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Fox vai lan�ar cole��o de DVDs de “Arquivo X”

� um prazer quase proibido.

Juntar dinheiro e torrar em cole��es de programas ou filmes que vamos ver umas poucas vezes � uma bobagem. As pessoas costumam dizer isso, mas, para mim, comprar um filme, um livro ou um CD s�o a mesma coisa. Estou querendo possuir aquele peda�o de cultura. Ou ent�o, porque as pessoas compram livros se, em tese, s� os ler�o uma ou duas vezes?

A verdade � que os livros s�o muito antigos, j� est�o inseridos em nossa cultura e em nosso imagin�rio como s�mbolos de conhecimento. Mas o que livros de auto-ajuda e best sellers tem eralmente de conhecimento para nos oferecer?

Em vez de ter um livro vagabundo com um romance raso sobre engenharia gen�tica, gen�mica e suas ramifica��es pol�ticas e sociais, prefiro o DVD de “Gattaca”, que � um filme �timo.

Mas isso foi uma das minhas digress�es…

Quando eu vi que uma caixa de DVDs de “Arquivo X”, reunindo todos os epis�dios da primeira temporada do seriado, estava sendo lan�ada fiquei imediatamente interessado em ver aquilo. Mas o pre�o proibitivo, US$ 120 mais impostos e postagem, sempre me manteve � dist�ncia da tal cole��o.

Pois os DVDs ser�o lan�ados em portugu�s ainda este ano, possivelmente ainda antes de agosto. Ser�o proporcionalmente mais caros, � verdade. Mas aqui eu at� parcelo se quiser, o que ajuda a montar a cole��o.

L�, os caras j� lan�aram a segunda e est�o para colocar nas lojas a terceira temporada. Em alguns anos, o f� poder� ter todos os epis�dios da s�rie mais o filme (que eu j� tenho…).

Mas pelo jeit�o da situa��o, eu vou ter que comprar outra cole��o maravilhosa pela Amazon mesmo e pagar uma pequena fortuna. � a s�rie “Cosmos”, aquele programa bacana do Carl Sagan que passou na TV nos anos 80. Eu tenho alguns dos epis�dios em VHS, mas n�o consegui completar a cole��o, uma pena. Agora � a minha chance.

Meu outro desejo proibido foi satisfeito no ano passado. Comprei a caixinha com todos os epis�dios de “Da Terra � Lua”, a s�rie do Tom Hanks que mostra como foi a corrida espacial. A s�rie � otima, e o DVD tem uns extras muito bacanas.

Sei que n�o quer dizer muito, mas eu recomendo.

Oh, meu Deus!!! O site do filme do Aranha está no ar

Esse signatário tenta manter a seriedade. Age como jornalista sério, arrimo de sua família.Mas o meu herói de infância está finalmente ganhando, literalmente, corpo em uma adaptação cinematográfica com produção de alta qualidade. Dá até arrepios.

O site está no ar (www.spiderman.sonypictures.com) e é bacana mesmo.

O mais interessante é a cena bonus que você pode ver se tiver um dos dois principais players do mercado, Windows Media ou Real Player. Ali, o Homem-Aranha sobe pela parede de um prédio. Como em um bom truque de mágica, a coisa começa de um jeito que você diz: “isso é besteira, já foi feito antes, o cenário é deitado”. Só que a câmera gira em torno do herói e a cena termina mostrando o personagem de cima, a rua ao fundo, lá embaixo. Sem cortes. Trucagem perfeita.

Animador. Enquanto isso, vou lendo os meus gibis antigos para lembrar de um tempo em que as histórias eram boas.

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Deja Ouvi

O filme come�a e em poucas cenas voc� come�a a sentir aquela sensa��o de que alguma coisa ali n�o lhe � estranha.

Pensa alguns segundos, e num estalo a resposta surge. A m�sica. Como eu adoro trilhas sonoras e tenho uma cole��o delas tanto em meu disco r�gido quanto em CDs normais, compradinhos na loja, reconhe�o f�cil quando j� ouvi uma coisa.

Ent�o foi um deja ouvi total quando vi “A Corrente do Bem”, com o Kevin Spacey e a Helen Hunt, e notei que a m�sica � muuuuuuuuuuuit�ssimo parecida com a de “Erin Brockovich” e “Beleza Americana”. Duas trilhas ao mesmo tempo?

Putz, o autor, Thomas Newman, deve estar trabalhando demais. Fraseados inteiros soam iguais aos meus mal treinados ouvidos.

Para voc� ver como isso funciona. Quem se der ao trabalho, vai notar que o trailer de “Pearl Harbor”, filme com o Ben Affleck que tenta ser o “Titanic” deste ano, tem a mesma m�sica (a mesma, sim) de “Al�m da Linha Vermelha”.

Ali�s, filme de guerra por filme de guerra, “Enemy of the Gates”, que vai se chamar “C�rculo de Fogo”, promete muito. Conta, ao que eu entendi, a hist�ria de um atirador de elite que participou da batalha de Stalingrado. � protagonizado por uma das grandes promessas de estrela do futuro, Jude Law.

Ali�s, isso parece um h�bito do diretor Michael Bay. Quando lan�ou o trailer de “Armageddon” (aquele lixo at�mico cinematogr�fico) ele utilizou a trilha de “A Rocha”. Esse �ltimo, ao menos foi dirigido por ele.

Clarke ganha retrospectiva de seus artigos

Arthur Charles Clarke é um dos grandes autores da ficção científica e da informação científica mundial. É seu o livro 2001 – Uma Odisséia no Espaço, que gerou o filme de Stanley Kubrick com o mesmo nome, que todos estão comparando com a realidade desse início de século.

Pois ele juntou dezenas de seus melhores artigos no livro Greetings, Carbon Based Bipeds!. É edição obrigatória para qualquer fã do autor (viu, Bruno Accioly, compra logo!!!).

Quem consegue ler em inglês e gosta do gênero e do autor tem que comprar.

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Cafajestagem n�o tem g�nero, � algo rid�culo em qualquer caso

Depois de ter que ag�entar por anos as gracinhas masculinas a respeito das mulheres, sempre p�rolas politicamente incorretas, agora, em tempos de abertura total, precisamos aturar as cafajestagens que saem de todos os tipos de prefer�ncia sexual, em uma esp�cie de unifica��o de um pensamento jocoso, preconceituoso, conservador, retr�grado.

Tinha que ser assim? Digo, j� que o momento � de entendermos que as conven��es sexuais n�o se aplicam mais em um novo s�culo, n�o deveria ser natural que as pr�prias, digamos, �minorias� deveriam dar o exemplo e procurar falar das coisas de uma forma menos babaca?

Digo isso porque um amigo meu mandou alguns textos extra�dos de uma publica��o para l�sbicas. E, para minha surpresa, tudo o que eu pude ler foi uma lista de cafajestagens de fazer o enrubescer o editor da �Vip�, que � a suprema revista do jeit�o idiota masculino convencional de ser.

S�o textos daquela cantora, a Vange Leonel, l�sbica assumida, e de outras pessoas, e enfileiram um monte de clich�s e um jarg�o t�pico de quem ainda se encara como gueto, como minoria, como marginalizado.

Enquanto n�o mudarem a postura, v�o continuar antigos. V�o continuar falando dentro de uma tribo que se fecha e se protege ridicularizando tudo e todos. Assim como os ditos heteros se protegem rotulando, os gays e as l�sbicas entram na dan�a e abra�am essas nomenclaturas. Entram no jogo. E em vez de acelerar, atrasam o inevit�vel.

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Homem queria ter corpo fechado, morreu crivado de balas

Ouvi no r�dio, e deve estar circulando pelos tabl�ides e ag�ncias de not�cias do mundo, que um homem, acho que em algum grot�o desses da �frica, pediu a um sacerdote de uma tribo ind�gena que fizesse para ele uma po��o que o tornaria indestrut�vel, mais ou menos como o her�i de �Corpo Fechado� (n�o, ningu�m disse que ele viu o filme e foi influenciado, nem comece!).

Segundo o confuso relato recheado de piadinhas que eu ouvi em uma r�dio FM, ele pagou ao sacerdote e passou a tal po��o no corpo. Logo depois, pediu a um amigo que testasse (!!) se a po��o realmente funciona. Morreu cheio de balas no corpo.

N�o sei o quanto da hist�ria foi aumentada. O quanto foi inven��o do cara que atirou no amigo, tentando se safar da pol�cia. Mas de qualquer modo, a hist�ria funciona quase como uma f�bula que serve para mostrar como o pensamento m�gico pode nos colocar em situa��es, digamos, mortais. Para dizer o m�nimo.

Porque o que me assombra cada vez mais � a forma como as pessoas s�o cr�dulas. Na �nsia de que o mundo e a realidade sejam aquilo que sonhamos cometemos atos est�pidos que n�o podem acabar bem. � uma pena, mas as coisas n�o mudam magicamente s� porque desejamos que elas mudem.

Este m�s saiu uma reportagem na �Globo Ci�ncia� sobre os c�ticos, pessoas que lutam contra essa fraqueza humana, de acreditar por querer acreditar (o her�i de �Arquivo X�, Fox Mulder, tinha um p�ster em sua sala que dizia �Eu Quero Acreditar�, claro que ele acreditava em tudo, esse � o mote da s�rie).

Porque esse � o problema. Na maioria dos casos as pessoas t�m consci�ncia de que precisam acreditar em alguma coisa e, por isso, resolvem abrir a mente. S� que n�o se d� um passo a frente dessa forma.

Quantas vezes eu ouvi coisas como �Voc� n�o acredita em Deus? Como assim? Como voc� pode viver sem acreditar em nada? Voc� acha que estamos aqui sem nenhuma fun��o?�

A principal resposta � �eu n�o sei�. Ser c�tico n�o significa ser um sabe-tudo, ao contr�rio, � ter no��o de que n�o sabe quase nada e que tudo est� para ser aprendido. O pensamento m�gico nos torna pregui�osos, imaginando uma resposta apenas com base em nossas cren�as, em nossa forma��o. Nos faz ter uma vis�o estreita da vida.

Uma coisa interessante que a M�nica (minha namorada) disse para mim � que m�dicos especialistas (ela � cardiologista) costumam procurar diagn�sticos que se encaixem em suas �reas. � uma busca autom�tica. Depois desses segundos iniciais, o m�dico se toca de que o paciente pode ter alguma outra doen�a e procura outras alternativas.

Sempre que voc� depara com uma situa��o, tenta classific�-la dentro dos seus par�metros de conhecimento. Quando voc� n�o tem conhecimento nenhum e muita pregui�a, atribui a alguma causa divina. Foi assim quando t�nhamos um padr�o de pensamento e uma cultura mais primitivos, porque tem que ser assim agora?

Essa cegueira pode acontecer tamb�m em rela��o ao conhecimento cient�fico. Voc� cresce sendo informado das descobertas da ci�ncia. Mas voc� questiona o que te dizem? Voc� tem certeza de que � tudo verdade. Quantas asneiras n�o s�o ditas por rep�rteres desinformados quando escrevem sobre o assunto. Pior, quantas escolas n�o ensinam assuntos cient�ficos direito porque ferem as cren�as religiosas de uma comunidade (o fato realmente aconteceu em algumas comunidades norte-americanas, por exemplo, que se recusavam a ensinar a evolu��o).

Voc� j� brincou de fazer experi�ncias e tentar comprovar alguns dos c�nones que foram impostos a voc�? Porque essa � a ess�ncia do pensamento cient�fico. Todo col�gio que se preza deveria ter um laborat�rio decente, onde seria poss�vel ati�ar essa curiosidade t�o necess�ria. Pare de aceitar passivamente o que dizem para voc�. Questione, seja c�tico, n�o faz mal nenhum.

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“South Park – O Filme”, por que � t�o engra�ado?

Esta semana, finalmente vi “South Park – O Filme”, ou seja l� o nome que deram aqui no Brasil. � grosseiro, � gratuito, a anima��o � rasteira. E, por isso tudo, � �timo!!!

O filme trabalha com aquele humor saboroso que s� temos coragem de fazer quando estamos no meio de bons amigos. Traz aquelas piadas grosseiras que a gente s� conta para umas poucas pessoas. � essa a ess�ncia. Brincar com nosso pr�prio humor, aquele que a gente tem vergonha de fazer porque � preconceituoso e simplista.

Quanto � anima��o… � �tima. Qualquer bom desenhista sabe que por tr�s daquela anima��o rasteira h� um elaborado desenho de produ��o, um conceito que permeia as decis�es visuais da s�rie. N�o se iluda, a apar�ncia rudimentar de “South Park” esconde elaboradas decis�es art�sticas.

Mas e o filme? Bom, � simples. As m�es carolas norte-americanas, preocupadas com os palavr�es do filme dos grosseir�es Terrance & Phillip que seus filhos est�o aprendendo, decidem criar uma campanha anti-Canad� (viu? n�o somos s� n�s). A situa��o evolui para uma guerra entre os EUA e o Canad�.

A hist�ria muda de rumo quando Kenny morre mais uma vez. Ele descobre um plano de Satan e Saddam Hussein (que vivem uma conturbada hist�ria de amor, em um dos muitos momentos hilariantes do filme) para deixarem o inferno e invadirem a Terra.

Assim, se o mau humor te atacar. Alugue este filme e divirta-se.

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Homem-Aranha � remodelado pela mil�sima vez ou a serializa��o sem fim mata qualquer boa id�ia

Uma das boas caracter�sticas de uma hist�ria � a sua imprevisibilidade. Voc� n�o sabe se o protagonista vai conseguir seu intento, se vai sobreviver, se vai salvar todas as pessoas que precisam de sua ajuda. Hist�rias em s�rie matam isso porque voc� sabe que o protagonista est� protegido de certas mudan�as.

O Homem-Aranha significou parte de uma revolu��o na forma como os super-her�is eram retratados. Ele era um nerd sem amigos, criado por um tio e uma tia de classe m�dia baixa at� que � mordido por uma aranha radioativa e ganha uns superpoderes. Ele usa essas habilidades de forma ego�sta e, por omiss�o sua, seu tio � assassinado. Li��o de moral: com todos aqueles poderes, ele era obrigado a pazer algo pelas pessoas que precisam de ajuda. Omiss�o nunca seria uma op��o.

A partir de ent�o, as hist�rias do personagem giram em torno de suas dificuldades financeiras, de seus relacionamentos. Pronto. Acabou. Voc� j� reparou que sempre que voc� pede para algu�m te explicar o que � uma personagem desses a pessoa vai te contar a aventura b�sica ou o primeiro arco de hist�rias? � porque tudo o mais � apenas a explora��o do mito, o uso dele comendo-o por dentro, deixando-o oco.

Depois da fase das descobertas, o personagem j� virou uma franquia que anda sozinha. Muda para n�o mudar, ensaia altera��es que nunca se concretizam, que sempre se provam falsas, prontas para voltar ao ponto inicial.

� porque na necessidade de explorar essas franquias, nunca se d� a esses personagens a chance de descansar, de ter um momento de paz. V�o sendo contratados novos autores que, como assassinos ou torturadores profissionais, est�o encarregados de fazer esse personagem enfrentar uma nova crise.

Novelas s�o obras serializadas, mas t�m uma meta final que vai ser alcan�ada em algum momento. A serializa��o em si, n�o � ruim, torna poss�vel contar uma hist�ria mais complexa, mais cheia de nuances, ao n�o ficar presa ao tamanho usual de uma obra absorvida de um s� f�lego.

Essa mania de esticar as coisas al�m da conta, at� o momento em que se torna rid�culo, � que irrita no modo de explora��o dos norte-americanos.

Alguns poucos autores tiveram a dignidade de fazer trabalhos limitados, que acabaram marcando o g�nero. Neil Gaiman, com “Sandman”, Alan Moore, com Watchmen, Frank Miller, em todas as suas miniss�ries, Garth Ennis, com “Preacher”, est�o entre os que n�o entraram nessa situa��o pat�tica de sugar at� a �ltima gota de um personagem outrora bacana.

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O hotel Habbo, uma realidade virtual bonitinha

Enquanto a tecnologia dispon�vel n�o permite que os usu�rios m�dios de computador tenham acesso a realidade virtual, a gente vai se virando com o que tem. E uma das alternativas, bem bacaninha por sinal, � o hotel Habbo.

Voc� vai l�, cria um personagem com base nos modelinhos que eles oferecem e vai passear pelas depend�ncias do tal hotel cinco estrelas virtual que os caras criaram.

Ali, voc� conversa com as pessoas do velho modo: se aproxima, pergunta se pode se sentar junto e conversar, pede uma bebida, coisas do tipo. Pode at� ir para a pista de dan�a, acionar a op��o “dance” e ficar saltitando por ali.

Uma das coisas bacanas � que, se voc� estiver longe de uma pessoa, as frases que ela diz saem truncadas, como se ficassem perdidas no meio do burburinho. Tem tamb�m uma sala onde voc� entra e arruma parceiros para joguinhos.

Ou seja, os caras arrumaram uma solu��o t�cnica bem plaus�vel e conseguiram atrair a aten��o de entusiastas do assunto e at� de gente que achou a coisa toda apenas fofinha.