9561047
Existenz pergunta qual � a diferen�a entre real e imagin�rio?
Quando eu vi “Matrix” em uma cabine para jornalistas em 1999, fiquei boquiaberto. O que me deixou mais eletrizado foi que os diretores fizeram um filme complexo sem deixar de fazer contato com o p�blico e ganhar muito dinheiro.
“Matrix” pode ser um filme de a��o, mas pode tamb�m funcionar como uma releitura e um resultado turbinado do nosso tempo. Parafraseando os Tit�s, “tudo ao mesmo tempo agora” (pronto, usei a frase uma vez na vida, gastei meu cartucho).
� a��o, aventura, filosofia, uma reconstru��o do mito do her�i, do messias e uma discuss�o rica sobre o mito da caverna. O que mais voc� pode querer de um filme mainstream? Diga “uma trilha sonora matadora”.
Pois tendo tudo e nada a ver com “Matrix” existe “Existenz”, dirigido e escrito por David Cronenberg.
“Existenz” foi lan�ado no mesmo ano que o filme dos irm�os Wachowski, mas foi pouco visto. O interessante � que � parte integrante da obra de Cronenberg, respons�vel por p�rolas como “Videodrome” e “Crash”. Ali�s, depois de ver “Crash”, “”Existenz” parecia um passo natural.
Vejamos, em um futuro n�o muito distante, uma empresa testa um jogo de realidade virtual chamado Existenz. Pois durante os testes, a criadora do jogo sofre um atentado e foge junto com um seguran�a do evento. O atentado vem de um grupo de ativistas pr�-realidade, que se irritam com a tentativa de criar simula��es e mundos virtuais.
Como sempre nos filmes de Cronenberg os detalhes visuais s�o escatol�gicos e criativos. O videogame � uma esp�cie de ser criado por engenharia gen�tica que entra em uma rela��o de simbiose com seu usu�rio. Simplificando, para jogar, voc� liga uma esp�cie de cord�o umbilical do jogo � sua coluna vertebral. E o, digamos, “console” n�o usa baterias, ele usa voc�, consome seus fluidos.
Como em todos os filmes de Cronenberg, partido dessa id�ia, os personagens v�o explorando as possibilidades e os dilemas. E v�o penetrando em realidade virtuais dentro de realidades virtuais ao ponto que n�o sabem mais discernir realidade de simula��o.
� um filme conceito, muito bem orquestrado, e que te faz algumas perguntas. Vale a pena abandonar a realidade? Que garantia que voc� tem de que voc� est� vivendo no mundo real? H� mesmo alguma diferen�a entre realidade e simula��o se ela for perfeita?
N�o responda antes de rever “Matrix” e “Existenz” com olhos atentos.
Related posts: