Domingo, 2 de fevereiro de 2003
No Oscar, existe a categoria Melhor Documentário. Se há um filme que mereceria vencê-la este ano, chama-se “Bowling for Columbine” (algo como “Jogando Boliche por Columbine”), de Michael Moore (veja o site dele).
Moore é um documentarista ácido. Ele desanca as grandes corporações e o desdém dos ricos em relação aos pobres. Uma de suas especialidades é fazer esses ricos passarem por situações constrangedoras. Nem precisava mais do que isso para se tornar meu ídolo.
No filme, ele usa como base a tragédia da escola Columbine (em que dois garotos mataram 12 adolescentes e um professor e depois se mataram) para discutir o que torna os Estados Unidos um país tão violento. Seria o rock and roll, os videogames violentos, a TV, os filmes, a pobreza ou simplesmente o hábito de jogar boliche?
Ao longo do brilhante trabalho de Moore, ele conta um pouco da história dos Estados Unidos, de outros países (mostrando como outros países com passado violento têm taxas de homicídios por armas de fogo infinitamente menores do que os EUA)e coloca ícones do showbiz em situações complicadas. Moore não se furta de fazer perguntas difíceis a quem quer que seja. Ele coloca Dick Clark, Charlton Heston e até mesmo os diretores do magazine K-Mart em verdadeiras saias justas.
O filme passou por aqui no ano passado durante o Festival de Cinema BR(ganhou o prêmio do público) e venceu outros festivais por todo o mundo. Não deixe de ver. É, um dos melhores documentários que eu já vi, ao lado de “Ônibus 174″, “Santo Forte” e “Edifício Master”. Aliás, foi o primeiro documentário selecionado para a mostra competitiva do Festival de Cannes em 46 anos (e ganhou o prêmio especial do júri). Alias 2, foi considerado o melhor documentário de todos os tempos pela Associação Internacional de Documentários (conta a BBC).
Eu pedi um Oscar para Moore, mas acho que ele ser premiado é difícil. Imagino aqueles conservadores insuportáveis da academia tendo calafrios ao imaginar aquele maluco fazendo um discurso ao vivo para um bilhão de pessoas em todo o mundo. Nem pensar.
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