Realidade Virtual no EverQuest

Quando eu joguei Doom pela primeira vez, há quase uma década, o que me fascinou não foi especialmente a carnificina que tornou o jogo conhecido, mas sim a interface. Depois de jogar alguns minutos, era impossível não ter algumas surpresas legítimas e, brincando madrugada adentro, não era raro tomar sustos que faziam ficar difícil pensar em dormir.Mas isso tudo está um pouco mais complexo agora. Doom é peça de museu e diversos jogos foram tomando o seu lugar no imaginário das pessoas. Hoje temos Raibow Six, Half Life, Deus Ex, jogos que usam apenas a interface criada para Doom (mais exatamente para Castle Falkenstein, mas isso é outro assunto) e tudo o mais é original e interessante.

Depois de ouvir falar do negócio por meses, ontem eu entrei no mundo virtual do jogo Everquest. Para quem não sabe, é um mundo virtual criado pela Sony baseado em personagens ao estilo do RPG Dungeons & Dragons. Pois bem, você cria um personagem, paga US$ 10 por mês e passa a ter direito de entrar nesse mundo com seu personagem. O que você faz lá está a seu critério. Há diversos personagens famosos com os quais interagir e uma pá de perigos para enfrentar e, o que é melhor, há milhares de pessoas que, como você, estão ali em busca de aventura. Assim, não é incomum você encontrar um forasteiro e juntar-se a ele para uma jornada por uma área perigosa. Isso pode ser arriscado também, porque ele pode trair você e tentar ficar com seus objetos valiosos.

Já criou-se um comércio paralelo em EQ. Diversos jogadores viciados no jogo chegam a cobrar para tornar o seu personagem mais poderoso. Você passa para eles o seu login e eles jogam com seu personagem por uma semana. Quando o devolvem para você, está “turbinado”.

Uma espécie de mercado negro feito no nosso mundo afeta o que acontece na terra virtual de EQ. E isso é só uma parte da história. Se você fala inglês, tem uma máquina capaz de segurar o rojão e uma conexão de pelo menos 56k, pode tentar se aventurar. Com boa vontade e imaginação, vai ser uma experiência fascinante.

Ah, e se fizer isso, avise a mim e ao crisdias, estamos precisando de companheiros para fazer uma longa jornada e toda ajuda será bem recebida.

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Depois de muita gente reclamando, ativei aqui no Blog do Maron a opção de deixar comentários. Este pequeno e singelo aplicativo foi desenvolvido por este que vos escreve, já que o BlogVoices saiu do ar. Se você quiser um igual no seu site, leia aqui como pode ajudar.Divirtam-se!

Chegou meu computador novo!!!!!

E daí?, vão dizer os insensíveis.
Simples. Com a minha máquina, posso conhecer novos jogos (EverQuest com o CrisDias) e desenvolver melhor os projetos que tenho em mente. Hoje mesmo já instalei o DeusEx e o EverQuest. Vou instalar o The Sims (que eu já tinha colocado no meu computador do Rio e achei muito bacana) e mais alguns brinquedos.
Os homens são mesmo uns crianções e eu não podia ser diferente. A gente se vê por aí em algum servidor de realidade virtual, amigos.

O que diabos é Saga Doktrino?

É uma religião? É uma seita apocalíptica?
A melhor pessoa para responder isso é um cara chamado Bruno Accioly que começou um weblog com esse nome estranho no endereço www.sagadoktrino.org.
Ah, sim. O que eu posso falar sem correr o risco de dizer alguma besteira é que o nome vem do esperanto e significa Doutrina Sensata. É uma forma de ver e investigar o mundo e até mesmo os assuntos considerados misteriosos ou sobrenaturais sob um ponto de vista científico. Mas não é parapsicologia, nem espiritismo, nem ciência cristã e não recorre a expedientes fáceis de procurar explicações simplistas para perguntas difíceis.
Para entender melhor o que é isso, dê uma olhada de vez em quando no site. Este signatário foi convidado a colaborar ocasionalmente, não sei se estou a altura, mas vou tentar.

Clube da Luta, o livro

Se você não quis ver o filme “Clube da Luta” por causa do evento funesto que aconteceu naquele cinema em São Paulo, perdeu um filme muito bom. Esqueça as discussões rasas a respeito de como um filme violento influencia atitudes violentas e mergulhe em uma trama bem bolada com dois atores que estão no melhor de sua forma artística. Aliás, além das locadoras o filme estréia no Telecine em março.Mas é do livro que eu quero falar. Sem que isso seja uma surpresa, é ainda mais bacana que o filme. Peguei emprestado com o meu amigo Paulo, que é mestre de Kombato, nas palavras dele, a mais avançada forma de defesa-pessoal que existe, dê uma olhada na página dele.

Quem acha que o filme só mostra um monte de brucutus brigando o tempo todo está enganado. O Clube da Luta criado pela dupla de protagonistas da história é parte pequena da história tanto no livro quanto no filme. Digo, é importante, mas não há longas cenas de luta e sangue. Há, isso sim, uma amostra dos efeitos físicos e espirituais que o ato de lutar cria nos homens: hematomas e libertação.

Antes de tudo, vale uma análise bem rápida. “Clube da Luta”, o livro ou o filme, é um delírio ultradireitista. Algumas pessoas vão dizer que, ao querer destruir o sistema que corrói o ser humano moderno, eles agem como um grupo subversivo de esquerda. No entanto, as motivações dos personagens são típicos devaneios de classe média. Mas não vamos simplificar, porque um pouco do que ele sente em relação a esse sistema, a essa “Matrix”, é o mesmo que a gente sente em algum momento de nossas vidas. Cada vez que trabalhamos umas horas a mais, que deixamos de fazer algo que desajávamos muito para esticar no emprego, a frustração faz com que nos sintamos escravos de algo que não tem forma: o sistema. Não é por acaso que toda propaganda de telefone, seguradora e banco mostra você se divertindo com as pessoas que ama, vendo o pôr do sol. É o símbolo dos anseios humanos.

“Clube da Luta” lida com isso. E lida com maestria. Mesmo sendo radical em muitos momentos, o discurso do personagem é muito bem sustentado e você embarca com ele na sua viagem alucinada. O que o personagem alega é que nos tornamos escravos de nossos livros, discos, TVs, móveis, contas bancárias. O que ele defende é a desvinculação de tudo. E a luta é uma das ferramentas para trilhar esse caminho na busca de se desvincular da matrix. Em sua opinião, só quando você perde tudo, só quando chegou ao fundo e abriu mão de cada coisa você está realmente livre e pronto para recomeçar.

Jogue fora os estereótipos burros que você leu por causa daquela tragédia causada por aquele maluco assassino e leia um bom livro contemporâneo. Você não precisa concordar com tudo o que ele diz, mas que ele vai fazer você pensar, ah vai.

The Interface Culture, Steven Johnson

Os saltos tecnológicos realmente importantes são os que geram saltos culturais. Esse livro de um dos criadores da ótima revista digital Feed fala de como as novas tecnologias representam um salto que levará a novas formas de cultura, novos modelos de comunicação. Isso já está acontecendo, mas como estamos no olho do furacão não conseguimos notar direito.Johnson analisa as linguagens que surgiram com a chegada do hipertexto e como a linguagem usual foi influenciada. Dá exemplos de sites nos quais o hipertexto é uma ferramenta de significação e não só de navegação.

O livro segue analisando como nossas formas de pensamento foram mudadas por novos paradigmas como a interface gráfica e a Internet e embasa essas análises em argumentos consistentes e eruditos, o que não é muito comum hoje em dia.

É muito bom porque torna palpáveis fatos que as pessoas em geral não conseguem enxergar. O escritor de hoje, com Internet, dicionários e editores de texto cheios de recursos, não tem o mesmo formato de trabalho e nem de raciocínio que seus antecessores tiveram. Depois de séculos nos quais viu o mundo de uma forma analógica, o homem precisa se ajustar agora a ver esse mesmo mundo sob a luz da nova era digital. Seu jeito de raciocinar, de associar mudou. Segundo Johnson, para melhor.

Mas o que é mais importante é que, se eu escrevi “escritores” acima, como exemplo, “The Interface Culture” fala que todos fomos influenciados por essa tecnologia. É claro, mas você notou?

Se você entende inglês e é um dos muitos fascinados por essa revolução que acontece ao nosso redor, esse é um livro indispensável.
Pode encontrá-lo na Amazon (US$ 12 mais postagem) ou na Livraria Cultura (R$ 32,50).

Mais sobre a clonagem de seres humanos

Grã-Bretanha aprova clonagem de embriões humanos para pesquisa
A corrida começou. Qual será o primeiro laboratório a gerar um clone humano legalmente reconhecido? Sim, porque a essa altura do campeonato alguém já deve ter feito isso e ninguém foi comunicado até o momento porque a coisa toda ainda é ilegal.

Mas, como eu disse, AINDA é ilegal. Em alguns anos, diversos países, de olho nos possíveis lucros gerados por essa tecnologia, vão começar a liberar a técnica. O século 21 não será parecido com nada que você já viu, ouviu ou imaginou. Prepare-se.

Corpo Fechado causou reações muito diferentes nas pessoas

Ainda sem falar no conteúdo de “Corpo Fechado” para não estragar, notei que as reações foram muito diferentes. Desde a indiferença e o tédio até o ódio e a idolatria ao indiano-americano M. Night Shyamalan.Repito, quem for ao filme achando que o diretor e roteirista vai repetir tudo o que está em “Sexto Sentido” vai odiar mesmo. Se você for de mente aberta sem esperar as idéias fáceis do gênero ao qual o filme pertence, vai curtir muito.

Se você quer saber mais um pouco (estragar algumas das surpresas) e ler uma crítica negativa (com a qual eu discordo veementemente em 99% dos pontos levantados) sobre o filme, vé no weblog do Tiago Teixeira, que eu não sei como, sendo o cara bacana que é, não foi gostar do filme e fazer uma crítica tão mal humorada. Ninguém é perfeito mesmo.

Para debater os temas levantados no filme, escreva para mim em alexmaron@yahoo.com

Red Hot e o funcionalismo

Ontem foi o último dia do Rock in Rio e minha terceira noite no festival. Antes dessa, eu fui ver o Oasis e o REM. O que ficou claro é que o Michael Stipe, do REM, entrou para fazer um show com alma e tanto os caras do Red Hot quanto os do Oasis fizeram suas apresentações em um espírito meio burocrático, no pior estereótipo do funcionário público que todos amam odiar e que não é necessariamente verdade.

Claro que não dá para comprara as atitudes, os irmãos Galagher são muito sebosinhos e mal educados, os caras do Red Hot são simpáticos, mas só. De inesquecível do show, que eu vi mal e tive que rever na TV, ficou a versão de “Californication”, com um solo diferente do que se ouve no disco, quase uma jam…

Depois o de sempre, ônibus muito cheios, muito perrengue e coisa e tal. Digo hoje o que eu sempre falo: foi meu último festival, é muita chateação, mas vou estar no RiR4, pode acreditar.

Multishow vai apresentar os 13 episódios de Survivor, o programa que inspirou No Limite

Não tem nada a ver com complexo de inferioridade, não, mas eu tenho a sensação de que “Survivor” foi muito mais interessante que “No Limite”. A julgar pelo que li nas revistas e sites, os competidores conspiraram mais, fizeram alianças e tornaram a coisa toda mais emocionante do que a versão brasileira, na qual ficava aquele monte de manés falando que eram amigos e coisas do tipo.
Vamos dar um desconto porque os meios de comunicação norte-americanos são mais corporativistas, eles sabem que o sucesso de “Survivor” é bom para a indústria, então enchem a bola. Mas acho que o negócio mesmo tem a ver com a equipe de produção e com a escalação cuidadosa do elenco de personagens.
Não vamos nos iludir com papos de que isso é uma degradação e coisas do tipo. Entrar na competição em si não considero degradante, o que acho ridículo é a exploração da imagem que os caras fazem depois. Assistir à forma como essas pessoas reagem a essa situação é viciante, principalmente para mim, que já achava interessante ver “Real World” (no Brasil: “Na Real”) da MTV e o Discovery Eco Challenge (esse último, sim, uma visão mais séria do formato do “Survivor”).
Então estou ansioso para ver se os jogadores mandaram tão bem quanto a imprensa norte-americana me fez crer, porque os nossos competidores do “No Limite 1″ foram muito fraquinhos.