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Idearo – Para quem sabe que n�o sabe de tudo

Depois de meses de trabalho �rduo na idealiza��o conseguimos botar o site Idearo no ar. Vai l� dar uma olhada e diz o que voc� acha, ok? A id�ia � fazer um daqueles sites de revista eletr�nica como o NO ou a Salon s� que com as v�sceras � mostra, porque os articulistas, fot�grafos e ilustradores s�o os pr�prios internautas, cheios de vontade de mostrar servi�o. Criamos um sisteminha em que voc� pode escrever um texto e mand�-lo para n�s de forma absolutamente autom�tica. Muitos desses textos ser�o publicados.

O site foi montado por mim e pelo CrisDias. Mais por ele do que por mim que, como jornalista, s� ficava enchendo o saco e pedindo coisas imposs�veis ao pobre Cristiano. E ele com o talento de sempre, se virava para fazer funcionar.

Vai l�: www.idearo.com.br

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O Dever de Casa

Dois e-mails varreram o mundo nos �ltimos dias afirmando que imagens apresentadas pela CNN mostrando um grupo de palestinos comemorando os ataques terroristas aos Estados Unidos seriam falsas.

Num dos e-mails, a afirma��o � de que as imagens seriam de 1991, gravadas durante a invas�o do Kwait. No outro, a afirma��o � de que as pessoas ali seriam paquistanesas comemorando um feriado nacional.

Bem, a origem do primeiro e-mail foi negada pela Unicamp, que era citada no corpo da mensagem e foi definitivamente derrubada pelo site Relat�rio Alfa. Particularmente acho que o pessoal que cuida desse site �, normalmente, paran�ico demais, embora bem intencionados. Mas desta vez eles mandaram muito bem. Eles provaram que a camisa da sele��o brasileira que um menino est� vestindo no v�deo � um modelo da Nike que s� foi produzido a partir de 1994. Portando o v�deo n�o � de 1991.

Na verdade, n�o h� nenhum problema com o v�deo. Dado o �dio e o sentimento anti-americano no Oriente M�dio, n�o seria nenhuma surpresa que aquelas pessoas estivessem mesmo comemorando. A imagem, por�m, sempre me soou tendenciosa, isso sim. Al�m de tomar todo um povo por um pequeno grupo, pode, realmente, ser qualquer coisa, inclusive um cinegrafista pedindo a uma multid�o que fa�a uma bagun�a na frente das c�meras.

Mas � isso. Pode, pode e pode. N�o sei e n�o vou entrar em discuss�es a respeito do que pode ser. Os rapazes do Relat�rio Alfa, paran�icos que s�o, conseguiram sair um pouco do pode. Sem inventar, apenas fazendo o dever de casa, chegaram mais perto da verdade.

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Na mesma tecla 1

T� todo mundo querendo mudar de assunto, mas ningu�m consegue. Segue um trecho do texto que est� no UOL (infelizmente na �rea exclusiva):

An�lise: Bush caminha para uma armadilha

ROBERT FISK
do “The Independent”

A retalia��o � uma armadilha. Em um mundo que deveria ter aprendido a seguir as regras da lei e n�o as da vingan�a, o presidente Bush parece estar se encaminhando diretamente para o desastre que Osama bin Laden preparou.
N�o h� d�vida sobre o que aconteceu na semana passada. Foi um crime contra a humanidade. N�o podemos entender a necessidade que os EUA t�m de retalia��o a n�o ser que aceitemos esse fato sinistro e terr�vel. Mas o crime foi cometido justamente para provocar esse golpe cego e
arrogante que o Ex�rcito norte-americano est� preparando.
Osama bin Laden -a cada dia fica mais evidente a sua culpabilidade- me falou do seu desejo de acabar com o regime pr�-americano no Oriente M�dio, desde a Ar�bia Saudita at� o Egito, a Jord�nia e outros pa�ses do Golfo.
Com o mundo �rabe se afogando em corrup��o e ditaduras -a maioria apoiada pelo Ocidente-, a �nica a��o que poderia levar os mu�ulmanos a atacar seus pr�prios l�deres seria uma ofensiva brutal e indiscriminada dos EUA. Osama bin Laden tem pouca sofistica��o em rela��es internacionais, mas � aluno atento da arte e do horror da guerra.

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�o, �o, �o o Bush � um bund�o e n�o sou eu que estou dizendo

E, j� que ningu�m tem coragem de falar, vale olhar o que a imprensa europ�ia tem a dizer. Como disse o CrisDias em seu blog, todos os textos sensatos v�m de fora dos EUA.

Deu no UOL:

�Editorial: Bush demonstra despreparo para lidar com a crise

Patrick Jarreau

Os Estados Unidos t�m � sua frente o presidente de que precisam para enfrentar uma das crises mais graves que j� conheceram? Ningu�m, ou quase, ousa fazer abertamente essa pergunta, seja nos meios pol�ticos ou na m�dia.

Ali�s, discuti-la teria como �nico efeito aumentar a confus�o, sem que nenhum benef�cio fosse extra�do. E como se trata desde j� de contrabalan�ar as conseq��ncias pol�ticas, vale dizer eleitorais, da crise, todos concordam que isso seria indecente, quando ainda est�o contando os mortos em Nova Iorque e em Washington.”

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Atire primeiro, pergunte depois

Deu na Folha (Para quem tem acesso ao conte�do exclusivo)

�Redes de TV maquiam deliberadamente os efeitos da destrui��o e expurgam imagens de cad�veres mutilados e de suic�dios.
Com raras exce��es, editores decidiram deixar para um pr�ximo momento a discuss�o e a investiga��o de eventuais falhas que podem ter aberto brechas aos atentados. Dados oficiais sobre mortos e feridos s�o censurados, sem que ningu�m proteste.
“� muito importante que a popula��o compreenda e aceite o epis�dio emocionalmente”, disse ontem o presidente da cadeia de TV a cabo CNN, Walter Isaacson, ao justificar a op��o feita por sua rede e pelas cadeias abertas de TV: ABC, CBS e NBC.
“H� centenas de lacunas e falta um fluxo saud�vel de informa��es”, afirmou � Folha Stephen Hess, especialista em m�dia do Instituto Brookings, em Washington. “Mas h� um consenso de que esse n�o � o momento adequado para nos culparmos mutuamente. A cobertura reflete uma uni�o nacional num momento em que fomos atacados e milhares de pessoas morreram. Estamos em guerra. Mais tarde, todas as outras quest�es ser�o levantadas, talvez at� de forma destruidora. � o estilo da imprensa norte-americana.��

O texto � do �timo Marcio Aith que, ali�s, escreveu um artigo ontem sobre como seu sobrenome Abujamra est� lhe causando problemas em Washington. Mundinho nojento.

Se a t�o incensada e imprensa norte-americana chuta o balde o mundo est� mesmo em maus len��is. S�o eles, nesse momento, que t�m que questionas as atitudes de seu governo. Milh�es de pessoas v�o morrer em algum canto do mundo, o alvo da vez � o Afeganist�o, e eles assumem que v�o deixar o governo fazer o que ele quiser. Que depois, quando a poeira tiver assentado, eles v�o fazer uma revis�o dos seus pr�prios erros. Quando for tarde demais.

A explica��o � simples. As redes de TV, os jornais e revistas querem uma guerra porque est�o sedentas pelos �ndices de audi�ncia. Todos os jornais e revistas norte-americanos sofreram uma queda de circula��o nos �ltimos anos e as redes sofrem com uma queda nos �ndices. A CNN s� tem �ndices altos em momentos como esse, o mesmo para Fox News. Uma guerra vem bem a calhar.

Bom, quem l� jornais e revistas americanos sabe que eles n�o s�o essa maravilha toda que as pessoas gostam de falar s� para parecerem antenadas. Mas acho que isso � demais, � negar o princ�pio b�sico do que as faz empresas jornal�sticas. Mas quem se importa?

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Noam Chomsky is “Da Man”

O Calvin One mandou bem, o Tiago idem. Ent�o eu s� posso colocar aqui o link para o mesmo texto que eles, atribu�do ao Noam Chomsky. Mesmo que n�o seja dele realmente, levanta alguns pontos interessantes.

Abaixo, a tradu��o do primeiro par�grafo:

“Os ataques terroristas foram uma grande atrocidade. Em escala, eles podem n�o alcan�ar o n�vel de muitos outros, por exemplo, o bombardeio do Sud�o feito por ordem de Clinton, sem maior pretexto, destruindo a metade dos recursos farmac�uticos do pa�s e matando um n�mero desconhecido de pessoas (ningu�m sabe o quanto, porque os Estados Unidos bloquearam um inqu�rito nas Na��es Unidas e ningu�m est� interessado nisso). Sem falar de outros crimes terr�veis, que v�m facilmente � mente. Mas que esse foi um crime horrendo, n�o h� d�vida. As v�timas principais eram, como sempre, trabalhadores: porteiros, secret�rias e bombeiros. Este ser� um golpe destruidor para os palestinos e outros povos oprimidos e pobres. Vai tamb�m levar a duros sistemas de controle, com muitas ramifica��es que ir�o afetar os direitos civis e a liberdade interna.”

O texto completo, em ingl�s, IS HERE.
O mesmo texto, um pouco menor, mas em portugu�s, ESTA AQUI.

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Cheira mal

N�o sei de onde vem o cheiro, mas sei que alguma coisa cheira mal. Se � a cobertura dada ao caso pela Imprensa ou se s�o as pistas reletadas por essa imprensa ao mundo, que, se forem verdadeiras, d�o aquela sensa��o forte de manipula��o. Mas a gente sabe, e eu sei, que uma coisa que acontece muito nesses momentos � a imprensa relatar informa��es desenconradas como fato. Sai muita trapalhada.

Desde o primeiro momento, algu�m repetia incessantemente que isso foi obra de �rabes, que tinha a ver com o milion�rio Bin Laden, um cara que “odeia os Estados Unidos” e que foi escondido e abrigado pelo Afeganist�o.

Pronto, temos um novo vil�o. Ele � mau. Pronto. Ningu�m me deu um perfil adequado do cara. Quem ele � e porque, afinal, “odeia os Estados Unidos” e torra sua fortuna financiando ataques terroristas. Me parece muito com aquele mito de que os chef�es traficantes s�o uns mulambos que ficam morrendo a torto e a direito por a�. Uma simplifica��o est�pida.

A sensa��o � que, incapazes de entregar um vil�o ao seu povo em um tempo curto o suficiente, as autoridades norte-americanas se preparam para criar um culpado aceit�vel que eles possam enfrentar. Tudo o que precisam agora � algu�m para transformar em novo grande sat�. Um novo anti-cristo. Corremos o risco de ver a montagem de uma farsa hist�rica para que o governo consiga entregar aos eleitores uma vers�o plaus�vel da trag�dia na qual Bush e seus correligion�rios possam sair como her�is.

No ano passado, o desenho do South Park, aquela s�rie com criancinhas fofinhas que falam palavr�es de enrubescer a Dercy Gon�alves, chegou aos cinemas com um filme em que o presidente do Iraque Saddan Hussein morre, vai para o inferno e transforma o diabo em sua prostituta pessoal, seu escravo de prazer. Ou seja, ele � t�o mau que o diabo sucumbe � sua vilanidade.

De repente � isso, Saddan foi vil�o por tempo demais e perdeu a gra�a. Chegou a vez de Bin Laden. O protagonista do pr�ximo desenho em longa-metragem South Park.

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Parte do Iceberg

O cancelamento do jogo Majestic foi s� parte de um grande movimento das empresas que produzem e disribuem entretenimento nos Estados Unidos.

Ontem, foram anunciados o adiamento por tempo indeterminado de diversos shows, e de lan�amentos de filmes e seriados ligados ou n�o ao terrorismo. Mas, se falasse de terrorismo ou tivesse ao menos uma bomba em algum ponto da produ��o era, para os produtores, um bom motivo para ir para a prateleira.

� o caso dos novos seriados “24″ e “The Agency”, do filme novo do Shwarzenegger e de uma p� de outros produtos similares. Da mesma forma, algumas TVs iam exibir filmes como “Independence Day” nos pr�ximos dias. Bem, iam. N�o v�o mais.

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O Sonho Acabou

Voc� sempre viu aqueles filmes da Segunda Guerra Mundial e, quem sabe, at� achou legal. Filmes de guerra, hero�smo. Puxa, por que eu n�o vivi numa �poca como aquela?

Pois agora acorde. Voc� est� vivendo em um mundo t�o ou mais perigoso do que aquele. � a sua chance de descobrir o que as pessoas que viveram aquele momento j� sabem: n�o, n�o � legal. N�o � emocionante. N�o d� para ser feliz em um mundo assim.

N�o tem a menor gra�a. Agarre-se aos seus princ�pios, porque a situa��o tende a piorar.

O s�culo 21 come�a nas sombras e com as imagens das ruas pr�ximas ao World Trade Center tomadas pela poeira, sem um c�u, com as pessoas vagando ensanguentadas sem rumo. Com medo.

� um pesadelo, depois de uma d�cada de fartura e de um mundo que se anunciava melhor. Como diz o CrisDias no seu site que narra toda sua estupefa��o ontem diante dos acontecimentos: Tome a p�lula vermelha. � isso mesmo, o sonho acabou.

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Majestic paralisado

Eu falei algum tempo atr�s do Majestic. Voc� se cadastra e passa a participar de um grupo que enfrenta uma conspira��o. Os caras telefonam pra voc�, te mandam faxes e e-mails relacionados ao que acontece ali.

O jogo � uma das sensa��es do momento na ind�stria de jogos e foi citado pela revista Entertainment Weekly como uma das grandes novidades do ano, alcan�ando um status incomum para o g�nero.

Mas como Majestic trata de uma conspira��o de domina��o mundial, a EA, a empresa que o comercializa, resolveu suspend�-lo por conta da trag�dia do ataque terrorista aos Estados Unidos. Sabe-se l� o que iria acontecer no jogo nas pr�ximas semanas.

Abaixo, o e-mail dos caras:

From: MAJESTIC
Reply-to: MAJESTIC@ea-com.m0.net
To: alexmaron@yahoo.com
Subject: Majestic temporarily suspended

Dear Majestic Player,

EA has temporarily suspended service on Majestic. Given the recent
national tragedy, we feel that some of the fictional elements in the
game may not be appropriate at this time. We will contact you again
concerning resumption of the game.

We appreciate your patience and understanding.

Regards,

The Majestic Team

* * *

A �nica coisa que me sobra dizer � que a realidade anda t�o estranha, t�o bizarra, t�o assustadora, que a arte se esconde. N�o faz frente � vida real.