A história e a física quântica
Era uma vez um escritor de ficção científica chamado Isaac Asimov (1920-1992). Com sua imaginação irresistível, ele inspirou gerações de futuros cientistas e criou, dentro de uma de suas obras mais respeitadas, Fundação, uma teoria chamada psico-história.Segundo o autor, é impossível prever o que um homem fará, mas é possível traçar os rumos da humanidade, ou seja, de grandes grupos de seres humanos.
Pois quem achava que as idéias do bom e velho Asimov eram balela de escritor de romances baratos, precisa ler a matéria de capa do suplemento Mais da Folha de S.Paulo deste domingo (28/01/01). O título é O Padrão Invisível e fala das teorias descritas no livro Ubiquity (Ubiqüidade). É escrito pelo autor do livro, Mark Buchanan, que é PHD em física teórica.
Buchanan mostra como os padrões aparentemente aleatórios da história podem ser explicados à luz da física quântica. Melhor que isso, seu texto é claro e preciso, ou seja, você vai entender o que ele quer dizer.
Como o artigo é dele (foi traduzido de um material produzido para o jornal inglês The Independent) e o moço precisa encher a própria bola, em nenhum momento é citado o fato de que a idéia já existia na ficção científica ou que é mais uma das aplicações matemáticas que surgiram nas últimas décadas à luz das descobertas da matemática do caos.
Dentro do mesmo caderno, está um artigo de Per Bak, outro físico, que fala de como Buchanan apenas juntou em seu livro as idéias que estão borbulhando já há algum tempo no meio científico. Não tira o mérito dele, que conseguiu traduzir tudo de um jeito que mantém o interesse e faz você sentir, no fim, que aprendeu uma coisa nova e interessante. E ainda rende umas boas discussões calibradas por sua bebida alcoólica preferida.
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