Buffy – Temporada 2

Eu sou maluco o suficiente para comprar duas caixas de DVD do seriado “Buffy – A Caça-Vampiros”. Por conta disso, fico recebendo e-mails da Amazon.co.uk me oferecendo artigos para adolescentes do sexo feminino. Ossos do ofício de gostar de uma série supostamente feita para teens.

Mas dessa vez, pelo menos, o prejuízo foi abrandado. EU comprei a primeira caixinha como teste da Amazon inglesa. Veio sem cobrar imposto. Muito bom, muito bom. Então pedi a segunda caixa.

O negócio que chega em uma semana foi demorando, demorando e, três semanas depois nada. Pedi explicações à Amazon e os caras me contaram que não podiam repor o produto porque seu estoque tinha acabado e estava fora de fabricação. Me devolveram o dinheiro.

Achei que tinha dançado legal. Mas ontem eu recebi a caixinha de DVDs. Os estúpidos da receita federal danificaram a caixa quando abriram, mas nada demais. Por isso meus DVDs da Buffy ficaram no limbo tanto tempo.

Ou seja, os caras não querem saber se o que você compra e paga caro é um ítem difícil de encontrar. É um absurdo. O correio se reserva o direito de abrir correspondências por motivos óbvios de segurança, até aí tudo bem, mas isso tem que ser feito de uma forma que não afete a integridade do item, oras. EU paguei por ele e tenho o direito de recebê-lo intacto, mesmo depois de uma revista.

Seus bens estão sujeitos ao mesmo protocolo que você. Assim como, quando você é revistado em algum lugar, sua integridade física deve ser mantida, a integridade dos seus bens também está sujeita a essa regra. Sei, sei. Isso é papo de burguesinho. Mas, oras, e o que é que eu sou?

Bom, sou também um bruto de um aproveitador, porque acabei recebendo o DVD de graça, já que a Amazon devolveu o dinheiro e, se eles não aparecerem cobrando, não vou me oferecer para pagar agora. Me chame do jeito que quiser. Como o mais canalha dos cultivadores do jeitinho brasileiro (e atolado nas contas da máquina de lavar, do fogão, dos móveis etc. etc.), um pouquinho envergonhado pelo meu ato, resolvi me dar bem dessa vez.

E continua meu suplício

Cinco dias sem telefone e contando. Faltam dez dias para eu me mudar e ter telefone de novo. Oh, céus!!

Parece até lição. Você acha que não vai sentir falta de certas coisas, que é absolutamente independente. Mas experimente ficar sem algo que você usa muito, que facilita sua vida.

Como efeito dessa mudança pra pior em minha vida, voltei a ir ao banco pagar contas porque o diabo do meu telefone está desligado (leia o texto abaixo, para entender). Meus gastos, em geral, aumentam, porque tenho que usar o celular para qualquer coisa de noite, quando extou isolado em meu apê.

Mas, ao mesmo tempo, desenterrei os jogos que eu tinha guardados e os filmes que eu não tinha visto ainda. Antes eu chegava em casa, via o “Jornal Nacional”, algum seriado e ia para a Internet. Agora, tive que rever as minhas prioridades.

Saco.

Tô Sem Telefone

Estou me mudando daqui a uma ou duas semanas para o apartamento novo. Pedimos a tranferência do telefone para depois do dia 20 e SURPRESA!

Os caras desinstalaram o telefone ontem e já instalaram no outro apê. Isso significa duas semanas sem telefone até eu concluir a mudança. Inacreditável.

Então esse texto está sendo mandado do cybercafé da Saraiva do shopping Eldorado.

Definitivamente, eu odeio as companhias telefônicas. Elas nuncam fazem as coisas direito, nunca.

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Crise, Crise, Crise… No Futebol

Desaprendemos a jogar futebol.

N�o � frase de efeito nem tem sentido figurado. � a mais pura express�o literal da verdade.

Nosso futebol nunca foi bem administrado, mas o n�vel de desmando passou dos limites. Nossa fascina��o pelo que � de fora nos fez abra�ar uma escola futebol�stica muito ruim, de for�a, sem t�cnica. O resultado � que um dos nossos craques � o Emerson. At� eu (em forma, claro) jogo melhor que aquele cara. Ele parece um boneco correndo, � muito ruim.

Quem define bem a coisa � o mestre Tost�o, que escreve na Folha e no JB, al�m de uma coluna no UOL, e o Fernando Calazans, do Globo. Nossos jogadores n�o dominam mais fundamentos b�sicos como passe, cabeceio, dom�nio de bola. Nossos zagueiros s�o limitados, n�o sabem fazer um desarme elementar. Cortar uma jogada para eles � fazer falta. Os t�cnicos mandam bater.

E o pior de tudo � a falta de profissionalismo. Porque muita gente critica a id�ia de que os jogadores n�o t�m amor � camisa e coisa e tal. Isso � uma besteira sem tamanho. Os caras s�o � antiprofissionais, isso sim. Se fossem profissionais iam dar valor aos seus sal�rios milion�rios e jogariam muito bem. O melhor que fosse poss�vel.

Se remunerar bem estrelas esportivas fosse errado, nenhum dos grandes atletas de qualquer esporte, em qualquer lugar do mundo, continuaria jogando bem depois que ficasse rico. O problema � nosso, � de falta de estrutura emocional. Alguma coisa n�o � ensinada a esses garotos l� no in�cio que vai fazer falta l� na frente. Vai entender.

Ent�o, o panorama de um jogo da sele��o brasileira � o seguinte. Marca��o frouxa, nenhuma qualidade no toque de bola, falta de emprenho nas jogadas. Alguns dizem quea equipe n�o tem alma. Eu acho que falta vontade ao time. Vontade de acertar, de se machucar para chegar em uma bola.

� a manifesta��o de nossos erros mais estuturais. � a chegada ao futebol do mesmo fen�meno que faz Salvador entrar em clima de guerra. � o “n�o me amole” mostrando seus resultados no futebol.

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Crise, Crise, Crise…

Em Salvador, o clima � de guerra. Isso n�o � acaso e quebra aquela id�ia escrota e revoltante de que o brasileiro pobre � um ot�rio que aceita tudo. Um dia a casa cai.

A cultura em geral � a do “n�o me amole”. Voc� faz tudo para n�o ser importunado em seu objetivo de alcan�ar o conforto. Quer trabalhar, ganhar dinheiro, comprar seus brinquedinhos, viajar, se divertir. � poss�vel fazer tudo isso quando se � ao menos de classe m�dia, n�?

Mas um dia a situa��o foge do controle. Quando a pol�cia come�ou a ser sucateada 30 anos atr�s, meus pais e os seus n�o fizeram nada. N�o reclamaram, n�o protestaram. Ao contr�rio, pagaram um extra para ter seguran�a. Quando as escolas come�aram a ser sucateadas. A mesma coisa.

Viramos as costas, seguimos em frente. “N�o me amole”, foi o que nossos pais e n�s dissemos nas �ltimas d�cadas. Mas estamos chegando ao limite. Os professores hoje s�o p�ssimos, as policias s�o cada vez piores, mais corruptas e ineptas. Est� ficando caro compensar tudo isso, mas n�o est� mais dando certo.

Tem gente demais se aproveitando disso. A inseguran�a � um neg�cio lucrativo. Agora, sem a pol�cia, o povo que parecia t�o bonzinho, t�o disposto a ter seu rabo deflorado, se revolta, quebra tudo, vai pegar o que v� nas m�os dos outros, mas nunca na sua.

Nossa omiss�o est� cobrando um pre�o alto. Azar o nosso.

E eu nem toquei no fato de que essa � a terra do ACM… O que daria um pouco mais de pano para a manga.

O Menino Quase Chorou

Quando eu tinha uns três ou quatro anos, lembro bem das revistinhas do Homem-Aranha da Bloch Editores que meus irmãos compravam. As cores eram horríveis, os textos mal traduzidos, mas eu adorava. Lembro que recortava os personagens e brincava com eles como se fossem bonecos.Claro que eu adorava os desenhos do Aranha que eram exibidos na TV e, quando aprendi a ler, comecei com o personagem e acabei lendo tudo que era gibi que saía na banca, incluindo Luluzinha e Recruta Zero.

Como jornalista, sou treinado para não me deslumbrar. Não gosto de tietagem, respeito meus ídolos, mas os trato sem fanatismo e não me deixo impressionar fácil.

Mas quando assisti ao teaser-trailer do filme do Homem-Aranha, que estréia no ano que vem nos cinemas, confesso que fiquei emocionado. Como eu sempre digo, o menino que existe dentro de mim quase chorou. O adulto, um pouco mais bocó, achou o trailer tecnicamente muito bacana.

Baixei o quicktime e fiquei assistindo diversas vezes, quadro a quadro, cena a cena. O diretor Sam Raimi e sua equipe de efeitos especiais tiraram de letra as cenas do Homem-Aranha sobrevoando os canions de cimento de Nova York com uma perfeição assustadora. Os movimentos, as texturas e as cores são tudo que um fã do gênero poderia sonhar. Agora, estou esperançoso de que o filme funcione.

E, para você ter uma idéia de como eu sou chato, acho todos os filmes do Batman de sofríveis para péssimos, aprecio “Blade” com reservas e acho que “X-Men” não passa de um filme legal.

Quando puder, dê uma olhada no trailer AQUI.

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Veja a Aki AQUI

No in�cio dos anos 90, a garotada vibrava com cada mulher boazuda que aparecia nas revistas da editora de HQs Image.Como eles podiam, perguntavam v�rias pessoas, se interessar por mulheres que n�o existem?

Ent�o veja AQUI uma imagem bem �ntima de uma mulher que n�o existe. � a Aki Ross, a hero�na do novo sucesso do cinema, “Fantasia Final”. O filme, inspirado no jogo “Final Fantasy”, mostra seres humanos modelados em computadores. Melhor: atores virtuais com realismo fotogr�fico. � revolucion�rio.

Viu? Pois �. Voc� tamb�m pode dizer que � um absurdo que qualquer menino fique, digamos, se entretendo com uma mulher virtual. O que ningu�m se lembra, no entanto, � que as pin-ups que aparecem em revistas masculinas o tempo todo tamb�m s�o beeeem virtuais.

Eu n�o me refiro aos retoques milagrosos feitos em computadores do departamento de arte das revistas, mas sim ao fato de que, salvo uma grande excess�o (o felizardo namorado da mo�a), � t�o poss�vel para um leitor m�dio da “Playboy” ter a M�nica Carvalho em seus bra�os quanto � plaus�vel para qualquer um de n�s tocar a macia pele virtual da bela Aki.

E essas mulheres, essas personas, s�o totalmente virtuais. S�o arqu�tipos, materializa��es das nossas fantasias e dos nossos ideais de mulheres perfeitas. Daqui a 40 anos, quando a coitada da modelo da capa for uma respeit�vel senhora, a foto continuar� l�. Uma mulher virtual. Qual a diferen�a?

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“Buffy” tem mais um filho

Eu amo gibis. Leio revistas em quadrinhos desde crian�a e procuro sempre por algo que me fa�a reviver aquela empolga��o juvenil. �Rising Stars�, �The Authority� e �New X-Men� fizeram isso.

Na TV, �Buffy�, um seriado apresentado pelo canal pago Fox todas as ter�as, �s 21h, fez coisa parecida. Minha futura esposa, M�nica, ajudou a definir muito bem o que essa s�rie �. Um programa voltado para adolescentes, sim, mas sem trat�-los como idiotas. Ela come�ou, como eu, dizendo que um seriado em que uma loirinha mata monstros com seu grupo de nerds n�o podia ser coisa que prestasse. Como eu, ela mudou de id�ia.

Com boa caracteriza��o dos personagens, hist�rias bem escritas, cenas de a��o bem sacadas e muita criatividade, �Buffy� se tornou a melhor encarna��o de uma hist�ria em quadrinhos na televis�o. Com uma lista t�o boa de coadjuvantes, deu origem a �Angel�, outro bom seriado.

Claro que n�o � todo mundo que vai gostar de �Buffy� ou �Angel�. O tema, as cenas de a��o, os montros e at� os nomes das s�ries fazem parte do p�blico achar tudo uma grande bobagem. Deve ser. Mas para quem aprecia o g�nero � divers�o de primeira.

E, caiu tanto no gosto do p�blico que gerou mais uma s�rie chamada �The Watchers�, que vai ser exibida na TV inglesa. O novo programa apresenta o sentinela Giles, o homem que treinou a hero�na Buffy, voltando para a Inglaterra e resolvendo casos estranhos por l� (se voc� v� a s�rie regularmente, vai entender o motivo da ida dele para l� no fim dessa temporada).

Ou seja, o cara foi criar uma s�rie e acabou gerando uma esp�cie de universo fict�cio em que seus personagens atacam em v�rias frentes. Exatamente como aconteceu quando um certo g�nio do marketing e seu amigo desenhista criaram o Quarteto Fant�stico e geraram o que seria o Universo Marvel, mudando a face das hist�rias em quadrinhos, para o melhor e para o pior.

Se voc� odeia s�ries adolescentes, mesmo as poucas inteligentes, nem perca seu tempo coom �Buffy�, �Angel� ou mesmo a nova �The Watchers�. Mas se voc� ama gibis e se interessa ao menos um pouquinhos pelo g�nero, d� uma chance a loirinha ca�a-vampiros..

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Santoro ainda n�o � ator de verdade, mas, pelo menos em �Bicho de Sete Cabe�as�, se esfor�a

Fui ver �Bicho de Sete Cabe�as� ontem no Rio. Eu estava pronto para ir a SP, mas por conta da dificuldade em arrumar uma passagem acabei convencido a ficar mais um pouco e ir ao cinema.

Eu nem ia ver o filme porque n�o posso levar a s�rio uma produ��o com o Rodrigo Santoro como protagonista. Mas joguei meu preconceito fora (com o incentivo de uma recomenda��o do amig�o Bruno Cruz) e paguei o ingresso.

Gostei, mas n�o do jeito que todo mundo gostou. Acho que ele n�o est� t�o bem assim, mas n�o estraga o filme e mostra uma disposi��o ao se despojar que beira o comovente. A hist�ria � boa, mas n�o superior a uns 100 mil filmes daqueles que passam no Supercine com o locutor da Globo dizendo que chocaram a opini�o p�blica norte-americana.

Pera�. Falando assim eu t�, sem querer, diminuindo o filme. A dire��o � vigorosa, comete excessos, peca em algumas atua��es, mas acerta a maior parte do tempo. O roteiro �, em ess�ncia, bem estruturado, embora os di�logos soem meio fora de tom de vez em quando.

No saldo final, � bom, mas n�o � genial. Vale cada centavo, mas, se voc� n�o viveu coisa parecida ou n�o conhece algu�m que viveu, n�o vai marcar sua vida.