Arquivo de 03/2003

Uma questão de (mau) gosto

31/03/03

A boa cobertura do UOL sobre a guerra do Iraque rende uma daquelas frases infelizes em um dos serviços oferecidos. “Passeie por Bagdá” (!) mostra para você fotos de satélite da destruição que assola a cidade.

Sim. “Passeie”. Do Aurélio: “O percurso de certa extensão de caminho, para exercício ou por divertimento.”

Fala sério.

Claro, só pode ser!!!

31/03/03

Segundo o Weekly World News (via Yahoo News, via CrisDias), um cara ganhou US$ 350 milhões na bolsa e, quando foi pego para explicar como conseguiu ganhar tanto dinheiro, deu a explicação mais óbvia: ele é um viajante do ano 2256. :-o

Claro. Como não?

Sen-sa-cio-nal.

De vozes e lembranças gravadas

29/03/03

Quando eu era moleque –Molequinho mesmo, porque meu pai e o meu irmão mais velho estavam vivos ainda e eu os perdi em 1982 (uns dias antes de eu fazer 10 anos) e 85 (aos 13), respectivamente– uma das minhas diversões era ficar registrando as nossas vozes em um daqueles gravadores velhos.

Passávamos tardes brincando de fazer esquetes humorísticos. A mesma coisa que íamos fazer depois com câmeras de vídeo nos anos 80. Meu pai, minha irmã (pirralhinha com seus dois ou três anos), meus irmãos, todo mundo ficava brincando e falando besteiras.

Legal, legal. Mas eu não tenho nenhuma dessas fitas. Eu só lembro de como era a voz do meu pai e do meu irmão, não tenho mais nenhum registro porque essas fitas se perderam, o som se foi, se estragaram. Nem vou entrar no sentimentalismo de dizer o quanto isso me frustra. Eu só fui ter acesso a uma câmera de vídeo depois da morte deles, então também não tenho nenhum registro deles em vídeo. E eu queria muito ter.

Ah sim. Tenho fotos. Muitas. Meu pai era um cara bonitão, foi se descuidando, fumava demais, tinha problemas demais e em algum momento decidiu que não valia a pena se cuidar, queria fumar e comer o quanto lhe desse vontade. Morreu dormindo em uma madrugada de julho de 1982. Alguns dias depois da derrota do Brasil para a Itália de Paolo Rossi.

Meu irmão morreu de um jeito mais estúpido. Ele usava uma moto pequena, uma 125 cilindradas, para se locomover nos tempos em que a Ilha do Governador era assolada por engarrafamentos homéricos. Pois um dia ele foi cortado por um maluco no viaduto da perimetral e bateu em um carro enguiçado. Era pra ser um tombo se ele, mesmo usando capacete, como manda o figurino, não tivesse sofrido uma lesão cerebral improvável e morresse dias depois.

E daí, meu filho?

E daí que o que você pode enxergar como uma baboseira emotiva serve para colocar em perspectiva a forma como certos objetos inanimados ganham valor. Quanto custa uma fita cassete? Uns R$ 5? R$ 1 no camelô? Quanto custa uma fita com a voz de seu ente querido que se foi?

Sim. Mas você viu que, mesmo tendo gravado fitas com meu pai e meu irmão eu perdi o material. E se eu já pudesse colocar tudo em um CD naqueles tempos?

Essa volta toda tem a ver com eu ter comprado um mini disc player e recorder da Sony na minha última viagem. É uma maquininha esperta, que grava MP3 direto do seu HD, copia canções de um CD de música e, usando uma saída mic e registra voz. Você vai dizer que eu sou maluco, mas quando eu vi isso, imediatamente pensei que poderia armazenar minhas entrevistas em CDs que eu queimaria em meu computador. Nada das fitas que vão perdendo a qualidade, os graves e agudos ao longo dos anos.

Eu lembrei da fita de uma tarde distante lá por volta de 1979 ou 1980 em que eu brinquei justo com meu pai e meu irmão e de como eu lembro com detalhes de passagens dessa fita mas não a tenho mais. Pensei em como seria tê-la para sempre. Fui lá e comprei o maldito aparelho.

Só que o MD Player é travado. Isso significa que eu não posso descarregar minhas gravações no meu HD. Sério. Não posso. A Sony se encarregou de tirar esse direito básico de seus compradores. Essas megacorporações estão indo longe demais.

Quando eu gravo imagens com a minha câmera de vídeo digital (eu eu me esmerei em ter imagens de quase todo mundo que eu amo registradas), ninguém me proíbe de manipular o seu conteúdo. Então, só porque as gravadoras estão fazendo um lobby forte, em uma espécie de canto do cisne de gigante moribundo se debatendo, um equipamento que lida com música, mas, antes de tudo, com som, chega travado na casa do seu usuário?

Então, amigos hackers de crackers de todo o mundo, destruam essa maldita trava dos Sony NET MD.

Isso é muito bom!!

29/03/03

O cara deixa John Travolta no chinelo.

Essa eu recebi por e-mail e não resisti…

29/03/03

Usando o ritmo da música “Já Sei Namorar” dos Tribalistas…

JÁ SEI GUERREAR
Os belicistas - (W. Bush, Collin Powell, Donald)

Já sei guerrear,
Já sei armar o míssil agora só me falta atirar

Já sei invadir
Já sei peitar a ONU agora só me falta explodir

Não tenho paciência pra negociação
Eu tenho é mania de perseguição
Não ouço ninguém, acuso todo mundo o Bin Laden e o Hussein
Não livro ninguém, exploro todo mundo acho que o mundo é meu também

Já sei derrubar
Já sei jogar a bomba na tua base militar
Eu sou o juiz, e não tô nem aí pra tantas vidas de civis

Peguei experiência com o Afeganistão
Se antes eu falhei, agora num erro não.
Não ouço ninguém, até o Collin Powell tá igual a mim também
Não livro ninguém, primeiro o petróleo depois Amazônia também

Eu to querendo, Sadan Hussein
Eu to querendo, tudo o que tiver
To te querendo, não tem pra ninguém
To te querendo, petróleo do Hussein…

Chega de Michael Moore!!!

27/03/03

Ok, mais uma do Michael Moore. Prometo ficar uma semana sem falar no cara.

Aí vão trechos da entrevista que ele cedeu à revista “Entertainment Weekly”:

Você já sabia o que ia dizer quando subiu no palco?
Eu senti que tinha que dizer algo sobre Bush e a guerra. Não era inadequado, porque é sobre isso que meu filme fala. A cultura americana de violência e como somos um povo tão violento. É sobre porque e como o nosso governo nos manipula com o medo para seguir com seus planos e conseguir dinheiro para a guerra. Então, eu pensei que o que quer que eu dissesse se eu vencesse deveria ser dentro dessa linha, porque seria apropriado ao tema do filme.

Você recebeu aplausos de pé quando subiu ao palco e, quando começou seu discurso recebeu vaias. Ficou surpreso?
Foram dois grupos diferentes de pessoas. Você pode olhar no videoteipe. Ninguém está me vaiando no piso principal. Você acha que o pessoal de Hollywood chega a ser tão traiçoeiro a ponto de eu ser o primeiro premiado a ser aplaudido de pé e, 10 segundos depois, eles mudam de idéia? As mesmas pessoas que votaram neste filme?

O que você acha das pessoas que vaiaram você?
Não é por isso que esse país é grande? Todos podem falar o que quiserem. É desconcertante que eu tenha 45 segundos de discurso e existam aqueles que tentem me negar o direito de falar. Quem ficou mal foi exatamente quem me negou aquele tempo. O diretor do Oscar disse a todos os indicados que aqueles seriam seus 45 segundos e que eles poderiam fazer o que quisessem. Não fomos ameaçados nem obrigados a seguir nenhum tipo de roteiro.

Você considerou uma versão alternativa?
O outro caminho que eu poderia ter seguido seria “nós ensinamos as crianças de Columbine uma lição importante esta semana - que a violência é um método aceitável de resolver um conflito”. Isso me incomoda muito. Em alguns momentos, a violência pode mesmo ser necessária, mas que nome você dá a essa invasão do Iraque? Se você começasse a perguntar ao acaso às pessoas na rua “Você acredita que Saddam Hussein vai matar você este mês?” Eles diriam “sim”? A maior parte das pessoas cresceu com certos valores judaico-cristãos que dizem que você não tem o direito de matar outra pessoa a não ser em defesa de sua própria vida. Eu tenho crenças muito fortes a esse respeito e como eu poderia deixar de ser a pessoa que eu sou por que entrei no Kodak Theatre? Da mesma forma, respeito muito quando sou convidado à casa de alguém. Fui criado assim. Então, eu coloquei um smoking, não usei o meu boné de beisebol, disse o que minha consciência me mandou dizer de uma forma apropriada à mensagem do meu filme. Não seria errado se eu subisse lá e ficasse agradecendo ao meu agente, meu advogado e o designer que me deu meu smoking? E como eu poderia me olhar no espelho depois?

Qual será seu próximo trabalho?
Um filme que deverá se chamar “Fahrenheit 9/11″. É sobre o país desde o 11 de setembro e como eu acho que a administração Bush usou esse evento para camuflar políticas que não buscam satisfazer os interesses do povo americano. É sobre o que levou ao 11 de setembro e o que aconteceu desde então. Eu moro em Nova York, então fomos todos afetados por isso e eu não superei ainda. Conheço gente que estava em um dos vôos e o bombeiro de nosso quarteirão. Então, eu não quero que as lições importantes que temos que aprender com isso se percam. Eu certamente não gosto de ver as pessoas que morreram naquele dia sendo desonradas e usadas para que sejam aprovadas leis que forçam os bibliotecários a divulgar suas listas de leitura.

A minha mana colocou outra entrevista do Moore (direto do 02 Neurônio)

Eu estava indo bem…

27/03/03

Depois da confusão que foi a briga com o meu antigo serviço de hospedagem eu respirei fundo e recomecei tudo do zero por aqui (do zero não, o primeiro ano deste blog ainda existe).

Mas aí vem o fechamento, a exaustão, a correria e em pouco tempo minha produção diminui.

Nas minhas leituras paralelas, adicionei o livro do Rubens Ewald Filho sobre o Oscar. Tem gente que ama o Rubens, tem gente que odeia o homem, mas eu só tenho motivos pra gostar dele.

Quando eu era bem moleque, ele era meio guruzão e lançava uma série de guias em uma revista que não existe mais chamada “Video News”. Eu comprei tudo quanto era guia (inclusive, e principalmente, os de filmes pornôgráficos) e ia lendo como se fossem livros. Assim, até hoje há dezenas de filmes que eu nunca vi, mas que, ao ouvir o nome, sei o enredo básico. Pior. Eu vejo um filme por apenas alguns segundos e, mesmo que eu nunca o tenha visto, consigo dizer que filme é aquele. Claro que tem que ser um filme mais conhecido, com alguns atores relativamente famosos. Mas já ganhei muitas apostas assim.

O novo livro chama-se “O Oscar e Eu”. É irregular, e a culpa disso é o próprio jeito como foi feito, com diversas participações especiais, que são textos de amigos do Rubens. Mas é muito interessante, cheio de causos saborosos, e honesto, no estilo do autor. Ele fez a toque de caixa e terminou de escrevê-lo na madrugada após a cerimônia do Oscar. É do tipo que você começa a ler e vai embora sem sentir.

Escapismo

24/03/03

Para escapar dessa bagunça toda, só mesmo fugindo para um mundo em que eu teria tempo para ler todos os ótimos livros, DVDs e gibis que eu tenho acumulados em meu armário.

Estou lendo em doses homeopáticas “Deuses Americanos”, livro do Neil Gaiman que me surpreendeu. Eu nunca fui um fã fervoroso do Sandman, que muita gente acha ser a melhor coisa que ele já fez. Acho uma obra seriada de ficção de boa qualidade, mas não fico horas discutindo empolgadíssimo e não absorvi a mitologia dos personagens fantásticos que ele estabeleceu.

Em “Deuses”, Gaiman conta a história de um ex-presidiário que se vê caminhando ao lado de divindades que, depois de perderem seus seguidores, vivem existências sem sentido. A narrativa e a prosa do autor são fascinantes. Fui capturado pelo livro.

Ontem, me senti mal e fiquei em casa vendo vários episódios seguidos do segundo ano de “Alias”. Tenho tudo que já passou nos EUA até a semana passada (ep 18.) e tinha parado de ver no quinto episódio. A série já começou a ter seu segundo ano exibido no AXN e estreou na TV aberta no SBT, com dublagem da minha amiga Fernanda.

Mas ontem foi um dia atípico. Como eu disse, passei mal, Mônica etava de plantão, choveu… Em outros momentos, é difícil me dedicar a esses prazeres menores.

Só um esclarecimento…

24/03/03

Esse weblog não é uma página anti-guerra, pacifista, anti-bush nem nada parecido. So fosse, já seria um bom motivo para estar aqui, mas não é o caso.

Como todo weblog, Meninos, Eu Vi, Ouvi e Li apenas é o repositório das baboseiras que eu vou pensando (e escrevendo, claro) sobre o mundo.

Assim, eu leio um livro, vejo um filme, ouço uma música, testemunho um fato interessante, fico indignado e vou escrevendo sobre todas essas coisas.

Olhando para cá hoje e notando que não tenho arquivos de textos anteriores, por exemplo, dá aquela sensação de que o weblog é novo. Na verdade, o Meninos já tem mais de dois anos, mas foi vítima de um problema com um provedor desonesto. Por conta disso, grande parte dos textos do último ano se perdeu. Eu recuperei alguns desses textos em backups antigos e vou colocá-los no ar em breve.

Se você quiser saber o que aconteceu no primeiro ano de Meninos, Eu Vi… veja aqui.

A vida segue

23/03/03

Bom, agora eu separei o weblog do domínio. Então, quando você quiser ler essas baboseiras que eu escrevo comentando um pouco de tudo venha direto para www.alexmaron.com.br/weblog.

No domínio, digamos, raiz (alexmaron.com.br), eu vou colocar mais coisas. Aos pouquinhos que ninguém é de ferro.