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Woody Allen sempre � bom, e como trapaceiro � �timo

Acabei de chegar do cinema, uma sess�o de Woody Allen no s�bado � noite � algo a se comemorar. Seus filmes ruins s�o bons e seus filmes bons s�o �timos. Os �timos, s�o perfeitos, se � que voc� me entende. Este, “Trapaceiros”, � dos bons.

Despretensioso, traz Allen comediante rasgado fazendo caras e bocas divertidas como um criminoso que � um verdadeiro fracassado. Ele � t�o inepto como criminoso que seu maior golpe d� errado e, mesmo assim, ele fica rico. A�, rico, n�o consegue pensar em outra coisa que n�o seja fazer um grande roubo para ganhar um dinheiro que ele j� tem.

E, n�o deixe de prestar aten��o na Tracey Ullman. A mulher, enxut�rrima, � �tima atriz. Allen, mesmo em um filme bobinho como este, discute a forma como estamos sempre insatisfeitos com o que temos e como nossos sonhos podem se realizar das formas mais bizarras. Mas n�o vai muito al�m, � subliminarmente inteligente e diretamente divertido. Vale cada centavo do ingresso e o tempo passa bem r�pido.

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O int�rprete faz a diferen�a

Hoje, antes de ir ao cinema, fiquei montando um CDzinho de MP3 para festa. A id�ia � colocar uma sele��o de umas 200 m�sicas que eu acho que cabem em uma festa. Eu crio separado uma pastinha “bregas” para aquele momento em que voc� coloca uma m�sica absolutamente lixo para provocar algu�m, criei uma pasta fim-de-noite, com aquelas musiquinhas mais calminhas e como b�nus “This is the End” do Doors. Coisinhas assim.

No meio disso tudo, dou um duplo clique em uma mp3 com uma vers�o ac�stica de “Fake Plastic Trees” que me gelou a alma. Muita gente n�o entende qual � a gra�a do Radiohead. Letras confusas, um l�der maluc�o e feio e um som que mais parece rock progressivo vers�o 2.0 com bugs. Pois devia ouvir essa vers�o para entender porque Tom Yorke � o rei. Depois, ajoelhar voltado para Meca e rezar para que o Radiohead venha mesmo ao Brasil este ano. O show vai ser sensacional, claro.

A voz carregada de emo��o, as dedilhadas que parecem prontas a quebrar o viol�o, a guitarra, seja l� o que for. No rock atual, eu conhe�o pouca gente capaz de me fazer tremer e ter vontade de correr para um papel anotar id�ias malucas. Radiohead � sensorial, Yorke � um g�nio. Eu sou apenas um s�dito pronto para ouvir o que ele quiser dizer. � muito mais do que eu poderia esperar de um simples grupo de rock and roll. Ainda bem.

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� chato, mas meus �dolos est�o morrendo.

O primeiro grande �dolo que eu tive foi Isaac Asimov, eu amo a diversificad�ssima obra do cara, suas id�ias brilhantes, seus deliciosos livros informativos como “No Mundo dos N�meros” e “No Mundo da �lgebra”.

Depois foi a vez de Carl Sagan morrer. Este ent�o mudou minha forma de ver o mundo de um jeito absolutamente radical. Eu li “Drag�es do �den” quando tinha uns 13 ou 14 anos e tive uma epifania. Nunca mais fui o mesmo. Anos depois, adotei “O Mundo Assombrado Pelos Dem�nios” como meu livro de cabeceira para o qual olho quando as coisas come�am a perder o sentido. E olhe que isso acontece cada vez mais frequentemente. Dei-o de presente para v�rias pessoas ou o recomendei, para tentar espalhar alguma intelig�ncia pelo mundo. Est� dif�cil.

Pois no dia 10 de janeiro de 2002 se foi um �dolo menos intelectual, mas n�o menos influente, o desenuista John Buscema. Eu j� esperava essa not�cia a qualquer momento, porque Buscema tinha c�ncer no est�mago. Mas sempre d�i, sei l�.

Eu descobri os quadrinhos antes mesmo de aprender a ler. Passei por todas as fases poss�veis. Li de tudo, Tio Patinhas, Luluzinha, Recruta Zero e super-her�is Marvel e DC. Hoje leio bem menos, mas sou mais chato e seletivo e procuro sempre coisas diferentes.

Mas descobri Buscema porque ele desenhou Surfista Prateado e Conan!! E, puxa, no in�cio de minha trajet�ria, eu adorava os dois personagens e era um �vido colecionador de “Espada Selvagem de Conan” com o tra�o espetacular do Buscema. Quando eu comprei “How to Draw Comics” era o tra�o de Buscema que dava o rumo da narrativa da Marvel no livro. A obra era o resiltado de sua experi�ncia como professor em uma escola de hist�rias em quadrinhos.

� engra�ado, mas eu s� fui gostar de Kirby quando cresci, Buscema n�o. Seus quadros cheios de drama e movimento eram sempre sensacionais, seu desenho de anatomia, aprimorado durante sua longa jornada em Conan, sempre me impressionaram desde o in�cio. E o que � mais legal, ao contr�rio de Kirby ou Steve Ditko, que sempre pareceram morrer de inveja do sucesso do bom e velho Stan Lee, Buscema tinha aquele jeito de sujeito bacana, que curtia o reconhecimento que conquistou e adorava seus f�s.

Depois de tantos ano de Conan eu parei de ler a revista e nem queria mais ver o personagem na minha frente. Senti, para minha vergonha, um certo cansa�o dos tra�os do bom e velho Buscema. Isso conicidiu com uma escassez de trabalhos seus publicados e logo eu recuperei o assombro ao ver suas p�ginas cheias de dinamismo. Ele foi, ao lado de Jack Kirby, um dos meus grandes �dolos dos quadrinhos, ao lado e Stan Lee, John Byrne, Alan Moore, Frank MIller, John Romitta Jr. e Senior, Neal Adams e o hour concours Will Eisner. Est�o sobrando poucos, espero que eles durem bastante.

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A parte dois, por favor, eu quero!!

Depois de lan�ar “The Dark Knight Strikes Again” nas lojas americanas e causar rebuli�o simplesmente porque a hist�ria � boa pra chuchu, a DC, editora que publica a revista nos Estados Unidos, anunciou que o n�mero dois vai atrasar. Como assim?

O n�mero um � �timo. � uma continua��o digna de sua predecessora. Tem ritmo, narrativa e tens�o para manter voc� tenso pelas 80 p�ginas da obra. S� a cor de Lynn Varley deixa muito a desejar. � seu primeiro trabalho com colora��o por computador. Um amig�o meu que entende do riscado diz que, com boa vontade, o resultado � sofr�vel. Que parece que ela quis dar uma abordagem org�nica ao trabalho digital e manteve mesmo o que dava errado em suas experi�ncias. Para ele, que deve ser f� dela, ficou estranho. Ele pegou leve. Ficou uma droga. Para que eufemismos? Ela quase estraga a revista do marido, cacimba!

E agora, estou aqui esperando o n�mero dois, achando que seis semanas entre uma revista e outra � muito e voc�s v�m me dizer que vai atrasar ainda mais? Por que atrasos em uma revista que est� sendo feita h� mais de um ano e que a DC prometeu s� lan�ar quando soubesse que atrasos como este n�o iriam acontecer? H� algumas possibilidades. A primeira � que, dando mais tempo as lojas fazem mais pedidos, e a editora quer tentar quebrar recordes, principalmente porque “Origins”, a origem do Wolverine, vendeu mais do que “Cavaleiro das Trevas 2″. A segunda possibilidade � que a Lynn Varley esteja refazendo algumas coisas diante do mico do primeiro n�mero, mas a� � esperan�a demais.

Pior, para aumentar meu sofrimento soltam um poster como esse aqui do lado? Assim n�o d�, bionic�o!!!

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“Apocalipse” � brilhante, lindo… Um pesadelo

Eu vi “Apocalipse Now” em uma noite insone uns 12 anos atr�s e diversas de suas imagens ficaram gravadas na minha mente. Os vislumbres do rosto de Brando, o grande, na escurid�o, os soldados tentando surfar em meio a um ataque.

Mas o engra�ado � que a maior parte da hist�ria tinha se perdido em minha mente. Eu s� sabia o argumento, aquele fiapo de umas duas linhas que a gente recita. “O filme conta a hist�ria de um oficia que recebe a miss�o de penetrar fundo na selva para matar um outro oficial americano que enlouqueceu”. N�o mais.

Voltou tudo em um turbilh�o ontem, quando eu vi o filme de novo, com os minutos a mais da vers�o redux.

Mas mais do que nunca, eu era novo demais para entender o filme, se � que o entendi hoje. Minhas posi��es pol�ticas e ideol�gicas mais b�sicas mudaram e o filme ganhou outra leitura para mim.

Primeiro porque n�o se fazem mais filmes como esse. No duro. A coisa mais pr�xima, em um sentido respeitoso, do tom de “Apocalipse Now” foi “Al�m da Linha Vermelha”. Mas vendo “AN” de novo voc� entende porque os filmes de guerra das duas �ltimas d�cadas empalidecem, parecem sombras pop, fast food de isopor. Principalmente porque s�o uma patriotada sem tamanho, sem discuss�o, sem questionamento.

Ent�o “AN” veio para envergonha-los, para humilha-los e mostrar que filmes de guerra deveriam ser daquele jeito.

Mas por que “Apocalipse” � t�o bom? Seria por conta das frases brilhantes, do�das e emblem�ticas? Pelos quadros perfeitos, pelas situa��es que mergulham voc� na loucura dos personagens? Filmes como esse tomam voc� de assalto, eles te conquistam sem questionamentos. Eles s�o bons porque s�o perfeitos, e s�o perfeitos porque s�o feitos de uma forma org�nica, sofrida. S�o resultado de priva��es, de pesadelos e de um amor b�sico ao cinema que transcende os interesses comerciais, os contratos de merchandising e os planos de marketing.

Se eu fizesse algo parecido, ia considerar completa minha miss�o na Terra. Podia morrer em paz.

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Senhor dos An�is, uma vis�o cr�tica

Olha, quando eu leio textos como estes textos que o Tiago Teixeira est� escrevendo sobre “O Senhor dos An�is” eu vejo que tenho mesmo que mudar o tom deste weblog. O texto do Tiago � de um mau humor e ironia que s� o deixam ainda mais engra�ado do que j� �. Por que esse cara n�o escreve pro idearo, p�?

N�o deixe de ler. E, ah, � uma brincadeira, t�? Ele n�o gostou do filme, mas o tom � de galhofa, brincadeirinha, amigo, amigo, bandeira branca.

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Dolly, a ovelha, com artrite

A ovelhinha Dolly, oficialmente o primeiro clone da hist�ria da ci�ncia, essa coisinha boazinha e fofinha aqui do lado, est� com artrite.

A doen�a � comumente associada a velhice tanto de humanos quanto de animais e acontecer em Dolly pode significar o que todos temiam: que os clones envelhe�am mais rapidamente por conta de terem tel�meros menores.

Ah, sim. Os tel�meros, grosseiramente falando, seriam como uma esp�cie de rel�gio interno que a c�lula usa para saber a hora de morrer. Na tese de alguns cientistas, ao usar uma c�lula de uma pessoa de, v� l�, 25 anos para seu clone, voc� cria um beb� cujo material gen�tico j� est� marcado com uma idade mais avan�ada. O efeito mais �bvio seria o envelhecimento.

Mas, e sempre h� um “mas”, pessoas e animais jovens tamb�m podem ter artrite. � raro, mas isso acontece. O problema para os cientistas � que Dolly pode ter tido apenas azar, � claro que isso � dif�cil de acreditar, mas o fato n�o � imposs�vel. A �nica forma de saber isso � com pesquisas e com o aumento da amostragem de clones nos pr�ximos anos. Por enquanto � tudo s� gritaria e especula��o.

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O seq�estrador morre e como ele se vai nossa dignidade

Todo mundo j� sabe. O seq�estrador da filha do Silvio Santos morreu misteriosamente na pris�o. A maioria das pessoas acha que ele foi assassinado pela pr�pria pol�cia, mas isso ainda n�o foi provado.

Um grande parte dessa maioria acha que ele j� foi tarde, que ladr�o tem mais � que morrer mesmo. Ponto. � uma daquelas irracionalidades do senso comum que eu n�o consigo entender.

Como assim? Como eu posso achar isso, querer bandido morto, uma irracionalidade? Deixa eu tentar elaborar isso direito.

A primeira coisa a se dizer � que uma pol�cia e uma sociedade que n�o respeitam os criminosos n�o s�o dignas. Isso � b�sico.

Mas as pessoas acham que n�o. Que os direitos humanos existem s� para criminosos e n�o para as v�timas. � um pensamento t�o �bvio, t�o sedutor, que � f�cil perder o que est� impl�cito.

As leis n�o foram criadas para proteger criminosos, mas para evitar injusti�as contra inocentes. Em um pa�s como o Brasil em 1974, no auge da ditadura militar, se uma pessoa n�o gostasse de voc� e tivesse conex�es com a m�quina assassina do Estado voc� desapareceria sem problemas.

Da mesma forma, como n�o havia legalidade, a justi�a n�o funcionava, qualquer prisioneiro era torturado e at� morto sem que fosse feita nenhuma pergunta. Pais de fam�lia foram mortos pelas for�as militares que eram pagas para proteg�-los.

Quando voc� n�o faz perguntas a uma pol�cia, ela se corrompe infindavelmente e o suposto assassinato do seq�estrador � s� a ponta desse iceberg. � por isso que as pessoas t�m medo de ser paradas pela pol�cia no meio da madrugada. Porque como eles n�o respondem a ningu�m, se n�o gostarem de voc�, ser� seu fim, amigo.

Uma cr�tica comum ao sistema brasileiro � que n�s n�o temos pena de morte. O modelo sempre vai para os Estados Unidos, aquele pa�s bacana onde os direitos civis foram jogados no lixo depois do 11 de setembro do ano passado e no qual, se voc� achar seu vizinho estranho, basta ligar para o FBI e v�-lo desaparecer.

Pois bem, mesmo l� a pena de morte s� existe em alguns estados e h�, nos �ltimos 20 anos, 16 casos de condenados sobre cujos processos pairavam d�vidas de legitimidade. Ele podem ter morrido mesmo sendo inocentes.

Um grande amigo me mandou no outro dia um e-mail dizendo que a pena de morte reduziu no Texas a criminalidade em 63%. Esse mesmo amigo sabe que as estat�sticas s�o torcidas ao bel prazer. Mas quando elas nos favorecem corremos a mostra-las.

Eu tenho duas coisas a dizer sobre o Texas e sua pena capital. A primeira � que, se a estat�stica est� certa, � uma pena que a �nica forma que um Estado do pa�s mais poderoso e rico do mundo s� consiga reduzir sua criminalidade dizimando criminosos, o que mostra mais a falta de recursos da justi�a, da pol�cia e do pr�prio governo para controlar um �ndice que em outras localidades � reduzido de forma menos sangrenta.
A segunda coisa � justamente o questionamento dessa estat�stica. Como eu disse acima, n�meros sabem dan�ar muito bem e podem ser conduzidos melhor que uma parceira de gafieira. Se eu pegar uma queda de criminalidade ligada a uma melhoria sist�mica da pol�cia e das condi��es sociais do Texas e apenas compara-la com o estabelecimento da pena de morte estarei apenas usando uma esperteza para defender um ponto de vista.
E qualquer pessoa sensata sabe que ter um argumento que lhe sirva n�o lhe d� a raz�o, apenas lhe confere a melhor justificativa das redondezas.

Bom, este texto j� est� grande demais. Paro por aqui, mas aguardo suas opini�es, nos coment�rios ou por e-mail.

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Voltei

Sol, praia e mulheres. N�o vi nada disso no meu fim-de-ano. Choveu canivete no Rio e depois o tempo ficou uma porcaria. Mas revi meus amigos de f� e isso foi muito bom.

Come�a 2002 com um monte de coisas acontecendo. Vamos comentar, ent�o, amiguinhos.