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Ter um Inimigo, Qualquer um, � Sempre Bom

George W. Bush, o filho, avisou que se a China atacar Taiwan, os EUA ir�o se envolver no conflito, do lado oposto ao da China, claro. A declara��o foi dada durante entrevistas do presidente referentes ao 100o dia de seu governo.

Segue a era Bush com mais um fact�ide. Agora, depois de ver que tem na China um oponente duro de roer, Bush percebeu que tem ouro nas m�os.

Ningu�m governa mais com o marketing do que os governantes norte-americanos. Em tempos de parada geral do parque econ�mico dos EUA, Bush precisa de algo ou algu�m que mobilize seus comandados. Nada como um inimigo poderoso, diferente, quase m�tico.

Pode esperar arroubos de uma guerra fria sempre que ele precisar de algum fato para desviar a aten��o da m�dia. Sempre que a coisa apertar. Como eu j� disse aqui, no auge da crise sexual de Clinton por causa dos boquetes da estagi�ria, a sa�da era inventar um bombardeio. Disparar misseis contra inimigos imagin�rios.

O neg�cio � sair da frente desses c�nicos.

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Gin�stica Laborial

Depois de passado o choque de sair do ambiente efervescente da Folha e ir para a Editora Globo, tenho que confessar que os caras se d�o ao trabalho de pelo menos fingir que est�o tentando melhorar as condi��es de trabalho.

Trabalhar na Folha � algo que me deixa cheio de saudades. Eu gosto do ritmo de jornal e me sinto entediado de vez em quando com o de uma revista mensal. Mas uma coisa que a Folha n�o tinha era a inten��o de dar algum bem estar aos jornalistas que trabalham l�. Voc� se realiza por estar em um jornal t�o bacana, mas se frustra por ver que a empresa parece n�o se importar muito com a forma como voc� est� se sentindo.

J� na Editora Globo senti um esfor�o por deixar o funcion�rio mais satisfeito. Coisa simples como o cafezinho gr�tis (na folha, eu pagava!), reformas no banheiro, previd�ncia privada e um plano de sa�de de boa qualidade s�o b�sicas. Hoje, uma equipe de treinadores veio at� n�s ministrar uma sess�o de gin�stica laborial. � uma rotina de pequenos exerc�cios de alongamento para ajudar voc� a diminuir os efeitos das posturas erradas de quem senta na frente de um computador muitas horas por dia.

� bacana. E muito estranho fazer aquela gin�stica no meio da reda��o. Mas o mico valeu. Gostei.

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Lobo em pele de cordeiro

S� ontem vi �A Praia�, aquele filme do Leonardo Dicaprio. Quem me conhece, sabe que, ao contr�rio da maioria das pessoas, gosto do Dicaprio. Acho que ele procura pap�is interessantes e que caiu na armadilha de estar no filme mais rent�vel da hist�ria. U�? Mas isso n�o deveria ser bom?

Deveria. Se o mundo fosse um lugar �bvio, oras. Ao fazer sucesso, o rapaz ganhou o �dio instant�neo do p�blico jovem masculino. Mas n�o � s�. Agora, com sal�rio milion�rio, ele sofre a press�o de estar em filmes que d�em dinheiro para recuperar o investimento em seu sal�rio. � dif�cil estar nessa posi��o e muitos astros falham quando chegam a�.

Parece que estou me desviando, mas na verdade � parte do assunto, porque, ao se tornar uma estrela, Dicaprio contribuiu para tornar �A Praia� um filme pior. Aumentou as expectativas sobre ele e for�ou uma tomada de decis�es art�sticas mais conservadora por parte do diretor.

Ali�s, o Danny Boyle � um t�pico especial dessa discuss�o. Em �Cova Rasa�, dava para perceber que o cara tinha estilo e uma queda por humor negro. Em �Trainspotting� essa tend�ncia se confirmou e se cristalizou. Ele mescla virtuosismo visual com um bom dom�nio de narrativa (isso realmente quer dizer alguma coisa?).

Mas no meio de seus filmes com temas instigantes (�Trainspotting� fala do mundo das drogas e �A Praia� da busca do homem mediano pelo inating�vel) voc� percebe um lobo em pele de cordeiro. Boyle � um careta vestido de moderninho.

Veja bem, tudo o que se espera de um cineasta como ele, que trata dos temas que ele trata, � uma vis�o n�o convencional. Quando ele pega os meninos drogados de �Trainspotting� e os transforma em zumbis destru�dos (punidos pelo roteirista, melhor dizendo), voc� sente que ele foi pelo caminho que todos v�o. Embora seja engra�adinho no trato dos temas e tenha feito um filme divertido, Boyle passa ao largo de discutir, sem combater a id�ia, o que leva aqueles jovens a se meterem naquela situa��o. Fez apenas mais um comercial �Eu Odeio Drogas�. Obrigado, mas tenho visto dezenas como esses todos os anos na TV.

Da mesma forma, em �A Praia� voc� come�a achando que a jornada de Richard n�o � um conto moral. As buscas n�o precisam ser isso. O tempo todo, Boyle tenta nos mostrar que aquele lugar paradis�aco � inaceit�vel. Que n�o pode dar certo. E tome personagens rasos, definidos por uma linha de descri��o e que tomam atitudes incoerentes. Os motivos que levam a tal sociedade alternativa situada na ilha � derrocada s�o clich�s que nada t�m a ver com a ess�ncia do conceito do lugar.

E se a l�der n�o fosse uma mulher aproveitadora, amoral e obcecada. Em vez disso, fosse capaz de entender as necessidades de seus companheiros? E se Richard n�o vivesse o dilema est�pido no qual ele se v� na parte final do filme e simplesmente entrasse em contato com os invasores e os demovesse de ficar ali?

Nada disso � tentado, o filme vai caminhando inexoravelmente para uma sucess�o de decis�es erradas (est�pidas mesmo) de seus personagens que levam tudo ao final anticlim�tico.

O rid�culo � que o final alternativo, apresentado no DVD � melhor do que o que foi aos cinemas. Mas, n�o vingou em exibi��es teste feitas para bandos de imbecis domesticados por um cinema que os subestima.

Pois eu, vou apagar de minha mente o final boc� do filme e encaixar o que n�o aparece e que est� somente no DVD, porque esse � muito melhor. Minha mem�ria seletiva ser� minha aliada.

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O virtual do virtual

Quem gosta de usar essa palavrinha surrada e escrita duas vezes no t�tulo vai achar a nova campanha de lan�amento do filme “A.I.”, de Steven Spielberg, interessante.

� o seguinte. Durante o trailer-teaser que voc� pode pegar no site do filme aparece o nome Jeanine Salla, creditada como terapeuta de m�quinas conscientes. Os mais curiosos pegaram o nome e colocaram no Yahoo e no Google para ver o que vinha. Para surpresa geral, vieram diversas p�ginas diferentes.

Hom�nima? Indo nas p�ginas, voc� percebe que os caras criaram uma malha de p�ginas fict�cias que detalham o mundo mostrado no filme. T� tudo em ingl�s. Os curiosos que se habilitem. M�os a obra.

� a coisa mais interessante a surgir nesse g�nero desde que uma dupla de diretores novatos criou a p�gina de um filme sobre tr�s jovens que v�o fazer um document�rio sobre uma bruxa em uma floresta dos EUA.

Pérolas da Estupidez – Edição Inaugural

Da edição desta semana da revista “Quem Acontece” saiu uma das mais espetaculares pérolas da grossura e da estupidez das nossas celebridades.

A sempre brilhante Monique Evans topou aparecer na “Quem” em uma entrevista com o Junior, o irmão da Sandy, em uma banheira de espuma. A frase mais espetacular do encontro:

“Sexo e cocô são duas coisas que eu tenho muita dificuldade para fazer.”

Acabei por aqui.

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Caio Blat largou cobertura na Barra e foi morar no vidigal

A capa da “Isto � Gente” dessa semana � uma daquelas provas cabais dessa ind�stria podre da celebridade alimentada por uma rede de publica��es indigentes e leitores imbecis. Somando tudo, a conta n�o fecha.

A hist�ria � a seguinte: O ator Caio Blat, uma jovem promessa de astro da Rede Globo e protagonista da novela das sete, uma bobagem chamada “Um Anjo Caiu do C�u”, resolveu se mudar de sua cobertura na Barra para uma casa no morro do Vidigal. Uma favela l� em S�o Conrado, no Rio de Janeiro. Lei a mat�ria AQUI e volte para continuar o nosso papo.

A justificativa do projeto de ser humano e de ator � que ele precisa fazer laborat�rio para uma pe�a que est� produzindo. Na entrevista, um primor de cafonice do in�cio ao fim, ele fala mais uma vez de suas id�ias.

Vamos ser c�ticos e assumir que a revista aumentou as coisas, tirou algumas das falas de contexto e produziu uma reportagem imprecisa. Mesmo assim, n�o d� para levar a s�rio o cara se ele faz isso tudo e arruma uma capinha de revista para que todo mundo saiba como ele � bacana e foi morar no meio da mis�ria.

� mais uma caso dessa fixa��o inomin�vel das pessoas por celebridade e pela forma como essas celebridades vendem sua vida t�o barato. Sim, porque ao abrir a porta de sua casa na favela (alugada, segundo ele, por R$ 2000, o mesmo pre�o da cobertura na Barra) em uma esp�cie de “Caras” �s avessas, esse garoto est� alimentando o mesmo monstro.

Ele diz que est� tendo uma li��o de cidadania. H�? Como assim? Cidadania?

Cmo a experi�ncia de quem foi rep�rter de TV aberta por mais de dois anos, posso falar sobre os esfor�o desses meninos e meninas novos para dizer que t�m algo mais. Que s�o politizados, que s�o inteligentes, cultos e se preocupam com as pessoas ao seu redor.

Ent�o, o que eles fazem? Se agarram aos s�mbolos. Blat diz que compra R$ 750 de livros por m�s. Para que diabos ele disse isso que n�o seja para dar uma medida de como ele se alimenta de cultura? Claro, que ele n�o deve ter dito do nada, isso � pergunta t�pica de rep�rter querendo fazer reportagem de new journalism.

- Voc� gosta de ler, Caio?
- Adoro – diz o gal�zinho.
- Mas, assim, o que voc� l�?
- Adoro poesia e leio muito.
- Mas, assim, quanto voc� gasta com livros por m�s para me dar uma id�ia.
- Sei l�, uns R$ 600, R$ 700, uns R$ 750.

� assim que funciona. No texto, parece que o garoto disse s� para se mostrar. Fica feio, mas mesmo que ele tenha sido pego de surpresa pela pergunta, porque dizer quanto gasta?

Em uma entrevista que fiz com uma estrelinha da Globo, me lembro de ter sido muito bem recebido e dela ter sentado no sof� ao meu lado, sem se esquecer de colocar no sonzinho da sala um CD da trilha sonora de “Paris, Texas”, filme de quando o Wim Wenders era bom. Trimmmmmmmmmm! Olha o sino tocando. Alerta! Alerta!! Detectada tentativa iminente de parecer inteligente.

Entender de TV, de cinema, de m�sica e de literatura, este �ltimo principalmente, s�o formas perfeitas de parecer inteligente. Avisar para o mundo que foi morar em uma favela, mesmo tendo dinheiro para morar em outro lugar � apenas mais uma forma de aparecer bem na foto. S� me d� ainda mais nojo.

Vivemos na era na qual tudo � montado. At� a espontaneidade.

Minha irm� trabalha no Santa Marta, aquele morro de l� do Humait�, como orientadora de um projeto de controle ambiental. Ela tenta ensinar grupos de jovens naquela favela a n�o jogarem lixo nas encostas, a preservarem o lugar onde moram de diversas maneiras. Ganha R$ 200 por m�s e vai para l� com aquele sorriso de quem est� ajudando o mundo a mudar.

Um grande amigo meu foi morar no mesmo morro, o Santa Marta. Nenhum de voc�s soube, mas ele esteve l�. N�o foi capa de revista, n�? Despojado, esse meu amigo ficou l� por muitos meses e n�o saiu contando para todo mundo para parecer nobre. Isso era uma coisa que eu e todas as muuuuitas pessoas adoram ele j� sab�amos e n�o precis�vamos de um s�mbolo vazio como esse para notar.

Gente como eles n�o investe nessas id�ias vazias. Sabe que n�o � uma capa idiota como essa em uma revista de fofocas que vai dar em algu�m, quelquer pessoa, uma li��o de cidadania.

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Como matar uma revista aqui ou em qualquer lugar do mundo

Tenha paci�ncia, porque mais na frente vou falar mal de uma vez da “Rolling Stone” e da “Q”.

Quem viu quase famosos, aquele filme bacana do Cameron Crowe sobre um garoto que, aos 16 anos, embarca em uma viagem por todo o pa�s junto com uma banda de rock para escrever um artigo para a “Rolling Stone”, pode at� n�o gostar. Achar o filme bobinho demais, engra�adinho demais, sei l�.

Mas um dos principais motivos de a cr�tica ter gostado tanto do filme � o fato de que todo jornalista sabe o que significa fazer reportagens on the road. Todo rep�rter que se preza ama a rua, adora a estrada, faz qualquer coisa para pegar uma reportagem que o leve para longe da reda��o e do lugar comum.

E todo cr�tico de m�sica e de cinema sabe que hoje, dentro desse meio, isso � algo quase imposs�vel. Com o tamanho das produ��es e toda a curiosidade mundial a respeito delas os esquemas de divulga��o s�o paquid�rmicos e os atores n�o falam fora dali, porque sabem que podem levar multas contratuais milion�rias.

Ent�o, a coisa se reduz a fofocas, que s�o conseguidas com entrevistas feitas com as equipes de maquiadores e t�cnicos que trabalham nos projetos, ao roubo de souvenires (roubaram quatro dos trajes feitos para o filme do Homem-Aranha) e coisas do tipo.

Mas isso tudo para dizer que essa realidade que voc� v� no filme �, hoje, virtualmente imposs�vel. Virtualmente, claro, porque algu�m, no meio de um evento especial, pode conseguir algo especial. Isso sempre � poss�vel.

Pode at� ser para um bom rep�rter, mas n�o foi poss�vel para os editores de tr�s das mais conhecidas revistas musicais do mundo. No mesmo m�s, a “Rolling Stone”, a “Q” e a “Guitar Player” estamparam em suas capas o grupo de pop-rock Aerosmith, num daqueles casos pat�ticos em que grandes publica��es se curvam aos esquemas de divulga��o das gravadoras.

� pat�tico, sim. Grandes revistas t�m sua for�a baseada em seus anunciantes e na quantidade de assinantes. Ser� que o �nico assunto que prestava nesse m�s era o diabo do Aerosmith? Veja bem, a banda tem mais � que tentar emplacar o maior n�mero de capas poss�veis. Cabe �s revistas n�o se deixarem pautar pelo que outras entidades que n�o suas respectivas editoras est�o fazendo.

Isso � uma coisa que se alastra por todo o mundo, mas me preocupa mais quando chega a revistas bacanas como as citadas acima.

Claro que, se a plataforma P-36 afunda, � natural que todos os jornais e revistas d�em o assunto com destaque em suas capas e primeiras p�ginas. Mas quando uma banda lan�a um disco, a coisa � diferente.

H� alguns meses, Xuxa chamou seu fot�grafo, tirou umas fotos na praia com roupas diferentes e mandou as fotos, cada uma com um biquini ou figurino diverso, para as reda��es das tr�s principais revistas de celebridades: a “Quem”, a “Caras” e a “Contigo”. Todas deram a capa para a Xuxa, todas disseram que as fotos eram exclusivas.

� uma sele��o de imbecis se juntando. Editores ineptos, que se curvam ao esse crit�rio est�pido, e leitores imbecis. � a f�rmula perfeita para matar uma boa revista, aqui e em qualquer lugar do mundo.

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Bush, afinal, pede desculpas

N�o vou nem me alongar.

Veja voc� a diferen�a que faz ter um arsenal de armas at�micas e um dos maiores mercados potenciais do mundo. Os norte-americanos capitulam, com �gua na boca. E a press�o do poderoso empresariado dos Estados Unidos sobre Bush faz uma diferen�a enorme, talvez a maior diferen�a.

No fim, parece uma daquelas cenas de filminho vagabundo norte-americano. Depois do pronunciamento, sil�ncio, presidente embara�ado, um cara bate as palmas das m�os uma vez. Depois repetidamente. Todos se entreolham emocionados com a atitude nobre e adulta do presidente (se voc� n�o percebeu, h� um tom ir�nico aqui, hein?) e tudo termina em palmas, muitas palmas.

� rid�culo, Hollywood ia adorar.

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A propaganda � a alma do neg�cio

Chegou aos cinemas brasileiros �C�rculo de Fogo�, tradu��o rid�cula de �Enemy at the Gates� (�Inimigo nos Port�es�). O t�tulo em ingl�s � uma alus�o � quase derrota dos russos na hist�rica batalha de Stalingrado, na Segunda Guerra.

O filme poderia ser s� sobre a guerra, o que j� o tornaria interessante, mas fala da propaganda e de como ela transforma, na cabe�a das pessoas, um homem comum em her�i.

Isso me lembra um filme bacana feito no meio da d�cada de 90 chamado �Her�i por Acidente�, com o Dustin Hoffman. Naquele filme, o Hoffman salva umas pessoas e vai embora antes de receber os louros da gl�ria. Uma rep�rter espertalhona arruma um cara bonitinho para ser o her�i e aparecer na TV.

�C�rculo� n�o vai t�o fundo, porque se prop�e a ser um filme de guerra e carregar com ele a tens�o dess cen�rio. Se discute a propaganda, tanto melhor, lhe d� algo mais. Como � de Jean Jacques Annaud, dos �timos �Terra do Fogo� e �Em Nome da Rosa�, e do interessante �Sete Anos no Tibet�, al�m de ser bom tem pedigree.

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Uma discuss�o sobre os princ�pios

J� vi o filme h� algumas semanas, mas, se eu deixar �Traffic� passar em branco, n�o vou me perdoar.

O filme � s�rio, sem um pingo de humor, e mostra diversos cen�rios do mundo contra e a favor das drogas, n�o necessariamente da guerra, que � o que muitas reportagens dizem.

Porque, se a guerra contra as drogas � o cen�rio de fundo, � s� isso que ela fica sendo. O filme �, antes de tudo, um intenso conflito de princ�pios e de v�cios.

Do policial mexicano, que embora conviva com a necessidade do jogo de cintura para sobreviver, consegue se manter �ntegro. E por que se manter �ntegro em um lugar onde o crime prolifera e onde s� parece poss�vel triunfar o corrupto? Do juiz que n�o consegue se comunicar com a filha que mergulha na autodestrui��o.
Da mulher gr�vida que, ao descobrir que o marido � um traficante, resolve assumir os neg�cios dele par manter seu padr�o de vida. Dos agentes da narc�ticos que tentam usar o depoimento de um traficante para colocar outro na cadeia.

O que move esses personagens? Os princ�pios ou a sua aus�ncia?

�Traffic� fala tamb�m das diversas formas de v�cio. H� os viciados em cigarros, em ordem (os policiais?), os viciados em bebida (o juiz, de Michael Douglas) e os viciados em dinheiro, consumo, conforto (a mulher gr�vida).

Steven Soderbergh, o diretor, sabe conduzir os atores muito bem. Tira boas atua��es de Michael Douglas e da bela, por�m inexpressiva, Catherine Zeta-Jones. E funcionou como ve�culo do inevit�vel Oscar que Benicio Del Toro tinha que ganhar um dia. O homem comp�e tipos como poucos e j� era comentado h� anos nos bastidores. Seu pr�mio era pule de dez.

Como o filme tenta ser quase uma reportagem, n�o d� espa�o a grandes discursos edificantes, mostra a��es de uma forma que tenta ser neutra. Talvez seja um dos seus poucos pontos fracos. Tomar partido tentando fingir que n�o o tomou.