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Tenha medo, tenha muito medo

Agora acho melhor pensar duas vezes antes de escrever as baboseiras de costume. Foi criado o Ombudsblog, que promete falar mal de todos os blogs, sem preconceito de cor, ra�a, credo, papel de parede, gifs animadas ou midis cafonas.

Mas tudo bem. Eu n�o considero esta p�gina um weblog. � uma p�gina pessoal, pronto. Ent�o estou livre n�? N�?

Tem algu�m a� para responder, por favor?

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�Nove Rainhas� usa a f�rmula do thriller e acerta

Pouco conhe�o da cinematografia Argentina al�m de umas fitas que ganhei da Funarte no ano passado. Eram melodramas latinoamericanos famosos e, entre eles, alguns filmes portenhos.
Mas ontem travei contato com um bom filme vindo de nossos vizinhos e inimigos hist�ricos no futebol. E gostei. N�o. Gostei muito.

Ao contr�rio de muitos filmes brasileiros que tenho visto, �Nove Rainhas� � bem acabado, bem dirigido tanto em termos de ritmo quanto em rela��o �s boas atua��es dos protagonistas (coadjuvantes s�o um problema grande em produ��es grandes, porque n�o seriam nas pequenas?).

A trama inicial � a seguinte. Dois safados se conhecem quando um deles quase � pego dando um golpe. Trabalham juntos por um tempo e uma outra grande tacada surge. Mas a desconfian�a surge entre eles.
O filme brinca com o tema de forma h�bil, � um pouco longo demais e quase perde o fio da meada ali no meio. Mas o roteiro se encaixa muito bem, mesmo com a implausibilidade t�pica desse tipo de trama mirabolante.

Mas, como eu j� disse antes, cinema pode ser muitas coisas. Pode ser uma obra de arte do Bergman e um delicioso escapismo do Spielberg. Pode tamb�m ser um pequeno filme argentino muito bem feitinho que me divertiu em uma gelada sexta-feira na terra da garoa.

Seja bem-vindo

Se você está chegando aqui porque leu sobre essa página no site do jornal A Tarde, receba minhas saudações. A casa é sua.

Se você está chegando por outro motivo, receba minhas saudações também, porque você merece.

Mas então, qual é o motivo desse post, afinal?

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N�o Gostou? Ent�o Re-edita, Oras!

Vai dizer que voc� nunca viu um filme e discordou de algumas partes da trama? Um cara chegou uma vez a reeditar o final de “Casablanca” de forma que Rick e Ilsa ficassem juntos no final. Pois era de se esperar que os alucinados f�s de “Star Wars”, sempre eles, viessem com algo parecido.

Chegou �s ruas de Los Angeles e Nova York um DVD pirata (luxo, luxo, os caras s�o high tech mesmo) com uma vers�o re-editada de “Star Wars Epis�dio 1: A Amea�a Fantasma”. O motivo � simples, fora a crian�ada menor de 14 anos, nenhum f� de verdade da saga criada por George Lucas gostou do filme por inteiro.

H� diversos motivos, mas o principal deles � a exist�ncia irritante do boc� digital Jar Jar Binks. Outra coisa que irritou os disc�pulos d e Lucas foi a explica��o muito da chinfrim de que os cavaleitos Jedi carregam em seu sangue um neg�cio chamado Midichlorian, que � o que os torna poderosos e capazes de manipular a For�a.

Ent�o, os caras diminu�ram algumas cenas, aumentaram a tens�o em outras (o que n�o � muito dif�cil, j� que o filme tem uma edi��o e uma dire��o pra l� de frouxas), colocaram efeitos sonoros e at� redublaram algumas falas. O resultado final, claro, deve ter ficado muito melhor do que o filme original, que �, de longe, o pior da s�rie at� agora.

Lucas, que costuma ser condescendente com essas brincadeiras dos f�s da s�rie, se irritou porque soube que DVDs com o filme editado est�o sendo vendidos nas ruas. A Lucas Film j� avisou que vai tomar provid�ncias legais se a brincadeira n�o parar.

A hist�ria toda �, de modo geral, um tributo a uma arte que poucas pessoas que v�o ao cinema entendem: a edi��o. Grandes editores s�o fundamentais para se chegar a bons filmes. Uma boa edi��o confere alma, ritmo, densidade a uma hist�ria. Edi��o ruim, pregui�osa, arruina um filme. A li��o foi dada primeiro pelos grandes cineastas russos, mestres supremos da edi��o cinematogr�fica. Foram eles que elevaram essa atividade ao status de arte.

Bom, se voc� entende ingl�s e quer saber o que, afinal, os f�s de “Star Wars” fizeram, leia AQUI.

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Grande Novidade da TV dos Estados Unidos � o “Voc� Decide”

Fox Orders Richter, Interactive Sitcoms

O programa brasileiro, criado por alguma mente da Rede Globo, j� n�o era grande coisa. Nem pelo formato, mas pelos textos muito ruins. Agora, a Fox norte-americana descobriu a p�lvora e est� lan�ando para a pr�xima temporada de s�ries nos EUA epis�dios nos quais a audi�ncia decide qual ser� o final entre duas op��es.

A coisa deve estar preta por l�.

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Come�a a Busca

Depois de quase um ano morando aqui neste apartamentinho aconchegante e espa�oso da Vila Madalena, na zona oeste de S�o Paulo, chegou o momento de me mudar. Meu amigo, com quem eu dividia essa ador�vel moradia, voltou para o Rio de Janeiro e minha namorada, a M�nica, est� vindo para S�o Paulo fazer uma especializa��o que vai prend�-la aqui por dois anos. Algu�m disse a express�o “timing perfeito” a�?

Ent�o, agora preciso encontrar um ap� bacana e barato para morar com a M�nica e meu cachorrinho, um malt�s min�sculo chamado Carl Sagan. � um novo a ador�vel cap�tulo, mas eu odeio sair por a� tendo que ver apartamentos. � coisinha chata. Eu n�o podia estalar os dedos e j� ter tudo resolvido? Aparece logo um apartamento bom, bonito e barato e minha mob�lia toda l�?

Ele quer morar mais para cima, tipo Cerqueira C�sar, que � perto da Benefic�ncia Portuguesa, onde ela faz a especializa��o (ela � m�dica). Eu quero morar por aqui pela vila, por Sumar�, Perdizes, mais perto do meu trabalho, que � no Jaguar�. Ent�o, � aquela disputa. Perto do metr�, perto de rua principal com �nibus. Quem vai trabalhar de carro, quem vai de �nibus ou metr�?

Quem disse que ia ser f�cil? Se voc� tiver uma sugest�o, t� aceitando.

Feriado Bunda é Muito Bom

Nossa, que coisa estranha.

Desde que voltei a morar em São Paulo, arrumava sempre uma desculpa para fugir para o Rio fim-de-semana, sim, fim-de-semana, não. Então, ficar aqui em pleno feriado prolongado é muito estranho.

Fui cortar o cabelo, paguei umas contas, fui ao mercado, fui ao cinema, saí para jantar com uns amigos. Mas a sensação é de que há tempo demais e atividades de menos.

O que, para falar a verdade, é MARAVILHOSO!

Li bastante, vi alguns DVDs, fiz aquelas coisas que a gente sempre deixa para depois quando chega do trabalho. Mas faz falta ter as pessoas de quem você gosta por perto.

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X-Force � a Mais Ousada

Seguindo com a renova��o da Marvel e dos X-Men, saiu �X-Force� 116. A revista pela qual eu n�o dava um tost�o virou talvez a mais ousada e interessante do grupo de t�tulos X. O �talvez� � porque eu n�o li nem vou ler todas as revistas.

A premissa � a seguinte: o que aconteceria se os mutantes montassem um supergrupo que fosse uma esp�cie de boys band? Um Backstreet Boys ou um N�Sinc?

O que voc� v� � uma demolidora vis�o de um grupo que � montado com base em pesquisas de opini�o e cujos membros levam a vida de estrelas do rock. Assim, os caras se metem em confus�es nos hot�is nos quais se hospedam, se divertem em bacanais e se perdem no inferno das drogas. Politicamente incorreto at� a medula e ainda tem sangue, v�sceras e her�is morrendo a rodo.

Na capa, onde ficaria o Comics Code (que a Marvel abandonou) vem a mensagem, �Hey, Kids. Look. No Code�. N�o � para qualquer um.

O roteirista � um doida�o chamado Peter Milligan que seguiu os passos de Grant Morrison em Animal Man e n�o decepcionou. O desenhista, outro porra-louca chamado Mike Allred, mais conhecido por t�tulos semi-indies como �Madman�.

O que eles est�o fazendo em X-Force j� foi feito antes em outras revistas, mas nunca com a acidez e intelig�ncia deste t�tulo. Na verdade, a grande quest�o � saber quanto tempo vai demorar at� a Marvel ficar com medo e tirar a dupla din�mica da revista. Vamos ver se o editor-chefe da editora � um homem de cojones mesmo.

Mas quem definir a hist�ria e a premissa como uma vis�o realista dos super-her�is vai estar exagerando. Isso me faz lembrar de quando Frank Miller lan�ou �O Cavaleiro das Trevas�. Diversas pessoas se apressaram em dizer que sua vis�o do Batman o aproximava da realidade. Surpreso, o autor de obras como �Os 300 de Esparta� e �Sin City� exclamou �mas eu nunca fiz uma hist�ria realista em toda a minha vida�.

�Watchmen�, por sua vez, trazia uma vis�o pessimista de um mundo no qual os super-her�is existem. Na d�cada de 90, diversos autores resolveram se afastar dessa id�ia. Para eles, uma revista em quadrinhos n�o devia se preocupar em apresentar super-her�is mais realistas, porque a premissa n�o se sustenta. Super-her�is s�o fic��o, balela, ponto.

Nem tanto ao mar, nem tanto � terra. Assim como cinema e literatura, os quadrinhos podem ser tudo ao mesmo tempo. Drama e a��o, infantil e bizarro, realista e fant�stico. O que vale � os caras contarem uma hist�ria boa. E o editor n�o atrapalhar por ser medroso.

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“Homens de Ci�ncia”, porque esta p�gina andou ignorando o assunto ultimamente

A editora Conrad � muito bacana. Os caras entendem de cultura pop, editam alguns dos melhores livros de quadrinhos do mercado, mostrando para o leitor mais sofisticado que h� algo mais do que super-her�is no mercado de hist�rias em quadrinhos.

Os caras tamb�m editam livros legais. O �ltimos deles se chama “Homens de Ci�ncia”, de Alessandro Greco. Ali est�o entrevistas com alguns dos mais importantes cientistas vivos deste s�culo. S�o 26 conversas como gente como Freeman Dyson, Alan Sokal, Pierre-Giles de Gennes, Richard Dawkins, Drauzio Varella etc.

O formato de entrevistas � muito amig�vel e torna a experi�ncia de leitura mais r�pida e epis�dica, diminuindo aquele estranhamento que as pessoas sentem por livros de ci�ncia.

Em nosso mundo, ci�ncia � vista como uma coisa herm�tica e sem utilidade pela maioria das pessoas. A culpa principal � de um sistema de ensino que nunca consegue mostrar para crian�as cheias de curiosidade que o mundo, o universo e mesmo seus pr�prios corpos s�o sensacionais, cheios de mist�rios.

No livro “O Mundo Assombrado pelos Dem�nios”, Carl Sagan fala sobre como isso sempre o irritou. As pessoas querem um mundo m�gico, de explica��es diretas. Assim, � prefer�vel acreditar em fantasmas, em homeopatia, em Papai Noel, do que entender a gravita��o universal, as estrelas, o corpo humano.

Coloca-se a ci�ncia em um patamar de arrog�ncia no qual ela, como disciplina, n�o se encaixa. E o motivo disso � simples: � a ci�ncia que assume sua ignor�ncia, e que, por excel�ncia, se prop�e a ir pesquisar porque � c�ptica, porque tenta receber respostas de verdade. Religi�o, por defini��o, acaba sendo atribuir fatos naturais a for�as divinas, sem questionamentos.

No in�cio da hist�ria do homem, o Sol e a Lua eram deuses. Os deuses do Olimpo ficavam em uma montanha. Depois, descobriram que o sol e a lua eram astros, que uma montanha poderia ser escalada e n�o haveria deus nenhum ali. Foram afastando Deus de n�s, colocando-o cada vez mais longe, tornando a id�ia de provar sua exist�ncia cada vez mais imposs�vel. Assim, para acreditar em Deus, voc� precisa de f�, que � acreditar sem questionar.

Assim, um livro como o do Greco, ajuda na dif�cil tarefa de fazer perguntas, de esclarecer o que parece obscuro. H� muitas pessoas que tratam a ci�ncia como religi�o. Aceitam que a Terra � redonda, que gira em torno do sol, porque a ci�ncia disse, porque a ci�ncia provou. Tamb�m est�o errados. A beleza disso tudo � entender como isso foi provado, � conhecer as experi�ncias que levaram a essas conclus�es. S� assim, � poss�vel abandonar as trevas.

Em resumo, ci�ncia �, antes de tudo, uma quest�o de saber fazer as perguntas certas. Quando elas v�m com algumas boas respostas, o livro, al�m de cient�fico, � imperd�vel.

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Provincianismo Cansa

A nota sobre a partilha gerou diversos e-mails para a minha caixa postal. O que eu vejo de gente desmerecendo atores e atrizes brasileiros em mensagens para c�, coisa comum nos tempos em que eu escrevia no “TV Folha”, � inacredit�vel. Mas isso merece um coment�rio at� mal humorado da minha parte.

Sim, porque achar que tudo o que n�s produzimos em termos de artistas aqui � ruim � um grande provincianismo. A intelig�ncia, a genialidade e a compet�ncia n�o est�o igualmente distribu�dos pelo mundo, disso eu tenho certeza. Mas achar que tudo o que temos por aqui � uma droga, j� � algo que passa dos limites do bom senso.

Eu tive a oportunidade, como rep�rter, de visitar sets de filmagens de filmes e programas de TV norte-americanos. Conheci os elencos de “Friends”, “E.R.”, “Mad about You” e outros programas. Aqui no Brasil, acompanhei grava��es de novelas, de especiais e de alguns longa-metragens para o cinema. O n�vel dos atores, diretores e t�cnicos � bem menos disparatado do que voc� imagina.

A maior diferen�a � quando se compara cinema com cinema. Com uma ind�stria vigorosa e lucrativa, os Estados Unidos d�o banho em n�s. Mas de resto, � tudo muito parecido, n�o h� nenhum motivo para achar que nossos artistas s�o piores do que o que se v� fora do pa�s.

Acho um absurdo desmerecer bons atores brasileiros porque eles trabalham em novelas. � uma piada, um t�pico gracejo de uma classe m�dia despolitizada e c�nica. Atores, como qualquer outra pessoa, precisam pagar as contas, trabalhar. Assim como diversos de n�s somos obrigados a aturar empregos sem gra�a em certos momentos de nossas vidas para poder pagar as contas, eles precisam da mesma coisa que n�s.

E entrevistar gente boa daqui e de l� mostra que � tudo a mesma coisa. Atores ruins e despreparados, mocinhas bonitinhas, mas ordin�rias, existem tanto l� quanto c�. S� que l� eles ganham melhor.

� a mesma coisa na m�sica, com g�neros como samba, MPB e bossa nova, execrados em e-mails para c� tamb�m. Olha. N�o gostar de samba, eu acho at� aceit�vel, mas tentar desmerec�-lo com argumentos como “� coisa de pobre”, “� um lixo” ou coisas parecidas, � inaceit�vel. Para mim n�o tem outra defini��o que n�o seja o retrato de uma gera��o perdida por ser incapaz de enxergar o que h� de bom ao seu redor. Est�o t�o obcecados em ser estrangeiros, fazer parte do que se convencionou chamar de primeiro mundo, se acham t�o espertos e especiais, que n�o aceitam gostar de m�sica brasileira. “Por que � coisa de pobre”.

N�o tem outro nome. � provincianismo mesmo. � querer morrer e virar purpurina.