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�Tigre� � divers�o de primeira, por�m superestimada

Eu sabia. Quando vi o trailer, li as reportagens, as cr�ticas, sabia que era um daqueles casos em que cr�ticos s� notam as virtudes de um g�nero de filme quando um diretor mais respeitado se aventura por ali.

� o caso de �O Tigre e o Drag�o�, de Ang Lee. � um filme de artes marciais com tudo que uma produ��o do g�nero tem que ter, mas com a chancela de um diretor s�rio. Gra�as a isso, cr�ticos de cinema foram dar uma olhada e ficaram fascinados pela a��o, pelas lutas, pelo universo her�ico, pelo romance, por tudo.

Acontece que tudo o que est� ali j� estava no g�nero h� d�cadas. O pr�prio Ang Lee diz que esse filme � a realiza��o de um sonho de menino, ou seja, ele fez tudo o que via nos filmes e sonhou colocar em um que tivesse a sua assinatura.

Claro que, sendo Ang Lee um diretor h�bil, �Tigre� carrega para o g�nero um padr�o de qualidade de produ��o maior, mas essa � a �nica novidade. Romances proibidos e her�is virtualmente invenc�veis com espadas m�gicas s�o arqu�tipos batidos de romances baratos. Como o cr�tico n�o leu romances baratos nem viu aqueles filmes chineses vagabundos, mas sinceros, acha tudo novo, lindo, brilhante.

Isso me lembra muito o primeiro �Batman�, de Tim Burton. O megamarketing da Warner martelou as cabe�as de todo mundo dizendo que o Batman era um her�i adulto, com uma profundidade psicol�gica �mpar, que a dire��o de Burton era brilhante e yada-yada-yada. Ver �Batman� e gostar se tornou uma coisa �in�. E o filme � uma droga. O roteiro n�o faz sentido, o ritmo � arrastado, os personagens s�o rasos.

Acho que as pessoas t�m cada vez menos opini�o. A cr�tica n�o � mais cr�tica. Se resume a desfiar adjetivos sem nenhuma an�lise. E as pessoas est�o desorientadas, tentando seguir as tend�ncias, mas n�o sabendo exatamente que caminho seguir. Da�, quando algu�m minimamente famoso diz que alguma coisa � ruim ou boa, vai todo mundo atr�s.

A�, aparece a segunda corrente. A dos que precisam discordar. N�o necessariamente porque t�m uma opini�o formada a respeito, mas porque se irritam com a unanimidade (que, discordo, nem sempre � burra. Odeio cita��es que viram regras. Acho grande… Burrice, se me permite o trocadilho).

Mas a� voc� pensa que eu n�o gostei do filme, n�? Ao contr�rio, A-DO-REI.

Porque eu sempre gostei de filmes de kung fu. Porque as lutas s�o muito boas, cheias de ritmo, de energia, cercadas de efeitos digitais que levam a coisa toda um passo a frente. A m�sica � �tima. Porque adoro o Chow Yun Fat, adoro a Michelle Yeoh. Vibro com her�is invenc�veis e com a id�ia de um estilo secreto de arte marcial chinesa que faz que uma pessoa seja capaz de voar como se seguisse os ventos. Porque adoro os arqu�tipos batidos dos romances baratos.

Mas eu sempre curti o g�nero. E a cr�tica que est� amando �O Tigre e o Drag�o� sempre torceu o nariz para tudo o que eu coloquei no par�grafo acima.

Lá se foi outra semana…

A loucura foi enorme outra vez, trabalhei como um louco e não tive tempo de respirar, muito menos de escrever meu weblog. Mas a revista número 1 ficou pronta (está linda!) e estamos trabalhando duro para preparar a segunda edição. Só que fevereiro é um mês menor que os outros e anda tem o Carnaval. Tive que adiantar tudo, fazer o trabalho normal com quatro dias a menos. Imagine a loucura.

Prometo nos próximos dias escrever sobre “O Tigre e o Dragão”, sobre a HQ “Earth X”, a continuação de “O hype da era digital” e muito mais sobre as novidades de tecnologia e ciência dos últimos dias.
Não deixe de me visitar.

Por onde anda Neal Adams?

Fora alguns sortudos que tiveram a chance de conhecer a lenda pessoalmente (o mestre de Kombato Paulo Albuquerque, fã de quadrinhos da antiga, até tirou foto com o cara) Neal Adams, o homem, o mito, a lenda das histórias em quadrinhos, andou longe das HQs na última década.

Nesse tempo, ele fez storyboards, ilustrações para publicidade e coisas do tipo.

E acalenta um projeto pessoal digno de um dom Quixote. Escreveu e ilustrou um romance gráfico no qual dois amigos, em um papo em uma mesa de bar, discutem diversas teorias científicas e tentam, além de contestá-las, revê-las sob uma nova luz. Em resumo, ele torce as leis da física para dizer que o planeta Terra está crescendo. Por uma série de conclusães advindas dessa constatação ele afirma que a matéria do universo é infinita e que ele nunca vai parar de se expandir e de ganhar mais matéria.

Como o cara é meu ídolo, vou comprar a tal revista que, ele promete, virá acompanhada de um vídeo que explica sua teoria revolucionária.

Quem quiser saber mais do que isso, tem (eu disse TEM) que ler a edição atual da “Wired”. Uma matéria destrincha as idéias do cara e ainda traz umas fotos da figura bem bacanas. Só estará disponível no site da revista no mês que vem, dêem uma olhada AQUI.

Tintin gay?

Deu na “Veja”: Aventura homossexual de Tintin causa indignação na Bélgica

Peraí. E ele não era gay não? Eu sempre achei Tintin maneiro e coisa e tal. Mas o menino sempre me pareceu meio estranho.

Agora, que é um item de colecionador muito bacana, lá isso é.

E pensar que, se eu soubesse desenhar, eu teria feito uma revista erótica da Mary Jane, da Mulher-Maravilha, da Mulher Gato, da Mulher Hulk…

Chance de 1%

Deu em todos os jornais: A sonda NEAR pousou no asteróide Eros.

Cada vez que eu vejo uma notícia dessas fico emocionado. Será que você tem noção da dificuldade que é lançar uma sonda da Terra, mandá-la ao espaço, sincronizar as orbitas, acertar as velocidades e pousar?
Segundo uma matéria que eu li, a chance de sucesso do pouso era inferior a 1%. E os caras conseguiram.

Sei que você sempre pode dizer que essas pesquisas espaciais são uma bobagem. Que deviam aplicar o dinheiro em outras coisas. Que isso, que aquilo. Mas eu jogo no lixo todas as minhas convicções esquerdistas pelo meu absoluto assombro com as pesquisas de cosmologia. É tudo tão espetacular, tão revelador e humilhante que acho educativo.

Além disso, essa discussão é estéril. Vejamos… Gastar bilhões em armas ou em pesquisa espacial? Sim, porque não se iludam, o dinheiro da pesquisa espacial não vai ser reinvestido em filantropia. É um gasto de orçamento estratégico que vai para um lado ou para outro.

Deu em todos os lugares: A IBM, direta ou indiretamente, colaborou com o nazismo

Essa entra para a lista dos fatos que estavam debaixo do nariz de todo mundo e todos ignoravam. Claro que eu e você não sabíamos, até porque nunca nos interessamos em saber, que a IBM tinha uma subsidiária na Alemanha nazista.

Ainda pior, as máquinas de calcular, aqueles computadores eletromecânicos que a empresa produzia, foram usados para organizar o extermínio de milhões de pessoas.

Certamente um absurdo. Uma daquelas distorções mais escrotas, mais degradantes do capitalismo é essa mania de que, desde que você pague, vale tudo. Para a multinacional norte-americana, o dinheiro do nazismo era tão bom quanto o de qualquer outro regime, totalitário ou não. Lá foi a IBM ganhar alguns milhões (de dólares) e ajudar a matar mais alguns milhões (de pessoas). Uma vergonha.

Mas cabem algumas observaçõees por conta dessa gritaria histórica que vem por aí.

Tem um monte de empresas grandes atuando junto a governos totalitários e assassinos em todo o mundo neste momento. Antes de embarcar na falácia e na propaganda, porque ninguém se preocupa com isso? Daqui a quantos anos vamos ver uma reportagem semelhante comentando que a empresa X investiu, sei lá, em Timor Leste?

Sei que você pode dizer que o que importa, nesse caso, é o que foi feito com eles. Mas não é simples assim. Por que os questionamentos têm que ser pautados pelo que sai no Fantástico? Será que a causa disso é a gritaria que os judeus fazem, legitimamente, diga-se de passagem, que cria essa celeuma somente sobre o que acontece com eles? Eu acho que, em parte, sim.

Que a denúncia é grave, que é um pesadelo de relaçõees públicas tudo bem. Mas eu não aguento mais ver essa propaganda descarada para reparar o que foi feito aos judeus e somente a eles. Há um monte de gente sendo morta e explorada em tantos lugares, inclusive aqui, e ninguém se choca, ninguém se preocupa.

Até mesmo na própria Segunda Guerra, não foram só os judeus que foram mortos. O trabalho de imagem foi tão bem feito que parece que a guerra se resumiu a isso: matar judeus. Vá aos livros de história e descubra que não foi bem assim.

Não podemos fingir que não aconteceu. Que não foi bárbaro. Que não foi uma estupidez. Mas achar que os caras que estão trucidando gente no Oriente Médio há mais de 50 anos são sempre os mocinhos é inocência demais.

Se a IBM realmente colaborou com o holocausto que seja punida. Legalmente ou pelos seus clientes, que não vão comprar mais máquinas de uma empresa que ajudou a matar milhões. Lembre-se que para muitos judeus, essas pessoas que morreram eram seus avós, pais e irmãos. Que pague uma indenização bilionária (preço pequeno diante da estupidez). Mas essa histeria é de amargar.

E, que fique claro, essa página não é anti-sionista nem por um segundo.

O hype da era digital – Parte 1

Recebi alguns e-mails sobre os posts anteriores a respeito de realidade virtual (que passo a denominar RV de agora em diante) e vale fazer algumas observações pertinentes.O que é uma RV? Bom podemos dizer que é um ambiente que não existe em nosso mundo físico, de átomos, mas sim em um mundo lógico.

As pessoas costumam associar alguns conceitos a tecnologia e um deles é a RV. Mas isso é um erro crasso.

Desde que o ser humano começou a contar histórias, surgiu a realidade virtual. Sim, qual é a surpresa? Ao criar uma história e situá-la em um mundo fictício qualquer, estamos criando uma realidade virtual. Pela definição, um mundo que não existe fisicamente, mas existe em termos lógicos.

Assim, todos os livros são uma realidade virtual. Todas novelas de rádio, todos os filmes. São realidades ficcionais, ou não, isso não importa, que não existem em nosso mundo. Claro que você pode alegar que os mundos virtuais de um filme existem como cenários, mas é procurar cabelo em ovo, mesmo porque os cenários não são nada perto da ilusão que criam no filme.

Podemos citar os sonhos também. Eles são a RV mais perfeita que conhecemos até aqui. O Eduardo Rocha me contou como seu pai sonha, dormindo e acordado, com um passado distante. Há pessoas que dizem poder controlar seus sonhos e ser capazes de criar cenários e situações ali. São os sonhos lúcidos.

Quando eu tinha lá os meus 14 anos, descobri um livro chamado enrola e desenrola. Ali tinha uma história contada para parecer que era você o protagonista e havia diversas opções que você ia escolhendo a cada página. Dali, você pulava para outras páginas de forma não linear.

É um passo à frente. Opção.

É preciso que você entenda antes de tudo que um livro é uma máquina. Uma revista, um jornal, também. São máquinas que usam como motor para funcionar habilidades que, presumivelmente, nossos corpos e nossas mentes possuem. São máquinas completadas por nós.

Um carro também. O fato de ele ter um motor torna isso mais claro. Mas não é diferente. Não funciona sem que alguém o dirija. Em algum tempo, computadores deverão dirigir carros, mas isso é outra história.

Saindo da digressão…

Anos depois de conhecer o enrola e desenrola, eu conheci o RPG. Pela milésima vez, a sigla vem de roleplaying game, é um jogo no qual você cria um personagem e uma outra pessoa cria uma série de situações e pergunta para você o que seu personagem faria se estivesse ali. Parece complicado, mas não é. E funciona que é uma beleza.

Surgiu em 1970 e alguma coisa e eu só o descobri no final da década de oitenta com um grupo de heróicos amigos. Onde eu quero chegar é que até aí, nesses tipos de diversão, não havia computador na equação, sacou?

O computador entra na história para turbinar as coisas. Alguns anos depois de eu começar a jogar RPG, surgiram jogos de computador como Wolfenstein e Doom. Até ali, quando eu falava em RV as pessoas diziam que eu estava viajando. Mas eles nada mais são do que o primeiro passo nessa direção.

A meta de RV é criar o que os sonhos lúcidos prometem. Um mundo virtual sob seu controle. Ali, você poderia ser mais rápido do que um trem, e poderia saltar mais alto que um prédio. Ali, poderei ter a mulher que quiser, na cama que escolherei.

A mulher que quiser (ou o homem, depende do sexo ou da preferência sexual) os seres humanos já imaginam há séculos com a masturbação. Uma modalidade de RV bem interativa, se é que você me entende. Saltar prédios, correr muito rápido, são coisas que os videogames trazem para a classe média moderna. Aliás fazer coisas impossíveis é bem possível em sonhos. Mas é difícil controlá-los. E feitos impossíveis são comuns em RPGs, não vou esquecer.

As pessoas querem mais. Elas querem sentir as coisas como se fosse tudo verdade. Elas querem ter o controle e querem ter as sensaçòes. E isso, o século 21 promete atingir com o uso de computadores. A única atuação dessas maquininhas é no papel de tornar esse sonho milenar realidade.

O que foi mudando ao longo dos séculos foi o nosso grau de interação com os mundos virtuais. Antes, nós só podíamos acompanhar o que estava acontecendo sem que nada pudéssemos fazer. éramos Cassandras.

Lembro de um episódio do desenho da Betty Boop que eu vi quando era criança. O cachorrinho dela se apaixonava por uma cachorrinha. Ela nào dava bola para ele até que caia em um rio ele a salvava.

Eu fiquei com ódio da personagem. De como ela só foi capaz de amá-lo por gratidão. Pedi ao meu irmão Fernando que me ajudasse a mudar o final do desenho.

Nando é onze anos mais velho do que eu, que tinha uns sete anos na época. Sem computadores para ajudar, ele montou uma maquete tosca com algumas folhas de papel ofício, caneta colorida e cola. Fez o cachorrinho, a cadelinha, o rio e uma cachoeira.

Tudo pronto, encenou o que acontecera no desenho, só que, em minha versão, o cachorrinho a deixava morrer afogada. Desculpem pela minha crueldade juvenil.

Meu mano, que controlava também aquela RV, fez o cachorro ficar triste. Me disse que ele precisava dela. Que gostava dela e que às vezes a gente precisa lutar quando quer alguém. Refizemos a simulação de novo, só que nada de rio. Em minha versão, ele e ela se apaixonavam antes, sem que ela precisasse se afogar em um rio para entender que ele a amava.

Desculpem, outra digressão.

Voltando, ao longo dos anos, esses mundos virtuais foram invadindo os nossos sentidos e agora estamos chegando à última fronteira. Dos capacetes, passaremos a enganar nossos sentidos. Assim como muitas vezes não sabemos que estamos sonhando, não vamos conseguir distinguir a RV da realidade.

E o mundo físico e o lógico vão se fundir. Quem viver, verá.

Terror dos bons

Faz muito tempo que ninguém manda um filme de terror que preste para os cinemas. Sério.

Suas opções se restringem a pegar algum dos clássicos na locadora (nossa, há muitos, tente aquelas produções bacaninhas da inglesa Hammer e algumas com os monstros clássicos da Universal). Pois chegou às bancas um DVD imperdível para quem gosta de terror básico.

A Morte do Demônio, de Sam Raimi, é um primor. Claro que você vai vê-lo e pode achar tudo muito explícito, que há muito pus e sangue. Você realmente corre esse risco se tirar a coisa de contexto.

Vamos a esse contexto, então. O filme foi feito por Raimi com seus amigos de faculdade com um orçamento minúsculo. A maquiagem foi feita por um aspirante a maquiador, a fotografia, o continuísmo. O cenário é uma cabana na montanha, os atores são todos absolutamente desconhecidos, menos o Bruce Campbell, o protagonista Ash, que virou cult.

A maquiagem é aquela podreira porque o filme sofria ainda enorme influência de O Exorcista, o mais copiado daquela década.

Assim, como o filme independente que é, A Morte do Demônio é uma preciosidade. Em DVD, com imagem e som de boa qualidade e até cenas inéditas com detalhes de bastidores, e custando R$ 14,90 é para entrar na coleção de qualquer cinéfilo que preste.

Mortos de Fome é boa pedida antes de um churrasco

Junte uma diretora meio doidona com um grupo de atores bacanas (Robert Carlyle, de Tudo ou Nada, e Guy Pearce, o gay mais escandaloso de Priscila, a Rainha do Deserto, e mais uns coadjuvantes de boa estirpe) e você vai ter um filme que vale cada centavo da locação.

A história, digo, a estrutura não tem nada de especial. Você já viu em algum lugar aquelas reviravoltas, aqueles atos de covardia e bravura. Mas o ritmo, o tema e as atuações é que são importantes.

A diretora chama-se Antonia Bird. Traz para este filme uma direção segura de atores e uma abordagem da história que surpreende.

Antes uma pausa para o tema da história. Um militar, depois de completar uma missão de forma pouco honrosa, durante a guerra expansionista entre os EUA e o México, é mandado para um forte distante, meio que uma versão americana da Sibéria. Ali, ele acaba dando de cara com um estranho caso de canibalismo.

Em um filme pequeno e barato como esse seria comum Bird partir para a ausência de sutileza. Para mostrar grossuras como as vísceras sendo comidas seria um pulo. Ao contrário, embora o filme seja cru (ops!), é muito elegante. É claro que há sangue e mortes, o tema é forte mesmo, mas não cai no caminho mais bobo e acaba sendo um filme interessante.

Depois, vá para uma churrascaria e pense de onde veio aquele pedaço de carne que você está comendo.

Limite Vertical tem sabor de coisa velha

Quando eu era moleque ficava me perguntando por que diabos as pessoas reclamavam tanto de refilmagens.

Na minha cabeça, aqueles filmes malfeitos de antigamente tinham mais � que ser refeitos. Demorou alguns anos (e algumas refilmagens como Psicose) para eu entender o motivo da ojeriza.

Olhando pelo lado comercial, e estritamente comercial, pode fazer algum sentido refilmar Psicose, por exemplo. Por que? Ora, porque as pessoas em geral, esse mundão do médio, de uma burrice atroz, não querem ver um filme preto e branco. É o conceito de indústria tão entranhado na cabeça das pessoas que elas não entendem que um filme não é só um produto manufaturado, pode, com os devidos cuidados e com uma mente habilidosa por trás, se tornar uma obra de arte. As pessoas negam o passado. Os executivos, por sua vez, fazem filmes para ganhar dinheiro. Dane-se qualidade artística.

Então, os filmes brilhantes de Charles Chaplin estão perdidos? O Gordo e o Magro? Para dar exemplos melhores, só bem no mainstream: Casablanca e, céus, Cidadão Kane. Todos em P & B, todos esquecidos em uma prateleira.

Isso me veio à mente (e eu prometo voltar ao assunto mais tarde, em outro post) porque vi, Limite Vertical e odiei.

Nossa, que mau humor!!!! Não me entenda mal. Adoro filmes de ação, adoro heróis bocós lutando pelo que é certo, tenho uma dupla formação que me faz gostar de escargot e big mac, se é que você me entende.

Então por que diabos eu não gostei de um big mac como esse Limite?

Simples. Porque tem tudo de ruim que eu gostava naqueles filmes imbecis da década de 80, só que foi feito uma década depois. Leia-se Top Gun, Rambo 2 e todos os filmes do Stallone, só para citar. É um emaranhado de clichês, uns personagens idiotas, tentando ser engraçados sem que o sejam, um monte de atitudes estúpidas dos personagens. Um roteiro que não faz sentido nenhum, nenhum mesmo.

E não é melhor que um outro filme sobre a K2 feito uns anos atrás. Para quem gosta daquele argumento utilizado nas refilmagens, fazer o filmes com as técnicas e efeitos novos, saiba que essa justificativa não resiste a dez minutos de filme. Os efeitos são ruins, a tela azul (o efeito de sobreposição de imagens usado em 99 em 100 filmes comerciais hoje em dia) é malfeita demais.

Ou seja. Além de não ser melhor que nenhum dos lixos que eu vi nos anos 80 e adorei, não consegue nem ter efeitos especiais que valham o ingresso. Acredite, eu ri de algumas cenas, porque não dá para agüentar os heróis morrendo de maneira tão estúpida, por motivos tão banais. É quase uma comédia de humor negro, mas involuntária.

E pensar que a revista Set recomenda o filme dizendo que é ótimo, que é emocionante, que é bem feito. Deu vontade de rasgar a revista. Ainda bem que eu fui porque a Mônica ganhou o ingresso.