O homem estava lá, sim, e era ótimo

Irmãos Coen = filme bom

Disso eu não tenho dúvida. Eu não comento fotografia boa de filme preto e branco, porque isso hoje em dia é obrigação que seja muito boa. Quando não é é que merece comentário..

Eu comento a soberba direção de atores. Todo mundo em forma, entregue e concentrado. Não há um piscar de olhor, um tom de voz, um franzir de sobrancelhas fora do lugar. E olha que eu não suporto o Billy Bob Thornton, mas tenho que reconhecer a concentração dele. Uma coisa é diferente da outra, afinal.

O roteiro é, como diz um amigo meu, de ajoelhar e rezar. A história ignora cânones batidos, segue em frente com vida própria e leva você pelas mãos. Sem excessos, sem gordura, mas sem ficar se guiando pelos truques sujos e batidos dos roteiristas americanos.

E o protagonista é o típico mané que os irmãos Coen adoram. Um cara médio, ignorante e perdedor tentando dar o grande salto ou o grande golpe na vida. Não tenta nem queira saber a história. Deixe os irmãos Coen surpreenderem você. Vá ao cinema antes que saia de cartaz.

Sete idéias para salvar a NASA

Go Somewhere!

Seven ideas that will correct NASA’s trajectory and get Americans to love the space program again

1. Send astronauts to Mars
2. complete the international space station at a reasonable price
3. let private companies reign between earth and the moon
4. Build a next-gen space shuttle
5. Celebrate human achievement
6. Don’t focus too narrowly
7. Promote national security

A Popular Science acha que pode resolver os problemas da NASA com essas sete idéias expostas em um artigo engraçado da edição de março. Boa sorte…

Militar diz que é gay, mas ninguém acredita

Um militar que se diz bissexual quer deixar as forças armadas dos Estados Unidos porque tem medo que o acusem de conduta desonrosa (isso é crime para os militares). Mas ninguém acredita nele.

Antigamente, as pessoas diziam que um cara era gay e ele, desesperado, afirmava categoricamente que não. Hoje em dia, tudo mudou.

Leia na Salon, em inglês.

‘No futuro, os humanos poderão se digitalizar’, diz filósofo

“Como serão os humanos do futuro? As pessoas fazem essa pergunta todos os dias, mas não imaginam que as respostas podem soar estranhas e até desagradáveis para quem curte o contato com a natureza e dá valor à raízes animistas da humanidade. Sim, porque para uma corrente crescente de filósofos, cientistas e especialistas em tecnologia, no futuro, o ser humano poderá cortar definitivamente seus laços com a vida biológica.

O professor Nick Bostron ensina filosofia da ciência na Universidade de Yale, e lança em abril o livro Anthropic Bias: Observation Selection Effects in Science and Philosophy (Routledge, New York, 2002). Ele se interessa pelos próximos passos evolutivos da humanidade e em como poderemos usar a tecnologia para vencer as limitações biológicas e nos tornar virtualmente imortais.”

Leia a entrevista que eu fiz com este cara bacana no Idearo.

Quase esqueci “Coração de Cavaleiro”

Eu devia ter visto esse filme no cinema. É tão bobo quanto os que eu via na década de 80, mas tem uma despretensão que faz a diferença.

Sim, porque eu vi um outro filme chamado “Limite Vertical” que me lembrou os filmes dos anos 80 pelo que eles tinham de ruim. “Coração” me traz as boas lembranças.

A história é de uma simplicidade atroz. Um escudeiro vê morrer seu mestre, um cavaleiro decadente, e resolve tomar o seu lugar. Como ele vence, tem a idéia de fingir ser um cavaleiro e entrar no lucrativo circuito das justas, aquelas batalhas medievais travadas com aquelas lanças bacanas.

Se você viu dois filmes na vida, já sabe tudo o que vai acontecer. Ele vai conhecer uma mulher e vai se apaixonar, vai aparecer um cavaleiro malvado que tentará desbancá-lo, obviamente com trapaças. E alguém vai descobrir a farsa do herói que. não importa o que aconteça, terá a chance de um duelo final com o vilão no qual lutará ferido por algum novo estratagema podre do inimigo.

E daí? Essa simplicidade torna o filme bobinho ainda mais palatável. Você desliga o cérebro e curte até o jeito idiota que eles arrumaram de colocar um merchandising da Nike em um filme medieval. Depois, esquece tudo. Do mesmo jeito que eu já ia esquecendo de falar desse filme.

Mais “Will & Grace”

Quem curte “Will & Grace” pode comemorar, porque a série foi renovada por mais três anos pela rede NBC, dos Estados Unidos.

A série mostra um advogado gay e sua amiga decoradora, mas tem seus grandes momentos justamente no casal de coadjuvantes. A dupla secundária é formada pelo escandaloso Jack, amigo de Will, e a fútil e esnobe Karen, a secretária de Grace.

Os dois atores são tão engraçados que a série deveria se chamar “Will, Grace, Karen e Jack”.

Kevin Mitnick em “Alias”

No episódio desta semana de “Alias” (AXN, quinta, 21h) o cracker Kevin Mitnick, que está em liberdade condicional, faz uma participação especial.

Ele faz um especialista em computadores que trabalha para a CIA e, por tabela, auxilia Sidney. Não fala quase nada, mas funciona como curiosidade. Nos próximos episódios, a série trará ainda Roger Moore e Quentin Tarantino em participações especiais.

Mitnick foi preso depois de causar milhões de dólares em prejuízos ao ser responsável por diversos tipos de fraudes tanto envolvendo empresas privadas quanto o próprio governo dos Estados Unidos. Como os americanos adoram lendas e exageros, o cara virou um mito, um herói. Se você for ler algum livro sério sobre o assunto, vai perceber que as atividades dos crackers são apenas uma variantes dos golpes de sempre. Nada demais.

Aliás, um bom livro grátis para quem entende inglês chama-se “The Hacker Crackdown”, de Bruce Sterling, disponível em versão HTML ou pegue o arquivo zipado na barrinha amarela à direita.

Filme de detetive de Altman tem um toque de meste

No cinema, fiz sessão dupla ontem. Vi “Assassinato em Gosford Park” e “Uma Mente Brilhante”.

O primeiro, de Robert Altman, mostra uma reunião de ingleses decadentes na mansão de um velho milionário na década de 30. A graça está na forma como o diretor Robert Altman mostra os bastidores da criadagem e em como esses bastidores serão a chave para desvendar o assassinato que acontece no meio do filme.

Os filmes de Altman, no entanto, são lentos para quem gosta da ação (dramática ou física) ininterrupta e dos roteiros precisos em que tudo tem um motivo. Fala-se muito e sobre tudo, o tom de crítica permeia toda a narrativa, mas o curioso é que em Gosford Park, cada fofoca pode levar à solução do caso. E, claro, não será a polícia, servil e também fissurada no glamour dos mais ricos, que será capaz de solucionar o caso.

Fuja de “Dr. T e as Mulheres”, assista “Assasinato em Gosford Park” no cinema e, a caminho de casa, pegue no videoclube “O Jogador” e “Short Cuts”, que são ótimos também.

Depois, na sessão da meia-noite, assisti à “Uma Mente Brilhante”. Menos brilhante do que Altman, o diretor Ron Howard faz um filme interessante, mas que trapaceia você, crédulo espectador.

Vale por Russel Crowe, que foi premiado com o Globo de Ouro de melhor ator por seu desempenho técnico e concentradíssimo, e pela deslumbrante Jenniffer Connelly, também premiada com o Globo de Ouro de melhor atriz.

Basicamente, o filme segue a cartilha de uma boa biografia. Mostra John Nash, um matemático brilhante que desenvolve uma teoria que mudaria todo o pensamento econômico da segunda metade do século. Acontece que Nash é esquizofrênico e sofrerá muito para enfrentar a doença e recuperar sua dignidade.

É aquela coisa de sempre, bem edificante e fazendo a mitificação do gênio e do ambiente acadêmico das universidades americanas. Lá, os filmes mostram, é um Olimpo de gênios inatingíveis que respiram teorias que vão mudar o mundo. Então, intoxicado por isso, o roteirista vai te encher de analogias entre o mundo real e as mais complexas teorias matemáticas. Só para te dar aquele delicioso sentimento de assombro. É truque, mas e daí? O que importa é que funciona.

É um vício de filme americano. Se a história é sobre um escritor, o ato de datilografar uma página vira algo zen, mágico. Quando o filme é sobre golfe, dá-lhe discussões filosóficas complexas sobre o tal esporte. Se é sobre boxe, futebol, tênis, artes marciais e até as cheerleaders vai ser a mesma coisa. O roteirita vai transformar aquilo em algo zen, mitificado, cheio de platitudes. Dê um desconto e divirta-se.

“Queridinhos da América” é flácido

Comédia romântica que não tem romance nem graça. Filminho frouxo, sem coesão da história, dos diálogos. Eu tinha ouvido falarem mal, mas não sabia que “Queridinhos da América” era tão fraco.

A história: um casal de estrelas (Catherine Zeta Jones e John Cusack) do cinema se separa e todos os seus filmes separados vão fracassando. O estúdio está em crise e vai lançar o último filme da dupla. O chefão chama um relações públicas e manda ele dar um jeito de juntar o casal para a premiere com a imprensa. A irmã da tal estrela mimada e irritante é Julia Roberts, então você já sabe que o romance mesmo vai ser entre ela e o ex-marido da irmã.

Em resumo, a idéia boa se perde em estrelas sem nenhuma química, já que Julia Roberts e John Cusack não foram feitos um pro outro e Billy Crystal tenta ser engraçado, mas só arranca sorrisos amarelos. O que me consola é que eu peguei o filme como promoção do videoclube, levei quatro e paguei dois. Ufa!

Se arrastando?

Pode me chamar de nerd chato. Eu não noto erros de continuidade em filmes, nem falhas. Não fico reparando se o coadjuvante tal é de um seriado ou de um filme que eu vi há dez anos. Sou uma pessoa que assiste aos filmes com atenção. Eu presto atenção em figurinos, na direção, na atuação, nos diálogos (que estão muitos fracos nos filmes das últimas duas décadas), mas não costumo catar piolho, não é o meu estilo. Eu só noto algo estranho quando está muito gritante.

Depois de dizer isso, tenho que perguntar, por que diabos os caras da Columbia insistem em mostrar o Homem-Aranha em uma posição ridícula, que não tem nada a ver com as representações do personagem em gibis e desenhos animados nos últimos 40 anos?

Cara, são as pontas dos dedos dele que colam nas paredes e não o joelho. Então por que diabos todas vez que aparece uma foto desse maldito modelo vestido de Homem-Aranha ele está se arrastando pelos cenários?

Isso não tem nada a ver com purismo e sim com fazer a coisa direito. Como o modelo posa em um cenário feito no chão, está deitado e não simulando ser o Homem-Aranha. O editor e o diretor dessas sessões de fotos é que são meio otários e ainda não sacaram isso. Você não vai ver o personagem nessa pose em nenhum lugar, só nesses pôsteres meia boca da Columbia. Que saco.