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Animal Man, de Grant Morrison

Deu a louca e n�o resisti. Embora esteja duro, comprei o livro reunindo as primeiras nove edi��es de �Animal Man� escrito pelo Grant Morrison (d� uma sacada no site dele), o cara que est� escrevendo as novas hist�rias dos X-Men, e mandando muito bem.

Eu sou um babaca, eu sei. Tenho todas as hist�rias em portugu�s de quando sa�ram na extinta revistinha �DC2000�, naquele formatinho infame que tivemos que aturar por d�cadas aqui no Brasil.

Mas eu queria ter o material no original. Com um papel um pouco melhor, em formato e cores melhores. E pensar que, anos atr�s, eu tive nas m�os essa cole��o com as 26 edi��es escritas pelo Morrison, mas n�o tinha a grana para adquirir o pacote. D�-lhe frustra��o.

Quando li as hist�rias do Homem Animal, tive a firme convic��o de que qualquer personagem fica bom nas m�os de um bom escritor. Foi o que aconteceu com esse personagem de segunda categoria que era coadjuvante de hist�rias da Mulher Maravilha da d�cada de 70, coisa muito ruim mesmo.

Mas Morrison transformou ele em um homem de meia idade que precisa trabalhar para ajudar em casa, em um her�i sem ideais, que era her�i pela fama ou pelo dinheiro e se reencontra quando se torna um ativista pela preserva��o dos animais.

A grande contribui��o dos autores brit�nicos aos quadrinhos � essa caracteriza��o, esse tratamento carinhoso dos personagens (dizer liter�rio seria alimentar o preconceito). Mas isso n�o salva os quadrinhos do buraco econ�mico no qual se meteram. Isso s� faz que leitores mais velhos como eu, cansados da mesmice dos super-her�is de sempre, procurando por coisas diferentes, mantenham algum interesse em Marvel e DC.

No geral, os quadrinhos de super-her�is continuam sendo fast food, divers�o r�pida como uma s�rie de TV de segunda ou um delicioso desenho animado do �Tom e Jerry�. Talvez seja a hora dos caras entenderem isso e se preocuparem em ser divertidos, simples. Talvez um ou outro daqueles moleques que s� sabem jogar videogame (em busca dos mesmos �cones que eu procurava quando lia quadrinhos em minha inf�ncia) resolvam dar uma chance aos gibis. Talvez n�o. O que mais me incomoda na crise das HQs � pensar que em um mercado fraco, caras bacanas como o Morrison passam a ter menos chance de surgir. O que seria n�o s� uma pena como uma enorme injusti�a para com os quadrinhos.

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A.I. � conto de fadas �s vezes simplista, mas sempre ambicioso

Falar de intelig�ncia artificial, o ramo da ci�ncia, n�o o filme, � correr o risco de chover no molhado e ainda conquistar inimizades. Ent�o, vou deixar aqui bem claro uma coisa. Eu acho que o que importa em n�s � o que pensamos, nossas id�ias. O reposit�rio dessas id�ias, seja ele biol�gico ou n�o, � apenas o reposit�rio, nada mais. Assim, quando se fala em abandonar corpos biol�gicos e viver como personas digitais usando cascas met�licas para conquistar a eternidade, confesso que isso n�o me assusta. Me deixa mais interessado no que poderia ser feito a partir da�.

Ou seja. Para mim, o termo ser humano se aplica ao software que est� rodando aqui na minha caixola e n�o ao hardware, meu corpo, ou propriamente a caixola. Entendido? �timo, ent�o vamos ao pr�ximo passo, o filme �A.I.�, de Steven Spielberg, que sai aqui como �Intelig�ncia Artificial�.

Spielberg entendeu e parece concordar pelo menos em parte com essa id�ia. Desde �ET� ele se esfor�a em provar que n�o importa o que voc� mostra por fora, se for uma pessoa boa, se tiver algum tipo de sentimento bom, essa � a ess�ncia de sua humanidade. Dito assim parece piegas, mas n�o �. � s� uma defini��o simples para a id�ia.

Claro que, sendo produto da gera��o flower power misturada com os loucos anos 70, ele tenta dizer isso por meio da bondade. A maldade e a crueldade n�o t�m espa�o nos her�is do diretor. Ainda mais neste filme, roteirizado por ele. Em �ET� o pequeno alien n�o � capaz de fazer mal a humanos, aqui em �AI� tamb�m. O bem � inocente, incapaz de fazer o mal por querer. E tudo o que significa o mal, o n�o ser humano, � riscado. Aqui est� o ponto do qual discordo mais radicalmente de Spielberg. A maldade nos faz t�o humanos quanto a bondade. � que para o diretor, tudo se liga ao cora��o, �s emo��es mais �bvias e b�sicas do ser humano.

Mas o principal componente aqui � que chega aos cinemas em algumas semanas um filme sobre um rob� que ama. E essa id�ia n�o � tratada pelo diretor como uma fic��o rasteira. Ele realmente quer opinar sobre o assunto, quer dizer o que pensa daquilo. O assunto est� chegando perto de n�s.

Claro que, em se tratando de Spielberg, Daniel, o robozinho do filme, � uma esp�cie de ET querendo voltar para casa. Mas essa seria uma vis�o superficial. Spielberg, com todos os seus defeitos, escreve um roteiro que discute a forma como somos experts em colocar pessoas em segundo plano, em como somos capazes de tratar pessoas como inferiores.

Talvez seja isso. Em um mundo como o nosso, a coisa mais podre e odiosa acaba sendo o preconceito, esse h�bito hip�crita do qual nenhum de n�s est� livre de achar que aquilo que o outro faz ou � � inferior �quilo que n�s fazemos. Se somos mesmo t�o pequenos quanto a ci�ncia cada vez mais insiste em nos lembrar, se somos feitos de p�s de estrelas, delas viemos e para elas vamos voltar, preconceito � rid�culo n�o s� porque � hip�crita, mas porque n�o tem nenhuma fun��o no grande plano das coisas.

O Fim

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Empresa quer fazer patente de DNA de celebridades

Deu na AQUI na Veja.

Parece um pesadelo. Quando eu falo que as autoridades, os juristas precisam estar preparados para estas discuss�es. Que a bio�tica � extremamente necess�ria neste momento, eu n�o estou brincando. Em vez de discutir quem faz clonagem antes de quem, � preciso criar legisla��es que protejam as pessoas e o patrim�nio gen�tico da humanidade. � preciso pensar em regras claras.

Uma empresa quer convencer celebridades a registrarem patentes de seus c�digos gen�ticos. A id�ia principal seria evitar que pessoas como Tom Cruise, Michelle Pfeiffer e Michael Jordan tenham seus rostos, corpos e talentos copiados. Mas o que acaba acontecendo mesmo � que vai ter gente cobrando royalties pelo uso de suas sequ�ncias gen�ticas.

Entenda uma coisa. Depois que a tecnologia estiver desenvolvida e popularizada, vai ser pooss�vel que designers gen�ticos criem narizes, contornos de olhos, cabelos ou quaisquer outras partes do corpo com caracter�sticas especiais. Eles podem patentear isso e cobrar pelo uso de suas cria��es. Isso � legal? � poss�vel mesmo criar sequ�ncias gen�ticas?

Outras pessoas, tendo nas m�os somente um fio de cabelo de Tom Cruise, poderiam vender isso para piratas que fariam clones dele ou venderiam pacotes como as sequ�ncias que confeririam ao beb� um rosto igual ao do �dolo cinematogr�fico.

Pior. Imagine que, por um capricho da natureza, voc� nas�a com um nariz igual ao da Michelle Pfeiffer. Imagine que o agente dela te processa e exige uma indeniza��o. Voc� vai ter que provar que seu nariz � natural e n�o o resultado de gen�mica.

� mundinho dif�cil esse do futuro. Pense bem. Isso n�o � mais fic��o cient�fica. Est� nos jornais. Informe-se ou voc� vai ter surpresas desagrad�veis qualquer dia desses.

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A palavra �: Nanotecnologia

Pra que diabos serve um touro esculpido em uma resina sint�tica do tamanho de um gl�bulo vermelho, afinal? Se esta pergunta assalta voc�, incomoda voc�, ent�o leia as mal tra�adas linhas a seguir, ok?

Ok, os assuntos andam em c�rculos. � clonagem, nanotecnologia, computadores qu�nticos. Tudo se complementa, se esbarra. No caso, quando voc� fala em nanotecnologia, em nanorrob�s, voc� est� falando mesmo do fim de todas as doen�as. Ou do in�cio de doen�as e armas bacteriol�gicas ainda piores do que tudo que voc� j� viu at� hoje.

Nanotecnologia lida com a id�ia de m�quinas t�o pequenas, mas t�o pequenas que s�o microsc�picas. T�o pequenas que podem se mover dentro de sua corrente sangu�nea e, se podem fazer isso, convenhamos, um passeio pela corrente sangu�nea seria muito pouco.

Essa tecnologia oferece a possibilidade de m�quinas capazes de entrar em seu corpo e acabar com infec��es, v�rus, tudo o que voc� pode imaginar. Esses nanorrob�s poderiam tamb�m destruir tumores malignos e benignos em qualquer ponto do corpo, inclusive em �reas inoper�veis.

Por outro lado, com nanorrob�s � poss�vel inventar uma infec��o artificial capaz de matar milh�es de pessoas em pouco tempo. Da mesma forma, seria poss�vel criar anticorpos artificiais para… Entendeu, n�?

N�o h� limites para o que pode ser feito pelas nanocoisinhas. Imagine que uma mesa, uma cama, uma cadeira podem ser constru�das diante de seus olhos, usando apenas pe�as de madeira bruta como mat�ria prima (ou pior, nem isso). Os rob�s trabalhariam no n�vel molecular, remontando esses objetos ao seu bel prazer.

Claro que, se podem reconstruir um objeto, poderiam fazer terr�veis danos a voc�. Imagine que voc� poderia ser dissolvido, enquanto os din�micos nanomonstrinhos separam cada mol�cula de seu corpo. Adeus para voc�.

Assim como se assustou com a hist�ria do mundo habitado por m�quinas no lugar dos humanos, Bill Joy falou em seu artigo hist�rico para a “Wired” sobre esse assunto (que eu cito aqui pela mil�sima vez). Ali�s, a nanotecnologia � a que mais o assusta. Leia AQUI.

Ali�s, fala-se em nanotecnologia, fala-se em Eric Drexler. Se voc� quer saber o que diabos � isso tudo e entende ingl�s leia “Engines of Creation”, cl�ssico instant�neo escrito por ele. � imperd�vel.

Assim como a clonagem. A concretiza��o dessa tecnologia � um fato muito, muito importante. E voc� est� aqui para ver isso acontecer. Aproveite a oportunidade e curta a id�ia de estar presenciando um fato hist�rico.

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Revolta Politicamente Correta

C�us!!! Recebi alguns e-mails dizendo que eu sou um tarado porque coloquei aquele post mais embaixo com palavras Snady, Xuxa, Nua etc.

Bom, eu n�o tenho que ficar dando explica��es a ningu�m, mas como o post em si era pouco expl�cito, vale um esclarecimento.

� o seguinte. Eu e meu amigo do peito CrisDias resolvemos, com base na constata��o de que um monte de gente chega em nossas p�ginas atr�s de palavras como mulher, pelada, sandy, xuxa, nua, anita etc. etc. etc., colocar essas palavras-chave em nossas p�ginas apenas para irritar esses, digamos, tarados digitais.

� uma piada, mas acho que eu preciso desenhar para algumas pessoas entenderem.

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Se esconda, abriram a Caixa de Pandora

Capas da �Isto ɔ e da �Veja� trazem como assunto a clonagem do primeiro ser humano, evento programado para acontecer oficialmente este ano.

A ci�ncia mundial vive uma encruzilhada neste momento. H� todo um confronto de interesses e filosofias a ser feito. Se n�o � a primeira vez que voc� passa por aqui por esta p�gina, d�, por favor, uma olhadinha na defini��o dela que eu escrevi no topo � esquerda.

Sim, porque esta p�gina �, al�m de sobre filmes, livros e m�sicas, sobre bio�tica. E esse termo faz toda a diferen�a, para o bem e para o mal, dentro do assunto clonagem.

Antes, havia a ci�ncia pura. Por ela, por uma pesquisa, deveria valer tudo. N�o deveria haver algum limite que limitasse o trabalho de um cientista, j� que ele tinha a divina miss�o de desbravar o conhecimento. De questionar os dogmas e dar o passo � frente. Mas com o advento da era at�mica, os produtos da ci�ncia passaram a ser capazes de dizimar a humanidade. Era o momento de parar e pensar antes de agir. Um marco desse pensamento foi um artigo de Bill Joy na �Wired�, no ano passado. O cara � um dos desenvolvedores do Java para a Sun. O Java � a linguagem universal de programa��o, feita para criar programinhas leves que rodem em qualquer computador, perfeita para a era da Internet. Pois Joy disse que estava com medo de, por meio de suas inven��es, estar colaborando para dar um fim � humanidade. (Leia AQUI, em ingl�s)

Ali�s, quanto � clonagem. Leia ESTA reportagem tamb�m. � imperd�vel e muito melhor que o que voc� vai ler em qualquer revista daqui.

No passado, o grande obst�culo para os vision�rios era a exist�ncia dos religiosos. Veja bem, n�o eram fan�ticos. Eram simplesmente religiosos, num tempo em que acreditar em alguma coisa, qualquer coisa, e lutar por esse ponto de vista n�o era visto como uma fraqueza ou como uma coisa exc�ntrica. Cada vez que eles viam um de seus dogmas ser derrubado havia uma gritaria. Pobres religiosos do passado, seus mundos foram caindo e encolhendo a um ritmo vertiginoso nos �ltimos s�culos.

Nos mesmos s�culos em que a ci�ncia trouxe avan�os inestim�veis e inacredit�veis uma entidade foi crescendo e se fortalecendo, a opini�o p�blica. Embora na pr�tica n�o possa fazer nada, � influenciada e influencia pol�ticos, por exemplo.

Nesses mesmos s�culos, vale dizer, costuma-se tentar achar que o mundo amadureceu um pouco mais, que as pessoas est�o mais sens�veis a ouvir todas as opini�es. � o mundo em que tudo coexiste, os religiosos, os cientistas, a opini�o p�blica e tudo mais. Nesse mundo nasce a bio�tica.

Em poucas palavras � a �tica aplicada � ci�ncia. Elaborando um pouco mais, � a discuss�o ampla de todos os aspectos ligados a novas descobertas cient�ficas. A bio�tica, de certa forma, imp�e que, eventualmente, uma descoberta cient�fica, por ser potencialmente perigosa para a humanidade, possa, inclusive, ser abandonada.

E nesse cen�rio que chegamos ao momento crucial em que a clonagem de seres humanos est� pronta para se tornar algo presente para todos. Nada mais de fic��o cient�fica. Fato. Voc� � homossexual, tem 40 anos, n�o vai mais casar e quer ter um filho que guarde semelhan�as como voc�. Clone-se Clone seu pai, seu av�, sua m�e, sua irm�. Voc� perdeu um filho, n�o pode mais ter novos filhos e gostaria de dar �quele perfil gen�tico mais uma chance. Clone-o. Para alguns leitores � fascinante. Para outros assustador. Mas para 99% � algo ainda muito remoto. N�o faz sentido. � uma aberra��o.

Tem um outro problema. A alma. Essa coisa imaterial, inodora, ins�pida, incolor e indetect�vel no qual milh�es, ou melhor, bilh�es de seres humanos acreditam. Ela � indetect�vel, sim. Mas, como sacerdotes de diversas religi�es disseram que ela existe, ent�o essas bilh�es de pessoas acreditam. Pronto.

E essa alma, dizem alguns religiosos, s� � concebida quando o filhinho � feito com a sementinha do papai, a sementinha da mam�e, um pouquinho de amor e poof! Nada parecido com o que acontece em laborat�rios de concep��o in vitro em todo o mundo. Nada parecido com pegar uma c�lula mam�ria de um homem ou de uma mulher, colocar seu c�digo gen�tico em um �vulo vazio, aciona-la e, se ela come�ar a se reproduzir, coloca-la em uma �m�e de aluguel� para que, nove meses depois, um beb� fofo nas�a.

Um problema rid�culo proposto por diversas dessas religi�es � a alma desses seres nascidos de forma artificial. Um clone n�o teria alma? Ou teria que dividi-la? Isso � uma daquelas grandes besteiras. Os cientistas que tratam de clonagem j� se apressaram em dizer que, por favor, n�o pensem que um clone � um c�pia perfeita de uma pessoa. Ele � uma c�pia do projeto dessa pessoa e cresce em outras condi��es, com outro ponto de vista, outra experi�ncia de vida.

De uma forma grosseira � como pegar uma linha de montagem (a met�fora rasteira preferida pelas revistas) e usar o mesmo projeto para produzir, v� l�, tr�s crian�as com o mesmo projeto b�sico (c�digo gen�tico) e depois manda-las para diferentes localidades, com fam�lias completamente diferentes. Como g�meos separados na inf�ncia, eles ser�o muito diferentes. Submetidos educa��o e alimenta��o diferentes, um ser� m�dico, o outro jornalista e outro mec�nico, ou podem dois sair m�dicos, por que n�o? Um ser� gordinho, outro um pouco mais alto que os outros, coisas assim.

Da mesma forma, quando dois carros s�o feitos em uma f�brica, eles s�o muito parecidos, mas n�o s�o iguais. Depois que saem e seguem rumos diferentes com donos diferentes, ficam muito diferentes. Um lava o carro regularmente e faz revis�es peri�dicas em seu carango, outro s� coloca gasolina e bate com o carro uma vez por ano. Em cinco anos, os dois ve�culos ser�o muito diferentes. Voc� tem alguma d�vida?

O problema dos seres humanos � nossa presun��o de que somos muito, muito, muito especiais. De que somos �nicos. De que somos as criaturas criadas por Deus � sua imagem e semelhan�a. Isso ali�s rende uma cena bacana de �Planeta dos Macacos�, tanto do primeiro de 1967 quanto o desse ano. Quando os macacos, enquanto rezam, afirmam que deus os fez � sua imagem e semelhan�a.

N�o � que n�o possamos ser. � que n�o h� nenhuma prova real de que isso seja verdade. E todas as evid�ncias de que isso seja fato v�m sendo derrubadas por descobertas da biologia molecular, da medicina, da qu�mica, da f�sica, da astrof�sica e por todos e quaisquer campos de pesquisa. Somos uma pequena parte do universo, ponto final.

Isso n�o nos faz menos importantes para n�s, mas sim para o destino do universo, oras. � simples.

Bom, mas eu entrei em uma digress�o. O que importa � que o maior problema no momento � que a opini�o p�blica � dirigida pelo que l� e v� nos jornais. E os jornais est�o hist�ricos. Fora da �Folha de S�o Paulo� ou de uma das duas revistas cient�ficas para leigos, a �Superinteressante� e a �Galileu�, ainda n�o vi nada que prestasse. A reportagem da �Veja� � um lixo conservador que s� faz ecoar essa histeria. Isso s� reflete o maior problema de hoje. Embora fale-se de ci�ncia o tempo todo nos jornais. A coisa � dita sem controle, sem padr�o. E o p�blico m�dio � absolutamente analfabeto no assunto, suas opini�es s�o emitidas com base em nada, em opini�es relacionadas �s suas id�ias contaminadas por esses dogmas idiotas.

Em um mundo perfeito, as pessoas seriam instru�das decentemente desde sua mais tenra idade. Essas pessoas seriam capazes de analisar esses momentos cruciais da hist�ria e, com base em conhecimentos cient�ficos, �ticos e religiosos leg�timos, tomar decis�es importantes sobre seu futuro. Mas isso n�o acontece aqui e em nenhum lugar do mundo. Ao contr�rio, a estupidez est� distribu�da pelo globo terrestre de forma certamente irregular, embora generosa.

Nesse momento, cientistas querem clonar seres humanos, os computadores qu�nticos est�o sendo projetados, intelig�ncia artificial est� sendo desenvolvida e testada, ambientes de realidade virtual cada vez mais perfeitos est�o sendo criados, terapias gen�ticas, nanorrob�s amea�am nosso futuro com maravilhas e perigos. Sem entender isso tudo, sem saber o que � cada uma dessas tecnologias, � imposs�vel estar pronto para lutar pelo avan�o ou pela parada dessas pesquisas.

Sem nos preocupar-mos em entender isso tudo, nossa �nica alternativa ao ver a caixa de pandora sendo aberta � correr, se esconder e torcer para o que quer que esteja saindo dali n�o seja um monstro mau, nem venha nos pegar.

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Mulher Pelada

S� para manter a aten��o dos tarados de plant�o dos sites de busca, uma nova leva de palavras chave de interesse geral:

Sandy nua, Xuxa nua, m�sica mp3, Sukita, Anita.

Ah! Sacanagem, boa palavra, sacanagem.

Pronto, tarados. Peguei voc�s.

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Depois do EverQuest, conhe�a Majestic

Ouvi falar de um jogo chamado Majestic e fui conferir. A promessa: uma vers�o online do filme �O Jogo�, dirigido por David Fincher, com Michael Douglas. Ou seja, voc� paga para os caras assustarem voc� e fazerem voc� acreditar que sua vida est� em perigo. Em resumo, injetar emo��o na sua vida tediosa.

O interessante do jogo � que ele � todo online. N�o tem caixinha para voc� comprar em uma loja. � tudo com base em um download de uns dois megabytes. Os programas que voc� usa s�o o messenger da AOL, o Winamp, o Real Player etc.

Entrei no diabo do jogo, me registrei e tinha que escolher se eu estava disposto a autoriz�-los a telefonar para n�meros de telefone determinados ou receber faxes. Como assim? Simples. Os caras, autorizados por voc�, podem fazer telefonemas com amea�as ou mandar documentos falsos por fax. Tudo em nome do realismo. Fiquei tentado a dar meu telefone s� para ver como seria ser amea�ado de morte em um telefonema. Em ingl�s, ent�o, ia parecer que eu estava em um thriller, cinema puro. Mas optei por fazer tudo isso pela Internet mesmo.

Ent�o, voc� termina o download e come�a o jogo. Tem um tutorial te explicando como voc� pode jogar. Vai te mostrando como voc� pode ir falando com pessoas (que voc� n�o sabe se s�o gente de verdade jogando, como voc�, ou atores, ou sistemas de intelig�ncia artificial). At� aqui, tudo bacana. Os caras bolaram um sistema de jogo pela Internet simples e revolucion�rio. As interfaces s�o bem sacadas e tudo.

Mas quando est� acabando o tutorial, algo acontece. A conex�o com o sevidor dos caras cai. Voc� tenta entra no site e ele d� erro. Nada funciona direito. Come�am a pipocar mensagens no seu messenger da AOL. Pessoas dizendo que h� um inc�ndio no pr�dio da Anim-X, a empresa que criou o Majestic. Que o criador do jogo morreu, que outros quatro funcion�rios est�o desaparecidos. Como diria uma amiga minha: �p�nico, medo, correria�.

Excitado pelo acontecimento inesperado, come�o a trocar mensagens como os caras que v�o me procurando no messenger e com os contatos indicados pela interface do jogo (isso durante uma sess�o normal na Internet, na qual leio meus e-mails, ou�o m�sica etc.). Recebo um comunicado oficial da EA, a empresa que comercializa o jogo, de que a Anim-X REALMENTE pegou fogo. Recebo um link para um jornal online local e constato que a not�cia est� l�. Um link me oferece um v�deo de uma emissora de TV local. Vou olhar e os caras mostram os bombeiros trabalhando. � meio pobre, mas Uau!

Os quatro funcion�rios desaparecidos come�am a me contatar. Recebo um v�deo de um di�logo entre um deles e o criador do jogo. Ali, ele diz que foi amea�ado de morte. Nesse mesmo v�deo, ele fala qual � seu ramal e sua senha do voice mail. Eu, achando que vou pegar os caras e empolgado com a tarifa de R$ 0,06 da Intelig, telefono para a Anim-X. Disco o ramal do cara e o c�digo de voice mail dele. C�us!! Tr�s mensagens est�o l�. Uma delas � uma amea�a de morte, como ele relatou. Outra explica que eles colocaram um novo site no ar para que os cara que jogam Majestic possam continuar colhendo informa��es.

Voc� vai at� o novo site. Parece uma homepage normal de um cara qualquer. Quando voc� clica no link de entrada, abre-se a p�gina oficial do jogo. N�o jogo nada t�o esperto, empolgante e inteligente h� muito tempo. Desde meus tempos de jogador adolescente de RPG, com meus amigos Paulo, Bruno Accioly, Cris, Dudu, �ngelo e cia.

Minha pr�xima descoberta � que o criador do jogo estava sendo ajudado por um homem que o estava alimentando com informa��es e conspira��es verdadeiras. Agora, todo mundo que se registrou para jogar pode saber disso e � um alvo em potencial. Bingo. Voc� precisa jogar para que a verdade venha � tona. Para que o mundo seja livre. Para que os caras maus sejam punidos.

N�o sei quando esse jogo vai ser lan�ado aqui. Mas, se eu fosse voc�, esperaria com muito interesse. Majestic � a coisa mais inteligente que eu vi em muitos anos como amante dos jogos interativos.

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O Tim Burton est� certo

�Planeta dos Macacos� � bacana. Desculpe se eu n�o acho t�o brilhante quanto todo mundo achou, mas � que, como em todos os filmes do Burton, acho que falta alguma coisa. Acho que ele perde o rumo e n�o consegue entregar o material completo, sei l�.

Em �Batman� ele faz um filme de super-her�i sem ritmo e ainda comete um erro de continuidade e constru��o de roteiro grotesco no final, quando o Batman segue o Coringa, que fugiu sozinho para uma torre e, l� no topo, aparecem um capangas do nada. Ou mesmo no segundo, em que a passagem de tempo no meio do filme, com a morte da Selina Kyle, a Mulher-Gato, � totalmente descordenada com o resto da hist�ria.

Em �Marte Ataca�, o diretor despeja uma profus�o de id�ias e gags, mas n�o consegue dar a liga a tudo e o filme soa confuso, como se houvesse um ru�do no fundo, como se as pe�as n�o se encaixassem.

Em �O Cavaleiro sem Cabe�a� ele perde um pouco do que o fez sempre diferente e faz um filme justinho demais, com um final sem imagina��o. Se nos outros filmes de Burton sobrava id�ias mal ajambradas, mas que empolgavam pela intelig�ncia, em �Cavaleiro� a sensa��o � de que, fora o visual fant�stico, o filme poderia ser de um ghost-director, no lugar de Tim Burton.

Seus filmes mais completos, para mim, s�o �Edward M�os de Tesoura� e �Ed Wood�. Bem feitos, bacanas, sens�veis, cheios de id�ias que se encaixam e forma um filme coeso. Claro que isso � apenas a minha opini�o.

Em �Planeta�, tudo o que torna Tim Burton uma grife est� l�. O visual, o mundo fantasioso, a hist�ria fant�stica. Mas est� l� tamb�m aquela sensa��o de trabalho mal encaixado. Eu tenho uma teoria para explicar as cenas fora de lugar que Burton costuma colocar.

Acho que ele fica obcecado com uma id�ia e, mesmo que seu roteirista n�o consiga conect�-la ao resto do filme, ele a coloca assim mesmo. Do seu jeito.

Voltando ao final de �Batman�, Burton filmou sem um roteiro finalizado e enfrentou uma grave dos roteiristas bem durante as filmagens. Isso significa que, quando o diretor quer reescrever uma cena (ou porque ele n�o gostou de alguma coisa, mudou outra cena e precisa reescrever essa, ou um ator exige uma troca) n�o tem para quem pedir ajuda. L� vai ele e improvisa. Burton queria uma luta final entre Batman e o Coringa, mas este �ltimo n�o � p�reo para o homem morecgo. Colocou uns capangas do nada ali, at� para esticar a cena, e pronto. Ningu�m ia notar, ia?

Mas em �Planeta� isto est� mais sofisticado. A maior parte dos personagens s�o mal delineados. Nem o protagonista consegue ser mais interessante e complexo do que um pires. Mark Whalberg, convenhamos, passa por tudo aquilo com uma cara de sono de dar medo. O personagem da Helena Bohnan Carter est� muito ruim. N�o diz nada que preste e a maquiagem a faz parecer bichinho de programa infantil. O general Thade, mesmo com o Tim Roth mais afetado e canastra do que nunca, � a melhor coisa do filme. � de dar pesadelo em criancinha e marmanjo, Nota dez.

As homenagens s�o um cap�tulo � parte. H� dezenas de pequenas cita��es e ironias que fazem os f�s da mitologia do �Planeta� rirem baixinho. A trilha sonora, por sua vez, segue o padr�o do primeiro filme com um toque de nossos tempos. Est� perfeita, na medida. Ecoa o clima do filme com exatid�o e ainda mant�m o tom de homenagem que permeia todo o filme.

Agora, do final eu gostei. Fiquei dividido na primeira noite (fui dormir pensando naquele final filho de uma boa m�e), mas acabei encontrando o meu final, minha vis�o, e curti. Se encaixa naquela defini��o de �o final do Tim Burton, doa a quem doer�. Entre mortos e feridos, � um filme bacana, sim. Do tipo que tira voc� de casa e deve ser visto no cinema, nada de esperar o v�deo e perder toda aquela grandiosidade.

5032128

Nunca mais vou sentir isso de novo

Acho que voc� deve sentir, assim como eu sinto, a tristeza de constatar que s� existe uma primeira vez. Como assim? Ter� o est�pido signat�rio pirado totalmente? N�o. � papo s�rio.

Toda vez que eu vejo um filme espetacular, sinto uma felicidade e uma tristeza em paralelo. Fico feliz porque estou vendo algo sublime, espl�ndido. Fico triste porque sei que aquela sensa��o nunca vai se repetir.

Porque essa sensa��o, esse assombro, s�o �nicos. Porque a segunda vez � a segunda, n�o a primeira. Pense no filme que o surpreendeu, no livro, naquela m�sica (n�o, m�sica � diferente, ou n�o �?). A segunda vez n�o tem o mesmo sabor, n�o traz as mesmas surpresas. Pode ser bom, pode ser interessante, mas n�o � igual.

Quando eu li �Watchmen� ou �Cavaleiro das Trevas� pela segunda vez, adorei. Mas n�o foi o mesmo que da primeira.

Quando saboreei pela primeira vez a edi��o bil�ng�e de Rei Lear que a M�nica me deu tive um �xtase. Na segunda vez, foi �timo, mas eu j� sabia o que ia encontrar nas pr�ximas p�ginas. Havia algo menos a encontrar ali.

Quando vi �2001� pela segunda vez, pela terceira, mesmo vendo coisas novas que n�o tinha notado antes, foi diferente. Era bom, mas n�o era mais a primeira vez. Algo ali tinha se perdido. Uma pena.

Quando ouvi �Dark Side of the Moon�, do Pink Floyd, era apenas um moleque. Eu fugia chorando. Anos depois, mais velho, sorvi o disco com prazer, mas era diferente. Os sons eram os mesmos que eu ouvia quando pequenino, mas minha percep��o mudara. Talvez isso seja como uma nova primeira vez. Refazer algo depois que uma atualiza��o, um upgrade, uma melhora aconteceu em sua percep��o, em sua mente ou em sua vida.

� simples. Certas emo��es n�o se repetem.