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“Arquivo X” d� um filhote

A essa altura, j� foi exibido o primeiro epis�dio de �Os Pistoleiros Solit�rios� pela Fox dos EUA. � um novo seriado que conta as aventuras daqueles tr�s nerds que ajudavam o Mulder sempre que ele precisava de algu�m de confian�a para rastrear uma pessoa ou qualquer outra coisa ilegal.
Pois bem, eu vi o piloto em junho do ano passado, quando a Fox me mandou algumas fitas de suas s�ries novas e, ao que parece, a coisa pode dar certo. Tem humor, como n�o poderia deixar de ser, aprofunda um pouco da hist�ria de um dos anti-her�is e ainda traz suspense e uma trama conspirat�ria.
O nome dessa pr�tica � spin-off. Outros casos em que a coisa deu certo s�o o seriado �Frasier� (que veio de �Cheers�) e �Angel�, que veio de �Buffy� e �s vezes ensaia superar sua fonte de inspira��o.
Ali�s, a Globo realizou a fa�anha de exibir �Angel� no Brasil sem que tivesse passado �Buffy� direito. N�o satisfeita com a cagada monumental, mostrou o piloto e mais um epis�dio juntos, cheios de cortes, para caber em uma hora. Inacredit�vel.
Eu sei que os caras s� v�o exibir a s�rie por tr�s semanas. Mas eles n�o s�o loucos. Diante do que tinham em m�os, sacaram que o programa tinha algum potencial para prender a aten��o do p�blico daquele hor�rio. S� que picotar a hist�ria e retalhar a narrativa s�o um desrespeito ao seu espectador que beira o inadmiss�vel. Uma vergonha. Sem comentar o nome que deram � s�rie: “Angel – O Ca�a Vampiros”. De chorar.
Nesse ponto, at� canais como Record e SBT, que parecem ser administrados como se fossem padarias, exibem seus seriados na �ntegra, sem as retalhadas que a Globo comete.

Livros digitais de graça

Eu nem sei até que ponto isso é legal ou não, mas não podia deixar de dar a dica.

O site Abika.com tem um monte de livros, revistas e jornais bacanas para que você faça download gratuito e leia no Adobe Acrobat.
Claro que 99,9% das obras estão em inglês, mas ainda assim, para quem se vira bem na língua do bom e velho bardo, vale uma olhada. Basta se registrar, é grátis, e baixar arquivos à vontade.

Uma revista em minha vida

Quem é assinante da Net, aquela operadora de TV paga, deu de cara com uma das duas possíveis revistas quando voltou do Carnaval.

Uma delas, um guia simplificado, é a revista que a operadora distribui para seus assinantes antigos que decidiram não pagar R$ 4 para ter a revista de programação da operadora.

A outra opção é a nova revista de programação, “Net TV”.

É o resultado dos meus últimos seis meses de trabalho. Um mergulho estranho na tarefa de pegar uma revista e remontá-la do zero. Que fique bem claro, em primeiro lugar, que eu fiz apenas uma pequena parte do trabalho. Sou parte do time montado para transformar um guia de programação comum em uma publicação moderna, interessante, bem diagramada, informativa, enfim, algo com cara de uma revista mesmo.

Se você tiver a chance, por favor, dê uma passada na banca de jornais e confira.

Sem falsa modéstia, tenho certeza que o resultado de tanto trabalho é uma das melhores revistas do gênero que você já viu.
São 50 páginas com reportagens sobre a programação, games, internet, viagem, consumo e assuntos do gênero.

A grade é um capítulo a parte. Está carregada de ilustrações e informações úteis e é dividida por canais.

Na área dedicada a filmes, estão os respectivos nomes de cada obra e suas sinopses, diminuindo a necessidade de navegação dentro da revista.

Para produzir uma revista como essa, o trabalho é enlouquecedor. Se antes eram usadas cerca de 50 fotos por edição, agora são 600. O fechamento é uma operação de guerra, cheio de detalhes, de padronizações, de legendas e formatos.

Quando chega esse momento de fechar a revista, vivo umas duas semanas nas quais esqueço do mundo. Por isso, escrevo menos aqui.

De qualquer maneira, quando puder, dê uma folheada na revista, ok?

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Uma sucess�o de �timas id�ias sem compromisso

Eu demorei para ver �Quero Ser John Malkovich� por uma s�rie de motivos.

Quando passou nos cinemas, eu e M�nica fomos nos desencontrando e acabamos n�o vendo. Quando saiu em v�deo eu j� estava aqui em SP e sempre que tentava ver com algu�m, dava errado.

Irritado, depois de ler que o DVD era �timo, fiz uma coisa muito rara. Comprei o DVD de um filme que eu n�o tinha visto.

Valeu cada centavo.

Fazer um filme sobre um manipulador de marionetes, um titereiro, que descobre uma passagem para a mente do ator John Malkovich, n�o � exatamente uma id�ia f�cil de vender. Mas com o elenco �timo, formado por John Cusack, Cameron Diaz e, obviamente, o Malkovich, metade do trabalho est� resolvida.

O diretor Spike Jonze vai enfileirando id�ias bizarras absolutamente hilariantes, boas atua��es, di�logos desconcertantes e pega voc� pelo p� de um jeito que a trama e os personagens absurdos v�o se tornando aceit�veis. Quando voc� percebe, engoliu a id�ia e j� est� curtindo cada fotograma.

� quando o filme cai um pouquinho. Se estica mais do que o necess�rio, mas se reencontra na parte final, com destaque para o momento em que o terr�vel trauma do macaquinho Elijah � revelado de forma surpreendente ao espectador.

�QSJM� funcionaria melhor ainda como um m�dia metragem, condensando suas boas id�ias e conferindo-lhes mais for�a. Mas � cativante por cumprir com louvor a promessa que um filme indie nos faz, de nos levar por caminhos diferentes das trilhas seguras do cinem�o comercial.

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�Billy Elliot� dan�a contra a pregui�a

Olhando o trailer do filme �Billy Elliot�, pensei duas coisas:
1. Estamos superestimando esses filmes feitos fora do circuito hollywoodiano;
2. Quero muito ver esse filme.

Alguma coisa no menino dentro de mim ficou cativada pelas cenas bem compostas, pelos rostos dos atores, pela edi��o bem sacada do trailer.

E foi num Cinemark vazio daqui de SP que eu vi um filme que � a prova de que � poss�vel fazer uma boas hist�ria sem pregui�a, sem se entregar a copiar, colar e adaptar cenas, di�logos e solu��es visuais e dram�ticas de outros filmes. A cada momento focal da trama, quando voc� acha que o roteirista vai escorregar e entrar no piloto autom�tico, a rota muda e voc� agradece.

Vale um breve resumo da hist�ria. O pequeno William Elliot, 11 anos, � filho de um trabalhador das minas de carv�o inglesas, em plena greve enfrentada por Margareth Thatcher no in�cio de sua gest�o. O pai e o av� foram boxeadores, logo, Elliot acaba fazendo aulas de boxe, mas se revela uma nega��o.

Apesar do irm�o, tamb�m mineiro, grosseir�o, e do pai bronco, Elliot tem uma sensibilidade art�stica que ningu�m consegue compreender e, no lugar do ringue de Box, prefere fazer ballet, ensinado no mesmo gin�sio.

Da� a enfrentar a incompreens�o do pai e do irm�o � um passo. Ele precisa lutar contra a falta de dinheiro, os preconceitos e as pr�prias d�vidas para tentar um teste na Royal Ballet School, em Londres.

Olhando para o tema b�sico, voc� j� imagina as cenas babacas que podem surgir a cada momento, lembra das bobagens de �Flashdance�, �Footlose� e come�a a procurar outro filme na sua lista. Mas o diretor e o roteirista conseguiram a fa�anha de driblar esses clich�s e, em terreno pantanoso, fazer um grande filme, daqueles de dar n� na garganta.

Porque Billy Elliot � um pouco de cada um dos garotos que se interessaram por algo que nada tinha a ver com os anseios de sua fam�lia e foram incompreendidos por isso. Cada artista que nasceu em uma fam�lia limitada, que n�o conseguia compreender o valor do talento puro para a arte, sabe o que Billy sente.

Em uma sociedade cheia de r�tulos imbecis prontinhos para serem colados na testa de seus jovens e arruinar seus futuros, � bom ver uma historinha boba como essa, respirar fundo e se agarrar em suas convic��es.

Quando um blockbuster � indicado ao Oscar, � um movimento natural da ind�stria norte-americana de tentar promover seus produtos. Mas, quando, mesmo sabendo que n�o vai ganhar, uma produ��o pequena como Billy Elliot � indicada a roteiro e dire��o, o significado � outro. � um reconhecimento das qualidades da obra. Algo como �N�o vamos premiar voc�, mas reconhecemos que voc� � muito bom, quem sabe poderemos sug�-lo mais tarde?�.

O filme � uma j�ia. Abra seu cora��o e v� assisti-lo.

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O hype da era digital � Parte 2

H� algumas semanas, escrevi sobre a forma como as pessoas superestimam componentes que foram colocados em evid�ncia pelos recentes avan�os tecnol�gicos e os tiram de perspectiva. Como as pessoas esquecem que a realidade virtual � um conceito que existia antes do computador, por exemplo.

Agora, cabe falar de outra t�cnica que vem surgindo nos �ltimos anos e que vai ganhar for�a com o lan�amento este ano do filme �Final Fantasy�. Os synthespians.

O que diabos � isso?

S�o personagens criados dentro de um computador que simulam a apar�ncia humana. Usando o jarg�o que se tornou popular, atores virtuais.

Para quem � fascinado cegamente pela cultura digital, � um conceito revolucion�rio. Mas ele s� � mesmo novo quando se pensa em sua varia��o mais complexa: personifica��o de personagens humanos com perfei��o, ou seja, voc� vai ver um synthespian e n�o vai saber que � um synthespian, a n�o ser que te avisem.

Porque personagens virtuais sempre existiram, s� que n�o eram retratados de forma realista, simulando a presen�a de um ator humano. Pato Donald, Mickey, Betty Boop, Popeye, escolha o seu. Desenhos animados usam personagens que n�o existem no mundo de carne e osso.

Um caso interessante � o do filme �Uma Cilada para Roger Rabbit�, em que atores contracenavam com personagens de desenho animado, como se eles existissem no mundo real. Eram synthespians, mas como n�o eram similares a humanos, ningu�m, a n�o ser os t�cnicos da �rea, � claro, notou. E, pense bem, com a t�cnica simulando com perfei��o a intera��o entre humanos e toons, para que humaniza-los?

A s�rie cinematogr�fica do Batman teve diversos atores, por qu�? Porque o personagem � mais importante que o ator que o faz. A mesma coisa com James Bond.

Mas e Indiana Jones, definido pelo rosto de Harrison Ford?

Esse pode ser um caso de ator virtual muito interessante. Fox poderia vender sua imagem para que George Lucas fizesse diversos filmes do personagem. Lembre-se, o ator est� ficando velho, um acordo como esse pode garantir dinheiro entrando em sua conta mesmo durante a velhice, justo quando esses atores n�o conseguem mais bons pap�is.

� o melhor dos mundos para um produtor. Se ele fizesse um desenho animado do Indiana Jones (como os produtores de �Jornada nas Estrelas� fizeram, na d�cada de 70), n�o teria a mesma garantia de sucesso que ter� com a imagem de Harrison Ford eternizada na tela.

O conceito � velho, o que a tecnologia faz � dar a ele novas formas de uso. Nem mais, nem menos.

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�Hannibal� � um ato de canibalismo econ�mico

Que Anthony Hopkins � um Hannibal Lecter maravilhoso…
N�o, melhor. Que Hopkins � o Hannibal, n�o h� a menor d�vida.
Mas o filme s� est� canibalizando o prest�gio e o sucesso alcan�ado por �O Sil�ncio dos Inocentes�, em 1990.

Embora tenha uns tr�s ou quatro bons momentos, o filme � de amargar. Ridley Scott est� ficando cada dia mais auto-indulgente, colocando estilo onde poderia estar alguma informa��o importante para a hist�ria e tornando o filme longo e arrastado demais.

N�o vou cometer a injusti�a de comparar esse filme diretamente com o anterior. S�o livros diferentes, com temas diferentes que geraram filme muito diferentes. Mas �O Sil�ncio dos Inocentes� dava algo novo ao livro (assim como o bobo filme �Parque dos Dinossauros� tinha algo a oferecer ao livro, a visualiza��o realista dos animais descritos no livro).

Em �Hannibal� nada disso acontece. O filme n�o d� nada ao livro, ali�s, suga sua medula, e cospe na frente do espectador que, de t�o ansioso e fascinado pela figura genial de Hopkins, aceita a coisa toda de bom grado. Esperou tanto por essa seq��ncia e l� est� o velho assassino, cheio de charme, comendo gente em pleno velho mundo.

N�o vou entrar de novo na discuss�o de que livro � sempre melhor do que o filme, porque isso � um daqueles consensos que nem vale a pena discutir. Mas h�, sim, livros que d�o bons filmes. E esse filme n�o se encaixa no caso.

A a��o (em termos de acontecimentos, n�o de tiros) � epis�dica, irregular e decepcionante. Embora o livro tenha tamb�m um ritmo mais lento, tra�a melhor as caracter�sticas de Mason Verger e estabelece um jogo de gato e rato mais complexo e interessante do que o arremedo que � mostrado no filme.

� uma coisa muito simples. Tente explicar para algu�m que n�o viu o filme e n�o leu o livro qual � a hist�ria do livro. Voc� pode dar algumas voltas, mas a ess�ncia �: �dez anos depois de ter fugido da pol�cia, Hannibal � localizado pela sua �nica v�tima que sobreviveu, um milion�rio chamado Mason Verger. O cara arma um plano para tentar prend�-lo, tortur�-lo e mat�-lo, e Clarice, pode ser a �nica salva��o e Hannibal�.

Se voc� me disser que o filme �n�o respeita esses c�nones bobos do cinem�o�, vai estar ofendendo a minha intelig�ncia e a sua. O livro � um �best seller�, o filme foi feito para ser um campe�o de bilheteria. Desculpe, mas foi assim que foi concebido e gerado. Tenta seguir todas as regrinhas de um filme comercial, mas vai falhando em adicionar qualidade a elas.

No fim das contas, o filme parece o que �. O roteiro parece uma vers�o do livro muito cortada, mostrando personagens importantes em descri��es que poderiam caber em duas linhas, e um filme feito por um cineasta irregular, que cria obras bacanas como �Blade Runner� e �Alien� (�Gladiador� quase entra na minha lista) e comete abacaxis como �No Limite da Honra� aquela bobagem com a Demi Moore careca.