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Seja bem-vindo. Este é o blog do jornalista Alexandre Maron. Aqui você vai encontrar textos sobre assuntos que vão de cultura pop a política, de religião a video games. Há também meu histórico profissional e meu portfolio. Conheça meus outros projetos.

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Eu ricomêindo!!

O CrisDias levantou a bola do conto do Cory Doctorow, que eu tenho acompanhado com algum interesse, e me obriga a me pronunciar também. A Salon tem duas histórias curtas do cara, 0wnz0red e Liberation spectrum.

O Docotorow é canadense de Toronto e tem 31 anos. Escreve contos desde a adolescência e vem de uma família de pais professores. O cara foi exposto a tecnologia desde sua infância e sua vida é povoada por esses referenciais. Mais ou menos como grande parte da minha geração que cresceu junto com computadores. Meu primeiro computador não era meu, era um TK-85 (aquela coisa horrorosa com tecladinho de pastilha de borracha) e a gente passava tardes inteiras querendo entender o que diabos podia fazer com o Basic. Gente como nós tem uma caligrafia horrível (sim, o que é uma impossibilidade. então digamos que minha letra manuscrita é horrorosa), porque usou muito mais o teclado do que o lápis ou a caneta. ou seja, ele é um legítimo representante da galera geek que está na casa dos 30 anos. Pro melhor e pro pior. Ele consumiu um pacote básico de cultura pop que esse grupo tem em comum e cita a cultura clássica daquele jeito meio sacana de quem respeita, mas não reverencia enlouquecidamente. Sabe que os clássicos são necessários para que os jovens não fiquem tentando reinventar a roda a cada semana, mas não está preso neles. Raciocina em cima do que dizem e questiona, remodela, inverte expectativas.

Uma das coisas mais cansativas que se vê, inclusive em blogs por aí, é gente que leu alguns livros considerados clássicos e fica repetindo seus nomes como mantras apenas pra dizer que os leu. Uma típica iconografia “novo-rico” pra dizer “olha como eu sou inteligente, eu li Sartre e Kant.” Pois o delicioso deste grupo cultural ao qual Doctorow pertence é o fato de que eles leram tudo isso também, mas com o tesão de quem está chegando agora, os reprocessam, constróem conhecimento em vez de ficar repetindo aos sete ventos o que todo mundo já sabe. E muitas vezes nem precisam dizer que já leram os livros. Quem ama o conhecimento, o ama e pronto. Não precisa recitar aos sete ventos e ser tão pedante e cansativo.

Mas voltando da digressão, “0wnz0red”, por exemplo, conta a história de programadores que se envolvem em um projeto do governo de abrir o código fonte do cérebro e alterar o funcionamento do corpo humano, tomar o controle.

O interessante do trabalho de Docotorow é que a idéia não é nova e já surgiu em diversos lugares. Mas o forte do autor ele tê-la colocado a serviço de uma prosa suja, contemporânea, que usa as corruptelas que os hackers e chatters (a galerinha que vive nas salas de bate papo) adoram.

Como ele é o querididinho do momento na sci-fi contemporânea, deve ter alguma coisa mais cedo ou mais tarde publicada por aqui pela Conrad, que sempre está antenada nesses movimentos.


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