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Seja bem-vindo. Este é o blog do jornalista Alexandre Maron. Aqui você vai encontrar textos sobre assuntos que vão de cultura pop a política, de religião a video games. Há também meu histórico profissional e meu portfolio. Conheça meus outros projetos.

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Lobo em pele de cordeiro

S� ontem vi �A Praia�, aquele filme do Leonardo Dicaprio. Quem me conhece, sabe que, ao contr�rio da maioria das pessoas, gosto do Dicaprio. Acho que ele procura pap�is interessantes e que caiu na armadilha de estar no filme mais rent�vel da hist�ria. U�? Mas isso n�o deveria ser bom?

Deveria. Se o mundo fosse um lugar �bvio, oras. Ao fazer sucesso, o rapaz ganhou o �dio instant�neo do p�blico jovem masculino. Mas n�o � s�. Agora, com sal�rio milion�rio, ele sofre a press�o de estar em filmes que d�em dinheiro para recuperar o investimento em seu sal�rio. � dif�cil estar nessa posi��o e muitos astros falham quando chegam a�.

Parece que estou me desviando, mas na verdade � parte do assunto, porque, ao se tornar uma estrela, Dicaprio contribuiu para tornar �A Praia� um filme pior. Aumentou as expectativas sobre ele e for�ou uma tomada de decis�es art�sticas mais conservadora por parte do diretor.

Ali�s, o Danny Boyle � um t�pico especial dessa discuss�o. Em �Cova Rasa�, dava para perceber que o cara tinha estilo e uma queda por humor negro. Em �Trainspotting� essa tend�ncia se confirmou e se cristalizou. Ele mescla virtuosismo visual com um bom dom�nio de narrativa (isso realmente quer dizer alguma coisa?).

Mas no meio de seus filmes com temas instigantes (�Trainspotting� fala do mundo das drogas e �A Praia� da busca do homem mediano pelo inating�vel) voc� percebe um lobo em pele de cordeiro. Boyle � um careta vestido de moderninho.

Veja bem, tudo o que se espera de um cineasta como ele, que trata dos temas que ele trata, � uma vis�o n�o convencional. Quando ele pega os meninos drogados de �Trainspotting� e os transforma em zumbis destru�dos (punidos pelo roteirista, melhor dizendo), voc� sente que ele foi pelo caminho que todos v�o. Embora seja engra�adinho no trato dos temas e tenha feito um filme divertido, Boyle passa ao largo de discutir, sem combater a id�ia, o que leva aqueles jovens a se meterem naquela situa��o. Fez apenas mais um comercial �Eu Odeio Drogas�. Obrigado, mas tenho visto dezenas como esses todos os anos na TV.

Da mesma forma, em �A Praia� voc� come�a achando que a jornada de Richard n�o � um conto moral. As buscas n�o precisam ser isso. O tempo todo, Boyle tenta nos mostrar que aquele lugar paradis�aco � inaceit�vel. Que n�o pode dar certo. E tome personagens rasos, definidos por uma linha de descri��o e que tomam atitudes incoerentes. Os motivos que levam a tal sociedade alternativa situada na ilha � derrocada s�o clich�s que nada t�m a ver com a ess�ncia do conceito do lugar.

E se a l�der n�o fosse uma mulher aproveitadora, amoral e obcecada. Em vez disso, fosse capaz de entender as necessidades de seus companheiros? E se Richard n�o vivesse o dilema est�pido no qual ele se v� na parte final do filme e simplesmente entrasse em contato com os invasores e os demovesse de ficar ali?

Nada disso � tentado, o filme vai caminhando inexoravelmente para uma sucess�o de decis�es erradas (est�pidas mesmo) de seus personagens que levam tudo ao final anticlim�tico.

O rid�culo � que o final alternativo, apresentado no DVD � melhor do que o que foi aos cinemas. Mas, n�o vingou em exibi��es teste feitas para bandos de imbecis domesticados por um cinema que os subestima.

Pois eu, vou apagar de minha mente o final boc� do filme e encaixar o que n�o aparece e que est� somente no DVD, porque esse � muito melhor. Minha mem�ria seletiva ser� minha aliada.

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