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Seja bem-vindo. Este é o blog do jornalista Alexandre Maron. Aqui você vai encontrar textos sobre assuntos que vão de cultura pop a política, de religião a video games. Há também meu histórico profissional e meu portfolio. Conheça meus outros projetos.

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Quadrinhos não são coisa para criança. Mesmo.

Cresci lendo um monte de histórias em quadrinhos de todos os tipos e ouvindo que HQs eram coisa de criança. Como na época eu era criança, isso me incomodava muito e, afinal, de certa forma, era verdade, né?Mas a década de 90 criou uma distorção interessante nesse negócio. Com videogames, internet e todas as facilidades dos gadgets que qualquer moleque de classe média pode ter, não são mais as crianças que lêem HQs. São os adultos.

Surpreso?

Não devia estar. É simples. Quem lia revistas em quadrinhos quando era moleque, cresceu e continuou lendo, mas normalmente abandonou muitas das porcarias que lia naquele tempo. O resultado é um consumo menor e mais seletivo. Com isso, aliado a uma estratégia estúpida dos norte-americanos de parar de distribuir HQs em bancas e partis para lojas especializadas, o negócio ruiu. Nunca as revistas tradicionais foram tão pouco lidas quanto atualmente.

Um conhecido meu que edita uma das principais revistas de informação voltada ao público jovem analisa que os videogames tomaram o lugar dos quadrinhos no imaginário do jovem de hoje. Por que acompanhar as aventuras do aranha se, comprando um Playstation e o cartucho do jogo do personagem eu posso ser ele? Assim, as editoras de HQs norte-americanas se transformaram em produtoras e mantenedoras de franquias pensadas com o único objetivo de se tornar lancheiras, videogames, cadernos e brinquedos.

Como não entram mais tantos jovens nesse circuito como antes, o público não se renova o suficiente e tende apenas a diminuir. E diminuiu mesmo. O mercado encolheu tanto que revistas que costumavam ser campeões de vendagem, com até um milhão de exemplares vendidos em certos grandes eventos, hoje se esforçam para chegar às 100 mil cópias.

Sobraram os velhos como eu, que ainda apreciam ler histórias neste formato tão saboroso e tradicional. São velhos que têm o coração infantil ainda, é verdade, e tentam manter contato com esse romantismo lendo seus velhos heróis.

Mas, cá entre nós, algumas revistas estão tão ruins que até nós estamos abandonando esses nossos heróis. Então que fim levarão eles?


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