“Time” refuga e escolhe Giuliani o “Homem do Ano”, em vez de Osama Bin Laden
Nestes tempos negros do jornalismo americano, a “Time” deu mais uma demonstra��o de que os principais org�os de imprensa dos Estados Unidos n�o t�m mais -em sua maioria, claro- vigor combativo e independ�ncia.
Em vez de eleger o terrorista Osama Bin Laden para o tradicional t�tulo de homem do ano da revista, os diretores da publica��o optaram por uma solu��o conciliat�ria, escolher Rudy Giuliani, o prefeito de Nova York para o t�tulo de 2001.A discuss�o nos bastidores da “Time” foi acirrada, � verdade. Eles pensaram em Bin Laden, mas tiveram medo de perder assinantes (coisa que aconteceu no passado em capas pol�micas como a do Aiatol� Khomeini). Ent�o vieram como id�ias estapaf�rdias como colocar Bush, o filho, aquele idiota (hua hua hua hua!!!), na capa. Falou-se tamb�m em colocar os bombeiros e policiais, uma coisa, assim, meio coletiva, sabe? Por fim, venceu o Giuliani que, dada a sua popularidade ap�s o atentado, � das escolhas idiotas a melhor.
E por que eu acho que Bin Laden � a melhor escolha, voc� pode perguntar. Porque ele foi o homem mais falado, visto, odiado, comentado e procurado do ano, simples. Porque por ele os Estados Unidos invadiram outro pa�s e mataram milhares de pessoas, sabe-se l� quantas. N�o pense que uma revista como a “Time” ou a “Veja” s�o jornais de quermesse. Elas elegem essas personalidade para o melhor ou para o pior. E por que eu acho que � um passo atr�s da revista? Oras, porque a “Time”, � uma revista conservadora sim, mas isso nos Estados Unidos n�o � t�o absurdo assim. E l�, em outros tempos, era comum que revistas como esta fossem combativas em algum momento. Parece que n�o agora…
Vejamos. Em 1935, eles escolheram Adolf Hitler o homem do ano, em 1939 e 1942, a escolha foi Stalin, e em 1979, eles tiveram a coragem de apontar Khomeini para o t�tulo. Claro que a Time escolheu tamb�m l�deres pol�ticos, norte-americanos ou n�o, e at� o PC como homem do ano.
Mas eram outros tempos menos pat�ticos, em que nem tudo era ditado por pesquisinhas de opini�o e processos ISO 9002. Veja bem, isso n�o tem nada a ver com ideais de jornalismo ut�picos, mas com a tradi��o de certas publica��es de irem contra a corrente, de arriscar, de n�o ficar apenas oferecendo ao leitor o que ele diz que quer. As pesquisas, associadas com a experi�ncia de diversos editores j� provaram centenas de vezes que fazer uma boa publica��o tem a ver com dar ao leitor o que ele quer, misturado ao que ele ainda n�o sabe que quer.
Quando um leitor assina um jornal ou uma revista ele est� dando a essa publica��o um mandato que dura o tempo dessa assinatura no qual afirma que confia nesta publica��o para lhe dar as informa��es que o divertem e que o ajudam a entender o mundo. Quando a revista deixa de ter a coragem de desafiar a intelig�ncia desse leitor, prova que est� editorialmente morta.
Como o leitor desavisado normalmente n�o nota que est� recebendo um natimorto em sua casa, vai sendo enganado, por meses, anos. O lado bom de uma revista � que ela, diferente de seres humanos, pelo menos por enquanto, pode renascer. Muda-se sua linha editorial ou as pessoas que a dirigem e tudo pode voltar ao normal.