que ficou famosa por ter deixado o autor do livro que deu origem ao filme, Graham Greene, irritadíssimo. O principal motivo disso foi o fato de Mankiewicz ter tomado partido e colocado Fowler (o personagem que agora é de Michael Caine) como um vilão invejoso.

O filme de Noyce não cai nesse maniqueísmo típico daquele tempo. Maniqueísmo que os EUA tentam trazer de volta, já que a Miramax quase arquivou o filme, na onda das campanhas militares americanas. Em uma palavra: filmaço.

Sugestão de leitura

4/03/03

Quem tiver tempo precisa ler a reportagem da “Esquire” deste mês em que um consultor mostra o mapa do mundo e os “potenciais problemas” que os Estados Unidos podem ter com cada país. Brasil e Argentina estão lá com seus problemas econômicos, sua agenda pro-mercosul e, claro, como a Floresta Amazônica é um problema com o qual “o mundo precisa se preocupar”. Nós sabemos bem quem é esse “mundo”, né?.

Na “The Economist”, um grupo de artigos fala dos problemas brasileiros e faz a pergunta “Por que diabos o Brasil não é rico como os Estados Unidos?”. Alguém se arrisca a responder?

Cantores de banheiro, dançarinos de casamento

4/03/03

Escrevi tanto sobre os outros e vou falar pouco sobre o delicioso “Chicago”. Em essência, sofre com as decisões de escalar atores conhecidos, mas que não sabem cantar nem dançar ou, se sabem, não são topo de linha no assunto, cantores de banheiro no máximo, dançarinos de valsa de debutante.

Isso fica claro nas cenas de Renee Zelwegger, Catherine Zeta Jones e Richard Gere. É o vício de Hollywood de escalar estrelas onde deveriam estar atores. É um tal de plano médio, para mostrar o ator e, na hora de mostrar uma manobra mais complicada, close pro dublê. Me deixou um pouco irritado, confesso.

Mas o filme é ruim? Claro que não. Todos estão dando o máximo de si (o que nem sempre é o bastante…). “Chicago” é divertidíssimo, mas é que, quem viu um musical desses na Broadway, sabe a diferença.

“Não vou me adaptar, não vou…”

4/03/03

Depois de ter visto “Quero Ser John Malkovitch” não dava para esperar normalidade deste filme. Por coincidência, “Adaptação” tem alguns temas parecidos com “As Horas” e também traz Meryl Streep. Mas embora “Adaptação” seja um filme inteligente, cheio de boas iéias e com uma ironia saborosa para quem curte cinema e os cacoetes dos proverbiais filmes idiotas feitos a toque de caixa, é até maldade compará-lo com “As Horas”, que eu vi logo antes.

Para começar, embora o filme trate de um roteirista tentando adaptar um livro para transformá-lo em um filme, a adaptação do título tem múltiplas interpretações e passa pela idéia de adaptar-se melhor à vida, aos obstáculos, já que o roteirista escreve sem nunca sair de casa, sem se relacionar com o mundo exterior, baseando seus conhecimentos em livros. Há uma mensagem edificante por trás, que mais parece uma piada do diretor, mas, seguindo o ritmo de farsa, é uma mensagem legítima.

Outra graça de “Adaptação” é o seu expediente quase maldoso de inocular no próprio roteiro os truques dos quais vai falando. Assim, surgem os irmãos gêmeos, as perseguições, o final edificante e redentor, a cena em que os personagens cantam etc. etc. Tenho o palpite de que, se você não for fã de cinema, não vai pegar a piada direito e vai achar o filme um lixo. Posso imaginar até gente contando esse filme de uma forma literal, como se ele fosse para ser lido desta forma. Oh, céus…

As Horas

4/03/03

Há filmes que são tão sublimes que deixam você em um estado emocional diferente. A música, as atuações a edição, são de uma densidade e sofisticação tão flagrantes que você vai sendo aliciado, dominado, cooptado. “As Horas” traduz tudo isso perfeitamente.

O filme conta as histórias de três mulheres, uma delas Virginia Woolf, a autora do romance “Mrs. Dalloway”, que influencia as vidas das outras duas protagonistas. O filme avança e você vai percebendo as ligações entre os personagens e como cada delicada decisão de cada um deles vai mudando os futuros e os presentes dos outros. Quando Woolf decide mudar o rumo de “Mrs Dalloway”, está, sutilmente, mudando as vidas das mulheres que, décadas depois, vão ler seu livro e ser tocadas por seu significado. É uma poderosa homenagem ao peso que a arte pode ter sobre as vidas das pessoas e como ela pode eternizar alguém. É também um tributo à vida, não somente no sentido de continuar vivendo, mas no de ser capaz de encarar a dor e a dificuldade de uma mudança radical, de escolher viver.

Ano retrasado, eu vi Billy Elliot e falei aqui mesmo neste site o quanto gostei do filme. Como o diretor ia driblando os clichês e mostrando que entendia do traçado. Stephen Daldry não tem medo de ser emotivo, sabe tirar grandes atuações e tem uma noção ímpar de como contar uma história densa sem perder o controle do seu estilo ao mesmo tempo que não se coloca no caminho da audiência. Eu amei “Chicago” pelo sabor, pelo ritmo, mas não há, entre os filmes candidatos ao Oscar, nada mais carregado de beleza do que “As Horas”. Perfeito.