Clube da Luta, o livro

Se você não quis ver o filme “Clube da Luta” por causa do evento funesto que aconteceu naquele cinema em São Paulo, perdeu um filme muito bom. Esqueça as discussões rasas a respeito de como um filme violento influencia atitudes violentas e mergulhe em uma trama bem bolada com dois atores que estão no melhor de sua forma artística. Aliás, além das locadoras o filme estréia no Telecine em março.Mas é do livro que eu quero falar. Sem que isso seja uma surpresa, é ainda mais bacana que o filme. Peguei emprestado com o meu amigo Paulo, que é mestre de Kombato, nas palavras dele, a mais avançada forma de defesa-pessoal que existe, dê uma olhada na página dele.

Quem acha que o filme só mostra um monte de brucutus brigando o tempo todo está enganado. O Clube da Luta criado pela dupla de protagonistas da história é parte pequena da história tanto no livro quanto no filme. Digo, é importante, mas não há longas cenas de luta e sangue. Há, isso sim, uma amostra dos efeitos físicos e espirituais que o ato de lutar cria nos homens: hematomas e libertação.

Antes de tudo, vale uma análise bem rápida. “Clube da Luta”, o livro ou o filme, é um delírio ultradireitista. Algumas pessoas vão dizer que, ao querer destruir o sistema que corrói o ser humano moderno, eles agem como um grupo subversivo de esquerda. No entanto, as motivações dos personagens são típicos devaneios de classe média. Mas não vamos simplificar, porque um pouco do que ele sente em relação a esse sistema, a essa “Matrix”, é o mesmo que a gente sente em algum momento de nossas vidas. Cada vez que trabalhamos umas horas a mais, que deixamos de fazer algo que desajávamos muito para esticar no emprego, a frustração faz com que nos sintamos escravos de algo que não tem forma: o sistema. Não é por acaso que toda propaganda de telefone, seguradora e banco mostra você se divertindo com as pessoas que ama, vendo o pôr do sol. É o símbolo dos anseios humanos.

“Clube da Luta” lida com isso. E lida com maestria. Mesmo sendo radical em muitos momentos, o discurso do personagem é muito bem sustentado e você embarca com ele na sua viagem alucinada. O que o personagem alega é que nos tornamos escravos de nossos livros, discos, TVs, móveis, contas bancárias. O que ele defende é a desvinculação de tudo. E a luta é uma das ferramentas para trilhar esse caminho na busca de se desvincular da matrix. Em sua opinião, só quando você perde tudo, só quando chegou ao fundo e abriu mão de cada coisa você está realmente livre e pronto para recomeçar.

Jogue fora os estereótipos burros que você leu por causa daquela tragédia causada por aquele maluco assassino e leia um bom livro contemporâneo. Você não precisa concordar com tudo o que ele diz, mas que ele vai fazer você pensar, ah vai.

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