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Menino do Rio

Bom, estou de malas prontas para passar uns dias na minha cidade Natal, na qual agora eu sou turista, o Rio de Janeiro. Isso significa que, salvo algo muito especial que aconte�a, voc� s� ouvir� falar de mim depois do dia 2 de janeiro de 2002.

Feliz ano novo!

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Senhor dos An�is – Mais informa��es

A Folha diz, melhor, o resenhista Leonardo Cruz diz que o filme “O Senhor dos An�s” � somente para iniciados.

Eu n�o poderia discordar mais. Nunca li nenhum dos livros e, suprema vergonha para quem, como eu, j� jogou RPG, nem sabia direito qual � a hist�ria. Eu estava plenamente desarmado e absolutamente ansioso quanto ao que eu ia ver. Na minha opini�o, se eu gostei o filme e o entendi mesmo assim, ponto para seus criadores, oras.

Outro dado que para mim conta muito � que um monte de amigos meus f�s absolutos dos livros gostaram muito do que viram, quando tradicionalmente os leitores s�o os maiores cr�ticos dos livros adaptados para o cinema.

N�o adianta, para saber se o filme � bom, � preciso acompanhar seu desempenho nas bilheterias ao longo de semanas. No caso de um filme diferente como “O Senhor dos An�is” uma bilheria vigorosa se espalhando por v�rias semanas quer dizer que os americanos, tradicionalmente uma plat�ia pregui�osa, est� entendendo e gostando.

Isso s� acontece com filmes muito populares, como “Titanic” ou “Ghost”, ou com filmes muito bons, capazes de atravessar os extratos sociais e encantar um p�blico amplo. Vamos ver onde “SdA” entra.

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Ah sim. A trilha de “O Senhor dos An�is”

Vamos logo desfazendo mistifica��es. A trilha de “O Senhor dos An�is” � boa, sim. Mas fora umas duas m�sicas, � o feij�o com arroz do g�nero.

A m�sica que cria mesmo o clima, por incr�vel que pare�a n�o tem nada do clima sombrio e tenso do filme, chama-se “Concerning Hobbits”, faixa 2. Se relaciona ao pref�cio do primeiro livro e d� o clima da vidinha id�lica dos pequeninos. � deliciosa.

O disco segue empilhando temas m�gicos, deslumbrantes cheios de vozes, sopros e cordas que d�o clima, mas eu j� vi tudo isso em algum lugar antes. No final, tem aquela m�sica da Enya, “May it Be”, que ficou mais conhecida. � bonitinha, mas me d� um certo medo quando eu lembro do tema de “Titanic” e daquela cafonice personificada da Celine Dion. S� o tempo dir�, ent�o.

E para quem tem PC, coloca o disquinho l� no CD-Player, porque leva a um site especial.

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E a “Wired” est� magriiiiinha

A minha revista preferida, a “Wired”, est� mostrando sinais de cansa�o, coitada. Este m�s veio magrinha, com poucos an�ncios.

E duas p�ginas desses an�ncios, pelo menos, eram calhaus. No jarg�o jornal�stico calhau � o que voc� usa para ocupar espa�o in�til em uma p�gina. S�o aqueles anunciozinhos “anuncie aqui” ou “leia tal caderno” que voc� encontra enfiados nos jornais de vez em quando.

Em revistas, s�o as propagandas de produtos da pr�pria editora. Pois bem, a pobre da “Wired” veio com mais uma das suas espl�ndidas reportagens de capa, que reflete justamente o momento de inseguran�a da ind�stria de tecnologia. Com a chamada “Rewind”, aquele comando que voc� usa em gravadores ou videocassetes para voltar a fita ou o disco, fala de como a tecnologia anda aos saltos, mas que, em alguns momentos, fracassa. D� chabu. De resto, vem com uma pesquisa excelente sobre a hist�ria das inven��es revolucion�rias.

Muitas pessoas pensam que an�ncios s�o uma coisa ruim na revista e que est�o pagando por p�ginas de propaganda quando compram a revista. Mas isso � uma grande besteira. Toda revista tem um n�mero m�nimo de p�ginas editoriais e uma equa��o de cerca de 25% de propaganda. Assim, uma revista com muitos an�ncios vai, ao contr�rio do que as pessoas pensam, trazer mais reportagens, porque precisa manter a taxa de 1/4 das p�ginas da publica��o para publicidade.

Da mesma forma, o pre�o de capa pode ser mais baixo se uma revista consegue ter bastante publicidade. Mas esse pre�o tem um piso e um teto. Sim, porque � “Veja” n�o interessa custar R$ 1,00, seria como dizer que a revista � popular, obrigando o pre�o do an�ncio a cair. J� para a “Contigo”, custar R$ 0,50, se fosse matematicamente poss�vel, seria �timo, porque eles s�o mesmo uma revista para um p�blico muito amplo.

A publicidade em grande quantidade e bem diversificada garante tamb�m a independ�ncia da revista. Na l�gica o anunciante, uma revista ou jornal fortes s�o um meio importante para sua publicidade. Se a “Veja” ou a “Folha” recebem an�ncios de muitas pessoas, uma delas sozinha, n�o tem poder de press�o sobre a publica��o. Eu j� vi an�ncio de empresa a�rea saindo ao lado de reportagem demolidora sobre a pr�pria companhia na p�gina ao lado. Se ela disse que n�o anuncia mais ali, tudo bem. Tem mais gente na fila. Se voc� no entanto tem problemas relacionados � anunciantes, est� em maus len�ois, ter� que pensar duas vezes antes de publicar aquela reportagem investigativa. Neg�cio � neg�cio.

Isso tudo para dizer que a “Wired” est� acusando o golpe da recess�o americana. Espero que sobreviva.

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“Time” refuga e escolhe Giuliani o “Homem do Ano”, em vez de Osama Bin Laden

Nestes tempos negros do jornalismo americano, a “Time” deu mais uma demonstra��o de que os principais org�os de imprensa dos Estados Unidos n�o t�m mais -em sua maioria, claro- vigor combativo e independ�ncia.

Em vez de eleger o terrorista Osama Bin Laden para o tradicional t�tulo de homem do ano da revista, os diretores da publica��o optaram por uma solu��o conciliat�ria, escolher Rudy Giuliani, o prefeito de Nova York para o t�tulo de 2001.A discuss�o nos bastidores da “Time” foi acirrada, � verdade. Eles pensaram em Bin Laden, mas tiveram medo de perder assinantes (coisa que aconteceu no passado em capas pol�micas como a do Aiatol� Khomeini). Ent�o vieram como id�ias estapaf�rdias como colocar Bush, o filho, aquele idiota (hua hua hua hua!!!), na capa. Falou-se tamb�m em colocar os bombeiros e policiais, uma coisa, assim, meio coletiva, sabe? Por fim, venceu o Giuliani que, dada a sua popularidade ap�s o atentado, � das escolhas idiotas a melhor.

E por que eu acho que Bin Laden � a melhor escolha, voc� pode perguntar. Porque ele foi o homem mais falado, visto, odiado, comentado e procurado do ano, simples. Porque por ele os Estados Unidos invadiram outro pa�s e mataram milhares de pessoas, sabe-se l� quantas. N�o pense que uma revista como a “Time” ou a “Veja” s�o jornais de quermesse. Elas elegem essas personalidade para o melhor ou para o pior. E por que eu acho que � um passo atr�s da revista? Oras, porque a “Time”, � uma revista conservadora sim, mas isso nos Estados Unidos n�o � t�o absurdo assim. E l�, em outros tempos, era comum que revistas como esta fossem combativas em algum momento. Parece que n�o agora…

Vejamos. Em 1935, eles escolheram Adolf Hitler o homem do ano, em 1939 e 1942, a escolha foi Stalin, e em 1979, eles tiveram a coragem de apontar Khomeini para o t�tulo. Claro que a Time escolheu tamb�m l�deres pol�ticos, norte-americanos ou n�o, e at� o PC como homem do ano.

Mas eram outros tempos menos pat�ticos, em que nem tudo era ditado por pesquisinhas de opini�o e processos ISO 9002. Veja bem, isso n�o tem nada a ver com ideais de jornalismo ut�picos, mas com a tradi��o de certas publica��es de irem contra a corrente, de arriscar, de n�o ficar apenas oferecendo ao leitor o que ele diz que quer. As pesquisas, associadas com a experi�ncia de diversos editores j� provaram centenas de vezes que fazer uma boa publica��o tem a ver com dar ao leitor o que ele quer, misturado ao que ele ainda n�o sabe que quer.

Quando um leitor assina um jornal ou uma revista ele est� dando a essa publica��o um mandato que dura o tempo dessa assinatura no qual afirma que confia nesta publica��o para lhe dar as informa��es que o divertem e que o ajudam a entender o mundo. Quando a revista deixa de ter a coragem de desafiar a intelig�ncia desse leitor, prova que est� editorialmente morta.

Como o leitor desavisado normalmente n�o nota que est� recebendo um natimorto em sua casa, vai sendo enganado, por meses, anos. O lado bom de uma revista � que ela, diferente de seres humanos, pelo menos por enquanto, pode renascer. Muda-se sua linha editorial ou as pessoas que a dirigem e tudo pode voltar ao normal.

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Mais uma do Alan Moore

Alan Moore diz que n�o liga, mas emplacou outra adapta��o de uma obra sua para o cinema. Primeiro foi “Do Inferno” que serviu como uma das fontes de id�ias para a salada final que ficou o roteiro do filme hom�nimo que estr�ia no Brasil no dia 11 de janeiro.

Depois, o mesmo roteirista de “X-Men”, David Hayter, conseguiu emplacar a dire��o e roteiro de “Watchmen”, simplesmente uma esp�cie de “Cidad�o Kane” dos quadrinhos.

Pois agora � a vez de “A Liga Extraordin�ria”, conhecida nos Estados Unidos como “The League of Extraordinary Gentlemen” (algo tipo A Liga dos Cavaleiros Extraordin�rios). Segundo o site da Abril Jovem, a Fox liberou um or�amento de US$ 80 milh�es para fazer este filme.

A s�rie conta as aventuras de um grupo de personagens realmente extraordin�rios, Minha Harker, de “Dr�cula”, o Homem Invis�vel, do livro hom�nimo de H.G. Wells, Allan Quarterman e o Capit�o Nemo, entre outros. A miniss�rie est� cheia de refer�ncias a dezenas de obras da literatura aventuresca inglesa.

Espero que seja bom.

Inédito na TV

Ontem, como só uma pessoa que chegou hoje de Marte não saberia, acabou o “Casa dos Artistas”, do SBT. No meio de toda a festa ninguém se tocou muito de um fato inédito na TV brasileira.

Silvio Santos entrou em rede com o programa “Terceiro Tempo”, da Record, apresentado por Milton Neves. O motivo era Daniela Freitas, a mulher de Alexandre Frota. Ela é a assistente de Neves no programa e todo mundo queria vê-la respondendo ao vivo e a cores se perdoava o Frota pelas cenas de masturbação mútua entre ele e a cantora Patrícia Coelho no “Casa” exibido no dia 10 de dezembro.

Acontece que o fato é único por aqui. Nunca dois programas de canais comerciais de TV concorrentes tinham entrado em rede daquela forma. Milton Neves parou seu programa por alguns minutos, brincou com Felipão e com Daniela, mandou recados para Frota e ganhou uma exposição única para seu programa, já que “Casa” estava surrando a Globo por 50 a 16 na pontuação do Ibope. Quando acabou a rede, ainda disparou:

-É fogo, esse senhor que tem tão pouco tempo de TV usando meu programa como escada para ganhar audiência.

Muito bom, Milton, muito bom.

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Mais “Senhor dos An�is”

Finalmente parei em casa e escrevi algo sobre o filme, que eu tive o prazer de ver na sess�o especial para a imprensa no dia 14 de dezembro.

“(…) fala de hero�smo, de lutar por uma causa, de se sacrificar pelas pessoas que voc� ama e mostra como essas escolhas s�o dolorosas. � a jornada do her�i materializada aqui em toda sua grandiosidade (algo que voc� s� viu parecido na �ltima d�cada em “Matrix”, dois anos atr�s). Nos �ltimos anos, esse tipo de hist�ria ficou restrito a filmes de guerra feitos por americanos para louvar sua bandeira e mostrar o quanto eles s�o patri�ticos e bons. Em “O Senhor dos An�is”, como n�o h� uma Am�rica a louvar, Frodo, o Bolseiro, leva com ele os sonhos da pessoa comum de hero�smo, amizade e lealdade. Aqueles que n�o t�m p�tria, que pertencem a cada um de n�s. Por isso voc� vai amar a hist�ria.”

Leia mais sobre o filme no idearo, falou?

O novo trailer do “Homem Aranha” só aumenta a aflição

A Sony lançou na madrugada de hoje, no site do filme “Spiderman” (maio de 2002) o novo trailer. Agora, traz uma colagem de cenas de ação e dá melhor uma idéia de como será o filme, afinal.E o resultado não poderia ser melhor. As cenas de ação estão muito bem realizadas. Claro que dá para notar quando é um dublê em uma roupa fazendo uma acrobacia e quando é apenas um boneco de computação gráfica, mas ninguém é perfeito.

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“Senhor dos An�is” � imperd�vel

Vi “Senhor dos An�is” hoje na sess�o para a imprensa e s� digo o seguinte. O filme � muito, muito bom. Imperd�vel, uma jun��o na medida certa entre prod�gio t�cnico e brilhantismo narrativo.

Prepare-se. Voc� tem que ver.