Nunca mais a primeira vez

(Ou por que ninguém tem o direito de desrespeitar a obsessão alheia por não saber o que virá)

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Eu não gosto de spoilers, as revelações sobre o que vai acontecer em obras de ficção, sejam livros, filmes, peças teatrais, quadrinhos ou seriados.

Já revelei coisas por acidente, mas tento respeitar as pessoas que não assistiram tal obra. E aqui vai o motivo muito cristalino:

Só existe uma chance de ser surpreendido pela primeira vez.

A única pessoa que tem o direito de abrir mão desse direito é você. Ninguém mais. É a sua vida.

Não interessa que essa e aquela pessoa achem uma bobagem. Não me venham com o papo de que Hamlet ou Romeu e Julieta são incríveis mesmo você sabendo tudo sobre eles. Não é essa a questão. Estamos falando aqui da mais pura de todas as experiências: experimentar Romeu e Julieta pela primeira vez. Sem. Saber. O. Final.

A partir daí, todas as outras vezes vão te oferecer outros insights e sensações. E a única que nenhum deles vai te oferecer novamente? O frescor da primeira vez. Nunca mais.

Conte para os amigos!

A “iTunização” da política

Resolvi republicar aqui os artigos que escrevi para a Galileu no ano passado. Este, publicado no dia 22 de junho de 2013, continua absolutamente no ponto.

E, claro, não deixe de curtir o site da Galileu. Vai lá.

A “iTunização” da política

Centenas de milhares de pessoas foram às ruas protestar pacificamente, enquanto grupos isolados tentaram invadir sedes de governos. As passeatas viraram um fenômeno midiático gigantesco, com os canais de TV transmitindo ao vivo a partir de dezenas de cidades ao mesmo tempo. Todo mundo compartilhando comentários, opiniões, informações e reportagens.

As hashtags tomaram as timelines, mas não existe uma que se sobressaia. As reclamações muitas vezes contraditórias de grupos heterogêneos indicam estarmos diante de um novo tipo de movimento social. Os políticos, formados em outro momento, com outras regras, não sabem exatamente o que fazer. Como agir? Como se faz política na era das interfaces digitais, redes sociais e a internet quase onipresente?

A palavra DISRUPÇÃO é usada o tempo todo para mostrar como a internet e, por conta dela, as redes sociais, estão afetando diversos segmentos de negócios. Escala, conexão, interatividade, proximidade mudaram o jogo em tantas frentes e por que não mudariam na nossa forma de ver e fazer política? (a ex-senadora Marina Silva escreveu um bom artigo sobre isso na Folha de São Paulo) Redes sociais, lojas virtuais, conteúdo on demand. Tudo isso junto criou uma multidão de pessoas que não aceita mais estruturas prontas. Quer ter tudo personalizado, inclusive suas plataformas políticas.

A distribuição com escala infinita foi a parte mais visível que começou anos atrás. Mas nós precisamos de alguns anos expostos às redes sociais, conectados pela internet para desenvolvemos esse novo formato de movimento social.

Primeiro conecte as pessoas. Aí, no espaço de alguns anos, elas conversam, interagem e vão sacando que não estão sozinhas, que seus ódios, seus medos e suas chateações são compartilhados.

A interface nos muda. Passamos, com todos esses recursos, a fazer associações que antes não conseguíamos. Antes, para praticar política, as pessoas TINHAM que se organizar em grupos muito bem definidos, fazer encontros semanais, mensais na salinha do comitê de um partido. Tinham que adotar bandeiras muito claras, plataformas. E dali, muitas vezes não concordavam com todos os pontos, mas aceitavam engolir questões menores pelo bem da plataforma desse ou daquele partido político.

Não precisam mais. Se a internet e a era do MP3 fizeram os álbuns se fragmentaram em músicas compradas isoladamente, a política se reorganizou e saiu do modelo de plataformas políticas (os “álbuns”) para uma “snack culture” de questões que vão sendo escolhidas, clicadas, curtidas, twitadas. Você monta a sua plataforma personalizada como se fosse sua playlist num iPod. E o que deixa todo mundo confuso é que, nessa nova configuração, ela é única, com diversos pontos de contato aqui e ali. As combinações possíveis se tornaram imprevisíveis. E as possibilidades de encontro e de conflito, também.

Estamos falando de uma espécie de “iTunização da política”. A idéia de lojas de conteúdo distribuído digitalmente, onde você compra músicas, fimes, apps, livros em tempo real é muito poderosa. É como se essas lojas virtuais tivessem nos treinado para usar essa mesma lógica em tudo mais.

Deve haver muita gente convicta de que isso é ruim, resultado de alienação e coisa e tal. Mas não é tão simples. E ainda está muito cedo para avaliar os efeitos reais. Não é comprovadamente bom nem ruim. Mas não há muito que fazer, não há como voltar atrás.

Essa “iTunização da política” populariza as causas e as questões e as faz terem apoio fragmentado. No novo contexto, o Facebook se coloca como um “buffet de causas”. A política sai das mãos dos profissionais e é levada para um grupo novo, muito mais amplo. Só que estamos todos ainda descobrindo como processar tantas novidades. Precisaremos ainda de uns bons anos para entender isso tudo. As mudanças estão acontecendo enquanto falamos delas.

Antes, como você acharia uma pessoa que apóia, por exemplo, tal “causa animal” e outra que seja favor da união civil entre pessoas do mesmo sexo? Ou você procura um lugar que apóie tudo, ou seria obrigado a procurar grupos diferentes com um “custo” cognitivo altíssimo para administrar essas questões e relações.

Com nossas relações agora mediadas por painéis de controle e timelines do Facebook e do Twitter, o jogo mudou. O “custo” de fazer essas conexões e controlar o seu acesso a essas questões baixou muito. Logo, qualquer pessoa é capaz de formar a colcha de retalhos da sua opinião pessoal.

É difícil para quem está acostumado com as estruturas clássicas entender isso. E é essa falta de entendimento que está gerando uma enorme perplexidade e confusão nas cabeças tanto dos cidadãos comuns quanto dos políticos. Quem milita do jeito tradicional, tem dificuldades para reconhecer a legitimidade dessas manifestações fragmentadas.
Daí surgem conflitos em torno de uma definição mais restrita do que seria um militante de verdade e o que estaria ali só fazendo pose. Enquanto pessoas se definem como apolíticas e apartidárias com orgulho, outras usam os mesmos termos com desprezo. Depois de lutar pelo direito de se manifestar, as pessoas acabam se contradizendo e criando padrões bem restritos do que elas acham que constitui um manifestante legítimo.

Sem uma pauta definida, clara, os governantes ficam confusos sobre a respeito do que deveriam discutir. Sem líderes claros, organizados do jeito usual, em partidos ou comissões e comitês, não há com quem negociar.

Talvez o ideal seja eleger quais são as questões que recebem mais suporte (os Top Downloads, já que eu estou fazendo a comparação com lojas de conteúdo digital) e transformar a soma desses itens em uma plataforma a ser negociada. Claro, o problema seguinte seria negociar com quem.

Você acha tudo isso uma bobagem? Acredita na “iTunização”? Acha boa ou ruim essa nova ordem descentralizada? Opine nos comentários.

Leitura recomendada:

Análise: porque o #protestoSP não teve uma, mas muitas hashtags

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As caixas, as traças e as lembranças

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Mamãe vai se mudar depois de 36 anos. Vai para um apartamento menor. O atual abrigou uma família de cinco pessoas (em diversos momentos, até mais gente). O novo apartamento só precisa de um quarto de hóspedes e um sofá-cama. Mamãe, seu companheiro e, ocasionalmente, nós, as “crianças”.

E, claro, muita coisa vai pro lixo. Resta abrir as caixas do passado e decidir o quê.

Eu abro uma caixa empoeirada e o tal passado do qual só lembro fragmentos pula junto com as traças. Fotos, poemas de adolescência, redações, contos, meus primeiros jornais experimentais, cartazes da loja que eu e o Cristiano abrimos lá no meio dos anos 90, agendas com anotações ridículas (e, por isso, engraçadíssimas), cartões de amores platônicos, de ex-namoradas e da mulher com quem me casei e vivi pelos 20 anos seguintes.

Uma prima de uma ex-namorada me mandava cartões e mais cartões em que dizia o quanto me adorava e se dava ao trabalho de escrever meu nome 100 vezes nas bordas. Era, claro, só amizade. Poemas malucos e escritos de forma completamente bizarra por meninas que se sentiam obrigadas em retribuir meus arroubos românticos. Nota dez pelo esforço. Eu tive meus diversos amores platônicos também. Não-relações nas quais tudo se resume a negar o óbvio. As meninas que eu, não sei por que, fingia não estar interessado quando, na verdade, estava completamente obcecado. Ainda bem que adolescentes crescem. Bom, alguns pelo menos.

Lá estão os contos que eu escrevi na fila do banco, quando trabalhei como office boy e passava horas de um lado para outro da cidade. Ruins, claro. Mas cheios de frescor. Artigos desastrados e desencontrados, sem coordenação básica do raciocínio. O roteiro do curta-metragem que eu quis fazer para exorcizar a morte do meu irmão. Era uma trama de viagem no tempo misturada com realidade virtual. Muita energia, muitas vontades não concretizadas totalmente.

E, claro, nada disso vai pro lixo. Vou me dedicar nos primeiros dois meses de 2014 a reler tudo. Cada papel. Só depois de lidos um por um, alguns vão, sim, pro lixo. Mas outros vão para a lista do que eu quero fazer no resto da minha vida. Refocar, lembra?

Dizem que, aos 40, você inevitavelmente vive uma revisão. Algumas pessoas, como eu, precisam viajar ao passado e se reencontrar. Falar com aquele menino (ou menina) e perguntar pra ele: o que você quer ser quando crescer? Não é que essas respostas vão resolver tudo. Mas elas vão te ajudar a lembrar o que te fez chegar até aqui. Foi aquela energia incrível e uma vontade de arrombar a porta do mundo. Era uma energia tão poderosa que o impulso dela te empurrou por décadas e agora, quando você precisa refazer as perguntas, por que não ir lá para rever o que você deixou pra depois e ainda não realizou? Algumas descobertas incríveis surgem. Estão surgindo.

E eu repito algo que será meu mote em 2014: Preste atenção.

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Acabou 2013, começa 2014. Você está prestando atenção?

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E lá se vai o ano em que diversos capítulos da minha vida acabaram.

Diversos capítulos.

Eu não posso olhar 2014 de outra forma que não seja um ano de recomeços e reinvenções.

E eu me lembro bem de um ano atrás, nessa mesma época, quando eu olhava para 2013 com esperança de que fosse um ano bom, porque 2012 já tinha sido… Estranho. De que as coisas dessem certo e de que eu conseguisse reverter as previsões de tempo ruim na minha vida.

De certa forma, foi o que aconteceu, mas não do jeito que eu esperava.

Porque não posso dizer que os problemas não chegaram a um termo. Resoluções foram tomadas. Eu agi. Minha vida começou a mudar de uma forma intensa. Mas foi só o início da transformação.

Em 2014, é preciso continuar. É preciso seguir e resolver. E não é fácil.

Nos últimos dias, de volta ao lugar onde eu cresci. Despido dos símbolos e suportes que me protegeram no passado, tive algumas experiências curiosas.

Minha mãe finalmente vendeu o apartamento onde viveu por 36 anos. Quando entrou lá, era casada, mãe de dois filhos. Teve uma menina, enviuvou, perdeu o filho mais velho, viu os filhos crescerem, casarem e irem morar por aí, teve duas netas, achou um companheiro e agora fechou ciclo. Se muda em breve. Esse foi o último Natal e, amanhã, será o último réveillon na Ilha do Governador. E se ela não está aqui, significa que eu provavelmente nunca mais vou botar os pés no lugar.

Como esse é meu último período mais extenso no bairro, fiz algo que não fazia havia anos. Fui andar por aí, sem rumo, pra rever alguns lugares marcantes da minha infância e adolescência. Por onde eu caminhava, onde eu namorei, para onde eu ia de bicicleta com os amigos.

De algumas memórias eu sou a única testemunha que sobrou. Meu irmão e um amigo querido de infância estavam nelas e os dois morreram muito tempo atrás.

Em outros casos, você passa em frente a prédios que são carcaças de lembranças. Todas as pessoas envolvidas estão vivas, ainda bem, mas muito longe dali. As memórias estão esfumaçadas. Faltam pedaços das histórias. Sobram fragmentos em alguns casos desconexos.

Sou eu que vivo assim ou todo mundo tem esse sentimento de que a vida foi rápida demais e que você parecia não estar prestando atenção direito? Porque eu juro: não foi a intenção. Eu não queria esquecer as coisas que eu esqueci. Mas quando fui ver, as memórias não estavam mais lá. E sobrou essa sensação ruim de que eu não cuidei delas com carinho.

Nos últimos meses, mas mais ativamente nas últimas semanas, caiu a ficha de quanta coisa eu perdi na vida da minha família. De repente, eu me toquei que já se vão 15 anos da minha saída pra morar em outra cidade. Há pedaços enormes das vidas de pessoas importantes pra mim que eu perdi completamente. E, de novo, eu não estava prestando atenção.

Não é que eu não vivi. Minha vida não foi ruim e não é isso que eu estou dizendo. Não posso reclamar de uma vida cheia de momentos bacanas, de gente incrível, de viagens, do casamento e dos projetos dos quais me orgulho. É outra coisa. É uma sensação bizarra de que as coisas intensas, incríveis, inesquecíveis, não foram guardadas direito.

Então… Se eu esqueci de grande parte da minha vida e não estava prestando atenção na dos outros, qual foi a vida que eu vivi mesmo?

Tudo que eu posso fazer agora é respirar fundo e prestar atenção. Na vida. Nas pessoas. Cuidar com carinho para estar mais atento ao que vem, ao futuro. Porque eu quero lembrar. Quero muito.

Para 2014 e além. E você? Está prestando atenção?

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Elysium desaba num proselitismo doentio

Semana passada, tive uns engulhos quando descobri que um grupo religioso resolveu criar um vídeo chamado Porta da Frente em uma espécie de combate ao Porta dos Fundos. Naturalmente, foi patético.

Meses antes, eu fiz piada com esse vídeo.

Feito para “combater” esse outro, que fazia piada com os defeitos do Rio de Janeiro.

Fiz piada, de novo, porque o vídeo de contra-ataque é invariavelmente menos inspirado do que o original (que nesse caso era uma paródia de outro vídeo, mas por ter derivado na direção certa, manteve a graça).

Estou fazendo essa introdução torta para explicar porque fiquei tão irritado com um filme que eu queria tanto gostar: Elysium.

Um diretor talentosíssimo (District 9 é brilhante for so many reasons) que tem uma linguagem visual fantástica e que se perde ao esquecer o roteiro para fazer sua pregação. E entenda. Não interessa que eu concorde completamente com o conceito de saúde universal. Não importa a ideologia do momento. O que importa num filme como esse é a boa história que é deixada de lado para a pregação apaixonada de uma idéia. E o resultado? Minha cara de surpresa com a lógica desabando.

Então, a sensação é de que, no terceiro ato, Blomkamp não se preocupou com contar uma boa história. Azar o nosso, que estávamos investidos nos personagens. O filme passa a se resolver com acasos preguiçosos irritantes. Degringola feio. O filme se divide, então, em duas partes  que não se conversam. Não consigo entender de onde saiu aquilo. Não consigo engolir o completo abandono da lógica e de qualquer tentativa de nos entregar uma trama que faça sentido.

Então, gastei essas linhas para dizer somente que Elysium desabou pra mim porque virou Porta da Frente. Só faltou Matt Damon terminar o filme cantarolando “Rio lindo de vive-er, sou louco de amor por você-ê…”.

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Carta para a Marina

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Minha linda, pequenina, fofinha, Marizoca.

Você ainda não pode ler isso. Ainda pouco sabe o que a gente diz. Mas um dia você vai poder entender o que eu estou escrevendo e espero te arrancar um sorriso. Mais um. Desses que eu gosto tanto de ver.

Olhar para você me acalma, Marininha. E hoje, nesse momento em que te escrevo, poucas coisas me acalmam. Mas vai melhorar. E eu só acho que vai melhorar porque olho pra você. E esse momento, o de olhar pro seu rostinho, é de esperança no futuro. Porque um futuro com você e com a sua irmã só pode ser melhor. E se não for, me dá vontade de lutar para que seja. Porque tem que ser melhor. Entende?

Seu sorriso me aquece o coração. E, tenho que confessar, poucas coisas hoje me aquecem o coração. É o momento. Vai passar.

Tem outra coisa que eu sinto quando olho para você. Vontade de envelhecer. Essa vontade eu nunca tive (não que faça alguma diferença querer ou não). Mas é que, para ver você e sua irmã crescerem, virarem tudo que vocês podem ser, eu preciso envelhecer. E se esse é o preço. Puxa, paciência.

Esta é a primeira de muitas cartas, ou e-mails, ou mensagens, ou posts do Facebook ou de qualquer outro meio que for inventado. Você só vai conseguir ler isso mais tarde, quando for alfabetizada. Só vai entender mesmo… Um dia. Quando você olhar para sua filha ou sua sobrinha amada e sentir o que eu estou sentindo. Quando seu coração se aquecer como o meu.

Aí você vai entender porque eu escrevo uma cartinha tão simples com lágrimas nos olhos. Não é tristeza não. É felicidade. É porque eu sei que é só o começo.

É o primeiro parabéns. De muitos anos de vida.

Te amo

Tio Alê

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Jornalismo: os inimigos, as ferramentas e a catedral

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O segundo maior inimigo do jornalismo é o mau jornalismo. Ele corrói a imagem da profissão e é usado… pelo maior inimigo. O mau jornalismo não afeta essas figuras nefastas, porque não se preocupa com elas. Se importa com o que não importa.

Divididos seremos conquistados. Os governos autoritários, os criminosos ou, simplesmente, os egoístas que lutam contra o bem comum são sempre os maiores inimigos do jornalismo. E precisam dele fraco.

O jornalismo não enfraquece só quando as empresas ficam vulneráveis economicamente, porque o jornalismo não é empresa. Ele enfraquece quando as pessoas não conseguem entender seu valor, perdem de vista para que ele serve e não entendem que ele as serve. E em algumas situações, a culpa é justamente dos jornalistas e das instituições que se deixaram levar pelas tentações do segundo maior inimigo ou se dobraram aos interesses do primeiro. Ou os dois.

O jornalismo é algo acima das instituições, é uma forma de ver o mundo, de questioná-lo e de buscar a história. É um filho direto do iluminismo, do pensamento científico. E, como tal, pode ser praticado por quem quer a verdade, a igualdade e o bem comum. As três coisas. Nunca menos. Menos é o terreno do mau jornalismo.

As pessoas costumam confundir o jornalismo com suas ferramentas. Assim como um lápis não faz um escritor, um bisturi não faz um cirurgião e uma guitarra não faz um músico, o jornalismo é construído na prática e no uso das ferramentas dentro de um arcabouço ideológico específico: verdade, igualdade, bem comum. O que se produz e para quem é produzido faz toda a diferença. Porque o jornalismo só existe de verdade quando expõe, revela e ilumina.

Não existe jornalismo de uma noite. Ele é uma catedral construída com sangue, suor e credibilidade. E essa credibilidade só é construída a partir das engrenagens sociais. O jornalismo não pode ser uma ilha. Isolado fica fraco. E fraco, é presa do maior inimigo, que está sempre à espreita.

O jornalismo tem um compromisso com sua missão e com sua existência. É missão do jornalismo continuar existindo, porque ele precisa saber sua missão e querer preservá-la. Se não souber e se não lutar é meio jornalismo. E meio jornalismo é mau jornalismo.

Isso, claro, é a MINHA opinião. Ainda bem que o jornalismo não precisa de mim para defini-lo.

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Os jogos e as ferramentas que mudam o mundo

Décadas atrás, jogos eram os de tabuleiro. Era relativamente fácil ter um e modificar suas regras, desenhas novas cartas e peças, escrever regras personalizadas (as regras da casa). Os video-games surgiram com a popularização da informática e foram se infiltrando em nossa cultura até se tornar uma forma de expressão artística poderosa. Agora, com a chegada do console indie, o Ouya, os jogos eletrônicos entram numa nova fase, cheia de possibilidades.

Leia mais na minha coluna no site da Galileu, A Explosão Criativa dos Jogos Independentes.

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As 100 Melhores Coisas para quem?

Capa da Entertainment Weekly

Capa da Entertainment Weekly

A Entertainment Weekly lançou esta semana sua edição especial com os 100 melhores filmes, livros, filmes e álbuns de todos os tempos. Obviamente, tudo muito longe da unanimidade. Mas como são listas editadas por uma das poucas boas revistas de cultura pop que sobraram, vale pelo menos dar uma olhada para discordar.

No site, eles colocaram links para seus top 10 de cada categoria:

Top 10 filmes da EW: 1. Cidadão Kane, 2. O Poderoso Chefão, 3. Casablanca, 4. Bonnie e Clyde, 5. Psicose, 6. A Felicidade Não se Compra, 7. Caminhos Perigosos, 8. Em Busca do Ouro, 9. Nashville, 10. E o Vento Levou. Tem mais 90 lá.

O filme mais recente do top 10 é de 1975? No top 20, o mais recente é Pulp Fiction, de 1994.

Nas séries, temos no top 10: 1. The Wire, 2. Simpsons, 3. Seinfeld, 4. Mary Tyler Moore, 5. Sopranos, 6. Allin the Family, 7. The Andy Griffith Show, 8. Buffy, 9. Mad Men, 10. Your Show of Shows.

Top 10 Álbuns(Música): 1. Revolver (Beatles), 2. Purple Rain (Prince), 3. Exile on Main Street (Rolling Stones), 4. Thriller (Michael Jackson), 5. London Calling (Clash), 6. Blood on the Tracks (Bob Dylan), 7. Lady Soul (Aretha Franklin), 8. My Beautiful Dark Twisted Fantasy (Kanye West), 9. Pet Sounds (Beach Boys), 10. Nevermind (Nirvana)

Top 10 Livros: 1. Anna Karenina (Leo Tolstoi), 1. O Grande Gatsby (F. Scott Fitzgerald), 3. Orgulho e Preconceito (Jane Austen), 4. Grandes Esperanças (Charles Dickens), 5. Cem Anos de Solidão (Gabriel Garcia Marquez), 6. My Antonia (Willa Carter), 7. A série Harry Potter (J.K. Rowling), 8. A quadrilogia
do Coelho (John Updike), 9. Amada (Tony Morrison), 10. A Menina e o Porquinho (E.B. White)

Quantos você viu, leu, ouviu? Quem faltou? Quem sobrou?

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A coluna no site da Galileu

Como eu disse mais atrás. Voltei de um mestrado e deixei de lado o velho ofício de escrever. Uma das resoluções de 2013 era voltar para ser feliz. Aqui estou.

Até aqui, minha principal atividade foi escrever uma coluna semanal no site da Galileu.  Ali, falo de como a cultura pop infuencia e é ifluenciada. O mote é: O POP de impacto e o impacto do pop.

Na semana passada, escrevi sobre a iTunização da política. O momento em que, vivendo em um mundo em que tudo começa a ser por demanda, as pessoas resolvem que suas plataformas polícias também devem ser personalizadas e param de simplesmente aderir ao que partidos organizados propões em bloco.

Nas semanas anteriores, escrevi sobre:

Transmídia – Em A tecnologia e as novas possibilidades narrativasDefiance é um jogo ou um seriado? Os dois.

Realidade Aumentada – Em Vendo o mundo como o Homem de Ferro

Narrativas Pessoais – Em A vida como narrativa: um filme, uma série, uma timeline? (que tem um pouco de transmídia também, mas com outro foco)

Leia e comente. :-)

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