�Rising Stars�, surpreendentemente, � muito bom
Nos �ltimos meses tenho lido muitos gibis que, ap�s serem elogiados por um monte de sites e revistas e leitores, se revelavam verdadeiras bombas ou, ao menos, grandes decep��es.
Comprei �Earth X� mais um dos embustes orquestrados por Alex Ross. O cara arrumou o fil�o das HQs fotorealistas e o explorou a exaust�o, fazendo um monte de hist�rias meia-boca. Ent�o pariu uma hist�ria absolutamente clich� que apenas repetia o conceito de outra revista j� lan�ada e chamada �Ruinas�. Pouca gente notou, mas �Earth X� empilha clich�s, � confusa e mal contada.
�Powers� � um pouco melhor. Brinca com a id�ia de um detetive da pol�cia que se especializa em investigar casos nos quais superpoderosos est�o envolvidos. � apenas bacana e, dependendo da hist�ria, uma bobagem que apenas recicla o que voc� j� leu.
Ainda no modo comprador ot�rio adquiri no outro dia um paperback do Homem de Ferro no qual ele � obrigado a enfrentar sua pr�pria armadura que, por obra de um raio, ganha sapi�ncia. O conceito da sapi�ncia me interessou, mas eu n�o sabia que a coisa toda acontecia por causa de um raio, o que � um clich� muito de segunda-categoria. Comprei, li entediado e me arrependi.
Mas nem tudo � ruim. O mesmo cara que escreveu �Powers� foi capaz de criar o �Ultimate Spiderman� que, para minha surpresa, � bom. Naquilo que um gibi que reconta a hist�ria do Homem-Aranha de uma forma atualizada pode ser, � perfeito e vale cada centavo.
H� ainda outra boa surpresa chamada �The Authority�. O conceito: grupo de superpoderosos t�o superpoderosos que s� enfrenta amea�as globais. No in�cio d� medo de ser um preju�zo porque tem um personagem que � o esp�rito do s�culo 20, outro que � o esp�rito das cidades, outro que � a vers�o gay do Wolverine e por a� vai. Mas o diabo do gibi � bom demais. Tudo o que podia dar errado d� certo e voc� se pega torcendo pelos personagens, achando seus poderes e a forma como eles os usam muito legais. A revista � �tima e os paperbacks valem cada centavo.
Tudo isso para dizer que �Rising Stars� era bem recomendado e, diante das decep��es dos �ltimos meses eu fui l�-lo com certa reserva. Para come�ar, conta a hist�ria de 113 pessoas que ganham poderes especiais porque um meteoro cai nas proximidades de uma cidade. Todas as mulheres gr�vidas naquele momento, naquele lugar, t�m filhos com superpoderes. S� que os especiais, como eles s�o chamados por todos, come�am a ser assassinados e um deles suspeita que o assassino seja algu�m de dentro do grupo de poderosos.
Iiiiiihhhhhh! Parece �Watchmen�.
Investigando um pouco, o protagonista-detetive aprende que os assassinatos est�o acontecendo porque um dos especiais descobriu que seus poderes estavam diminuindo com o passar dos anos e que, quando um deles morre, o poder dos que sobram aumenta. Ou seja, os caras v�o se matar uns aos outros at� que sobre um que ganha os poderes de todo mundo.
Oh, n�o!!! S� pode haver um!! Uma imita��o de �Highlander� tamb�m? Que cara de pau!
Ao mesmo tempo, ao n�o ter cenas de a��o, de combate, e investir na narrativa, na intriga, o autor J. Michael Straczynski chega a lembrar �Astrocity�, de Kurt Busiek. Ou seja, o cara processou refer�ncias de uma forma assustadora.
Mas tudo isso resulta em algo muito bom. Straczynski poderia cair na armadilha de, com tantos personagens, errar na caracteriza��o, mas usa a experi�ncia de seu trabalho na TV (ele � o autor do seriado �Babylon 5�) e, por meios de truques b�sicos de um bom roteirista delineia seus personagens por meio de suas a��es. Torna-os complexos com apenas algumas linhas de di�logo, cria nuances e ainda entrega uma hist�ria interessant�ssima, que vai tomando rumos absolutamente inesperados.
Meu paperback cobre apenas os primeiros oito n�meros da s�rie que promete ter 21 epis�dios. Nas bancas, j� chegou o 15o n�mero. E mal posso esperar para saber como isso vai terminar.